Foi hoje assinado o Tratado da Constituição Europeia pode ser um passo de gigante no caminho da liberdade nos povos que o assinaram.
No entanto, por cá parece que andamos para trás.
Continua a “ Novela” Marcelo. A maioria que pediu o contraditório recusa-se a deixar que a Assembleia ouça Marcelo.
Ao bloguista “ portugalprofundo”já foi confiscado pele PJ o computador e o blogue encerrado.
Vou fazer cópias dos meus ficheiros e esconder o portátil.
Será que os portugueses são da família dos caranguejos?
Falou, disse (parte não disse) acusou, desmentiu, esclareceu e avisou.
Se alguém tinha dúvidas ficou esclarecido.
Há uma ambição do governo em controlar os média. Não há coincidências. As aparentemente desajeitadas declarações do ministro, ao mesmo tempo que Pais do Amaral convida Marcelo a deixar de criticar o governo, fazem parte de um plano da responsabilidade de Santana Lopes.
O grupo Media Capital necessita dos favores do governo, é uma ferramenta à mão para o controlo de uma enorme fatia de todos os meios de comunicação.
Junte-se a isto (que já é muito) o afastamento do próximo congresso do PSD de pessoas que podem ser incómodas M. Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Marques Mendes, mais o órgão de propaganda do governo dirigido pelo mesmo ministro ( pau mandado).
Há mais.
As afirmações de Pais do Amaral sobre as hipotéticas pressões no tempo de Cavaco Silva prestam-se a muitas leituras ainda pouco claras, mas vêm reforçar a clareza de que tudo vem do primeiro ministro e da sua ânsia de conhecer e aplanar o caminho que o mantenha no poder ou ainda o leve a mais altos voos.
Uma coisa é certa; a liberdade de expressão e fiabilidade das notícias escritas ou faladas nos nossos media caminham para a miragem.
Onde estão hoje as fortes convicções que Durão Barroso defendia ontem?
Os deputados europeus vão começar a conhecê-lo.
Pode-se enganar muita gente durante muito, não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo.
Antes do resumo prometido no poste anterior, não posso deixar de expressar a minha apreensão
pelo que se está a passar com Durão Barroso.
Em Portugal, Barroso tinha meia desculpa. A ânsia de se manter no poder abrigava-o a aparceirar com Paulo Portas a Direita.
Agora na Europa, o que leva Durão Barroso a defender, com unhas e dentes, um comissário cuja mentalidade retrógrada e reaccionária ofenderiam os espíritos esclarecidos de Séc.XVlll.
Para onde quer levar a Europa, bastião das liberdades, igualdade e democracia, com a pasta da justiça nas mãos daquele capado mental que ultrapassa em atraso mesmo os sectores mais reaccionários da Igreja?
E pensarmos nós que Rