julho 29, 2004

BOAS FÉRIAS

Publicado por João Norte em 05:46 PM | Comentários (9)

julho 23, 2004

Quem não Rouba

Quando jovem fiz castelos,
Na areia dos meus sonhos agitados,
Pensava um dia poder vê-los
Por minhas próprias mãos realizados.

A vida me ensinou coisa diferente,
O destino manda mais que a nossa mente.
O homem não se faz só por sonhar
Mas sim por muito trabalhar.

O trabalho enobrece toda a gente
Mas ser rico é coisa bem diferente
Ricos não são os que trabalham
Mas aqueles que nos roubam impiamente.

Ter castelos e viver bem lá no alto
Vivem aqueles que não pisam no asfalto
Os pés cansados da longa jornada
Duma vida inteira sem ter nada.

Me lembro agora que um certo dia,
Alguém muito velho me dizia,
“Nesta vida, quem não rouba ou quem não herda,
Na morte tem apenas uma merda”

Publicado por João Norte em 03:34 PM | Comentários (14)

julho 18, 2004

Saudades da Minha Infância

Na minha memória tu és pura, porque és feita da minha imaginação, e na imaginação não há impureza. A realidade, essa sim, é impura, porque aí se movem os interesses imediatos e destruidores dos sonhos de cada um.
Como seria interessante se cada um de nós conseguisse guardar a pureza da nossa infância em que os sonhos preenchiam o presente e o futuro que nós construíamos de mãos entrelaçadas.
Nesses sonhos não entrava a malícia, o lucro, a vaidade, o luxo ou o bem-estar, mas apenas o amor eternamente prometido até que a morte nos separasse.
Não pensávamos que pudesse não ser a morte mas a vida, entendendo-se vida como o trabalho, o ganha-pão, a carreira, as ambições despertas pelo percurso quotidiano que cada um de nós iria percorrer, que nos separaria.
E as juras que, na nossa pura infantilidade fizemos, ficaram para sempre na memória desses momentos de amor feliz e preenchido porque pedia pouco.
Nós não pedíamos mais do que nos deixassem viver aquele amor no embalo musical dos pássaros, do sopro do vento, do perfume das flores primaveris, acabadas de despertar como nós e, como nós, na mesma ânsia inocente de viver.
Jurámos amor como se as nossas pequenas e inocentes mãos pudessem conduzir o mundo, ou como se nos pudéssemos subtrair a esse mesmo mundo e às suas leis inexoráveis.
Como se os sapatos com que saltitávamos nos pudessem libertar de calcorrear as sendas de um destino, talvez pré determinado, ou imposto pelas circunstâncias, de qualquer maneira, impensável para nós naqueles momentos em que tão puramente nos amávamos.

Publicado por João Norte em 11:38 AM | Comentários (10)

julho 17, 2004

Governo Salada Russa

O José Manuel Fernandes, que parece ter virado um pouco à esquerda, chama a este novo governo “Salada Russa”
Ora eu acho que o adjectivo, embora se refira a uma mixórdia de vários ingredientes, é insuficiente para caracterizar este governo
O governo começa por ser grande, sem que seja “grande coisa” bem ao estilo megalómano do Dr. Santana Lopes.
São só mais uns ministérios. Uns edifícios ocupados, uns tantos móveis, uns tantos computadores, para os Srs Ministros, os respectivos assessores e chefes-de-gabinete, as secretárias. Apenas mais uns tantos empregos para uns amigos, que nesta crise até dá jeito. Áh... e mais uns BMWs topo de gama, porque estes novos ministro não vão usar os carritos dos anteriores.
Ainda o José Manuel Fernandes aponta algumas particularidades. Segundo ele, a nova Ministra da Educação não deve ter ideia nenhuma sobre Educação. O seu antecessor também não tinha!
O novo Ministro do ambiente, que no programa do seu partido defendia a extinção do respectivo ministério, tem a tarefa facilitada. É coerente e não faz nada! Entretanto, os seu escritório de advogados tem relações com as empresas ligadas aos resíduos e das águas, etc, etc.
Não vamos por aqui. São todos cavalheiros incorruptíveis.
Curiosa é a divisão entre Ordenamento do Território e Ambiente. Um orienta e outro ambienta. Isto é a forma mais fácil de ninguém fazer nada, porque a responsabilidade é sempre do outro.
Os autarcas queriam mais dinheiro, a Drª Ferreira Leite, que era mãos de fome, não dava. Resolveu-se o assunto, entrega-se-lhe o ministro dos estádios e do Euro 2004.
Tudo resolvido!
O povo é sereno e aperta o cinto.-

Publicado por João Norte em 06:38 PM | Comentários (4)

Desabafo fora d'horas.

Que serenidade de homem de estado apresenta o nosso novo primo/ministro.
Primo, irmão ou filho. Filho do ou da? Não sei e não afirmo.
Mas que palavras doces, que pose bem estudada, que cabeça bem penteada e cheia de ideias.
Os amigalhaços todos em fila como filhos bem comportados, vão ao paço da monarquia.
Ele é primogénito, aquele que herda.

E este País é uma Merda!

Publicado por João Norte em 12:38 AM | Comentários (2)

julho 16, 2004

Saudades da Minha Infância

O inverno passou lento, pesado, frio, cortante e destruidor. Alguns idosos cuja fraca seiva vital se esgotou no maior consumo de energias enlutaram algumas famílias da vila.
A primavera desejada voltou, trazendo consigo o calor do sol e os ventos cortantes de frio deram lugar às brisas das manhãs calmas.
Nas encostas batidas pelos raios solares e abrigadas da brisa mais fresca do mar nas noites ainda longas, as primeiras flores silvestres animaram a paisagem salpicada de pétalas brancas e rosa.
Nas tardes mornas, a sombra dos salgueiros junto ao ribeiro que cantava de águas cristalinas, era o nosso ponte de encontro marcado, fora da vila, libertos dos olhares indiscretos e recriminatórios das velhas, repositório da moral e dos bons costumes tradicionais. O nosso amor, a nossa juventude e nossa pureza magoava as suas consciências cristalizadas de uma infância distante, perdida e talvez mal vivida.
Saltitávamos de mão dada, pés descalços pela corrente fresca, segurando na outra mão os sapatos descalços que tinha de voltar secos.
Assustávamos os cardumes de pequenos robalos e os pássaros que, como nós, pipilavam na música da primavera renovadora da natureza no seu eterno movimento.
Guardo na memória a frescura dessas tardes, a beleza da tua fresca juventude, o sabor dos teus beijos perfumados, a sinceridade ingénua das nossas promessas de amor e a sua lembrança serve-me de suave alento nos dias frios do inverno que se vai instalando no aproximar do outono da vida.

Publicado por João Norte em 05:32 PM | Comentários (3)

julho 15, 2004

Saudades da minha Infância

Sentado na fria soleira e abrigado do vento do mar pela grossa cantaria oval da porta da igreja, eu esperei por ti. Soprava das mãos o frio que tolhia os dedos, e batia no chão molhado as botas cardadas, que não eram suficientemente grossas para proteger os pés da humidade gelada daquela noite de Natal.
Prometeras vir e eu nem sequer me interrogava da verdade dessa presença que seria o presente mais importante que o Pai-Natal, em que eu já não acreditava, me poderia oferecer.
Como qualquer criança que coloca o sapatinho na chaminé e fica na cama, fingindo dormir, mas à escuta do mais leve ruído na cozinha, eu escutava quaisquer rangidos que me anunciassem os teus passos.
As badaladas do sino a cada quarto de hora, a cada hora, mantinham a minha cabeça desperta do sono e aumentavam a ansiedade e a angústia do tempo que passavam sem que deslumbrasse a tua imagem ao virar da esquina.
Segurava entre as mãos regeladas um frasquinho de perfume, que comprei com as moedas tiradas do mealheiro com a ponta da faca, para que os meus pais não percebessem que gastava o que os tios e padrinhos me davam pelos anos ou nas visitas em dia de festa.
Gostaria de ter um ramo de flores para te oferecer mas em Dezembro não havia flores, e assim, aquele perfume seria a minha primeira prenda, que tu irias guardar com tanta ansiedade como a que eu sentia quando o comprei sem conseguir evitar um sorriso trocista da Fatinha da farmácia.
O sino bateu as doze badaladas e tu não apareceste. Em cada casa soavam as vozes alegres da ceia e os cânticos de graças pelo Menino que acabara de nascer.
Eu guardei o frasco na algibeira das calças crispando as mãos e rangendo os dentes de frio, de raiva e desilusão.
Na esquina da rua chocámos, tu corrias ao meu encontro enquanto os teus pais ceavam.
Aquele beijo foi a minha melhor prenda de Natal.
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Publicado por João Norte em 09:15 PM | Comentários (5)

Coisas Residuais, Sr. Ministro?

Não há paciência para aturar governantes que, além da sua incomensurável incompetência, não têm o mínimo de vergonha, educação e respeito pelos cidadãos.
E afirmo tudo isto correndo o risco de processo crime ou disciplinar porque sou funcionário público. Antes porém, sou cidadão e como tal tenho direito à indignação consignado na Constituição ainda em vigor neste País, embora alguns responsáveis pareçam tê-la esquecido.
O Ministério da Educação, cuja incompetência ultrapassou há muito os limites da compreensão e muito mais o da aceitação, vem agora dizer que as listas de colocação dos professores serão publicadas na primeira quinzena de Agosto. Isto é incompetência e quanto a isso já nada há a dizer por já ser sobejamente conhecida.
Mas vem o Ministério acrescentar que , cito “ os professores podem ir de férias sem preocupações”. É aqui que se situa o que eu chamo de falta de vergonha e respeito pelo cidadão. Acrescenta ainda o Ministério que após a primeira colocação o restante é residual. Este “residual” são alguns milhares de professores cuja indefinição de local de trabalho envolve milhares de famílias.
Acha o Senhor ministro que, casais que em Setembro irão ser divididos, talvez um para qualquer vila minhota outro para o Algarve, são coisa residuais e que podem ir de férias despreocupados? Onde colocarão os filhos? Em que cresce se a houver? Onde alugarão duas casas? Depois, em fins de Setembro ou Outubro serão mudados. Mudam novamente os filhos? Sabe o Senhor ministro que ninguém aluga uma casa sem o mínimo de dois meses? Será o ordenado de professor em início de carreira compatível com estas despesas?
Já não falo das consequências sociais, falo só das económicas porque as sociais são ainda mais difíceis de calcular. Também não falo das consequências pedagógicas que deviam preocupar qualquer Ministro da Educação.
Senhor Ministro, a nossa Língua tem formas eufemísticas para se dizer qualquer coisa. V. Exª não teria dificuldade em encontrar uma forma delicada de pedir desculpa aos professores pelos prejuízos causados. A arrogância e a falta de humildade a par da incompetência cansam.

Publicado por João Norte em 02:44 PM | Comentários (5)

julho 11, 2004

Que Triste País

Este nosso em que vivemos.
Tristes os políticos que temos.
Deles não haverá memória
Nem sequer falará a História.

Que triste país o meu
Sempre ao jugo submisso,
Não respeita o compromisso
Quem o defender prometeu.

Que triste país caminhante
À beira-mar plantado
Do povo foi sempre amado
De governos tão distante.

Como poderá ir avante
Um país desgovernado
Será sina ou será fado
Deste país emigrante.

O povo procura fora
O pão que lhe falta cá
E o que fica implora
O governo que não há.

Aos pobres ninguém defende
Aos fortes falta vergonha
Quem pode rouba e ofende
Não há ninguém que se oponha.

Publicado por João Norte em 09:45 PM | Comentários (5)

julho 10, 2004

Ainda preplexo

A vida é uma estrada sinuosa que tem de ser percorrida com firmeza e esperança.

Foi com estas palavras que terminei um dos meus textos anteriores num dia em que não me apetecia escrever. Há momentos assim. Momentos em que parece haver qualquer coisa que nos avisa. Há quem lhe chame pressentimento. Não sei. Talvez a experiência nos avise de que, em todos os momentos da vida, nunca há certezas e quanto mais confiantes maior será a surpresa e a desilusão.
Muitos como eu estão neste momento sentindo o mesmo desalento, a mesma frustração, a mesma impotência perante o girar dos acontecimentos. Muitos como eu acreditaram que os homens inteligentes agiam com honestidade e de acordo com a valor da vida e das pessoas. Porém, por muito avisados que estejamos, há momentos em que esquecemos que todos os homens são falíveis e as suas acções obedecem a razões que desconhecemos.
Quanto maior é o amor mais se sente a traição. Quanto maior é a confiança maior é a desilusão.
“mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. É bom que ao menos não esqueçamos, e que amanhã saibamos de que lado devemos estar, e que as dificuldades sirvam para unir aqueles que lutam pela mesma causa.
A Vida é uma estrada sinuosa.

Publicado por João Norte em 05:21 PM | Comentários (5)

julho 08, 2004

Saudades da minha Infância.

É certo que se não tivéssemos vivido não seríamos hoje aquilo que somos. Não seríamos nada. Ser alguma coisa, boa ou má, rica ou pobre, simples ou complexa, sábia ou ignorante, implica ter vivido.
Cada momento que vivemos deixou a sua marca, o seu traço, o seu caracter na escrita de cada página deste livro que é a nossa vida.
O passado, embora haja quem diga que não existe, o meu passado sou eu.
Não vale a pena arrependermo-nos nem querer voltar a trás. Não há movimento para trás. Não há retorno nem retrocesso, nem sequer podemos reduzir a velocidade, para descansar, fazer uma pausa.
Resta-nos esta maravilhosa faculdade da memória. É uma riqueza incalculável de que dispomos podermos evocar, na nossa mente, momentos distantes no tempo mas presentes em nós.
Como é bom poder estar hoje a ouvir música enquanto escrevo estas linhas e nelas vou registando, partilhando com quem vier a lê-las as lembranças da minha infância.
A quinta com os seus vales e outeiros, as cores, a multiplicidade de cores que o campo nos oferece, os animais que fazem parte da família, a frescura do ribeiro, a música da corrente, o chilrear dos pássaros, a luz de cada manhã de primavera, o silêncio das noites do campo apenas quebrado pelo estridular dos grilos. Os cheiros, os aromas da natureza, da terra, das plantas, das flores e dos frutos. O cheiro da noite, da terra húmida, do orvalho da manhã.
Lembro os livros que li. Não os livros nem os seus autores, nunca decoro o nome dos autores, o que eu lembro é o prazer que dava ler, às escondidas do meu pai, os livros que um amigo mais velho me emprestava. Aquela leitura escondida fazia de mim um ser importante, lia coisas que os outros não liam, corria a minha mente por tempos e espaços que eram só meus, falava com aquelas personagens como se fossem minhas amigas elas faziam parte do meu mundo.
Os primeiros amores, a perda da inocência, natural e pura como toda a natureza.
A Ernestina. Com que saudade eu lembro a Ernestina! Aquela manhã em que juntos almoçávamos pão com chouriço junto do ribeiro, à sombra dos salgueiros por onde a luz da manhã passava em reflexos de arco-íris.
A Ernestina era mais velha do que eu.
A primeira vez em que acariciei aquele tufo entre as pernas dela e senti o sangue pular-me nas veias e o meu pénis crescia e se tornava tão duro que me doía.
Ela mais esperta do que eu, já sabida, sentou-se em cima de mim e fez com que a penetrasse devagarinho, depois movimentando-se com arte, gemendo de prazer, soltando guinchos, revirando os olhos que eu pensei que ela ia morrer.
Os salgueiros rodavam por cima de nós e eu sentia-me louco naquela nova sensação, até explodir e ficarmos ambos a arfar de cansaço e de prazer.

Publicado por João Norte em 05:04 PM | Comentários (12)

julho 06, 2004

Hoje não consigo escrever.

Não consigo mesmo. Há demasiadas coisas na minha cabeça. E quando há demasiadas ideias baralham-se, não se arrumam. Acabou-se o futebol. E, embora não seja um entusiasta, não deixei de vibrar e ficar triste por não termos conseguido ganhar o final.
Entretanto o País continua suspenso duma crise política que não pedimos nem somos culpados mas em que aturamos os mais diversos disparates, desde um que fala como se já fosse primeiro ministro e não houvesse acima dele ninguém a quem deve respeito, a outro ( um alarve), mas que faz parte do mesmo partido, que nos agride os tímpanos com asneiras de fazer corar qualquer besta.
Apetecia-me falar de amor, de amizade, de carinho, de sentimentos de que o país anda tão parco, mas as mãos crispam-se, os nervos retesam-se as palavras faltam.
Àqueles que habitualmente me lêem e àqueles que por acaso aqui passam, um abraço fraterno. É bom sabermos que, ao nosso lado, do outro lado, no fio do limite espacial, há sempre alguém que lê as nossas palavras, que entende a nossa mensagem, que pensa e sente como nós.
A vida é uma estrada sinuosa que tem de ser percorrida com firmeza e esperança.

Publicado por João Norte em 05:26 PM | Comentários (12)

julho 05, 2004

Fui ao Encontro de Bloguistas.

Foi um encontre interessante. Um bom convívio, uma óptima recepção.
O meu obrigado aos colegas organizadores, o Xico Manel e o Luís Tata. Um agradecimento especial para o Sr. Presidente da Câmara do Alandroal que nos recebeu, nos ofereceu o almoço e nos acompanhou no colóquio. Homem simpático, sem vaidades, como parecem ser todos das terras alentejanas.
Foi bom ver como em terras de poucos recursos se fazem coisas interessantes. Foi bom visitar as vilas e aldeias brancas do Alandroal e os seus castelos, autênticos livros da nossa História.
Mas não foi só de história e de blogues que foi feita a visita. Foi, a quem pode ficar, oferecido um programa cultural de qualidade. Não posso deixar de referir a actuação das bandas filarmónicas e, sem desprimor para nenhuma, destacar a banda do Alandroal. Assisti à sua actuação. As músicas apresentadas e a qualidade de execução levaram-me a consultar o currículo do maestro António Alfaiate. Invejável! Destaco da sua vastidão “ colaborador da orquestra do Teatro S. Carlos, Orquestra Sinfónica, cursos em Bruxelas e na Suécia”.
Enfim, o meu agradecimento a todos.

Publicado por João Norte em 05:25 PM | Comentários (4)

julho 02, 2004

Senhor Presidente liberte-nos disto!

“Só aceitei ir para a Europa porque estava convencido que não haveria instabilidade política”

“ Eleições antecipadas serão anticonstitucionais”

Afirmações do Dr. José Manuel Durão Barroso.

Na primeira arma-se em ingénuo.
Na segunda faz chantagem.

Os portugueses disseram há 100 anos que queriam uma república e não uma monarquia.
Os portugueses disseram há 30 anos que queriam um democracia e não uma ditadura.

Já não somos um país de analfabetos. O que este Sr. está a querer fazer é passar um atestado de analfabetismo e menoridade política ao povo português. E, pior do que isso, é fazer chantagem com o Presidente da República.

Pelo respeito que lhe têm, e pelo respeito que o povo lhe merece, Senhor Presidente da República liberte-nos disto!

Publicado por João Norte em 03:23 PM | Comentários (11)

julho 01, 2004

Antes seis meses parado, do que dois anos a andar para trás


O José Pacheco Pereira, com a arguta inteligência que todos lhe conhecemos, traça hoje na sua crónica habitual do jornal O Público, com a clareza do diamante, a personalidade e o (des) governo autárquico de Santana Lopes. Não transcrevo, mas recomendo vivamente a sua leitura. Para quem não conhece ou tenha memória curta estão ali, pelo menos as megalomanias de Pedro Santana Lopes na Câmara de Lisboa pelas quais podemos fazer uma ideia do dinheiro dos contribuintes que tem sido desbaratado e do que nada tem sido feito.
Todos, mesmo muitos militantes do PSD, temos consciência do imbróglio em que a demissão de Durão Barroso colocou o País.
Porém, os defensores da “estabilidade” afirmam que havendo eleições antecipadas o país estará seis meses sem governo. Têm alguma razão, não toda. Sabemos que um governo de gestão é, por imposição constitucional e moral, um governo que não pode nem deve tomar medidas de fundo. Sabemos também que um novo governo leva algum tempo a pôr em prática o seu programa. Talvez isto somado coloque o país durante seis meses em marcha lenta.
Mas o que ninguém duvida, nem os seus correligionários, é que um governo de Santana Lopes ou outro que saia desta maioria será mais à direita e terá pressa, não em pôr o país a sair da crise, mas em continuar numa desenfreada delapidação dos bens públicos e na entrega às grandes seguradores tudo o que resta economicamente rentável.
Por isso, vale mais seis meses parado do que dois anos em acelerada marcha atrás.
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Publicado por João Norte em 05:07 PM | Comentários (5)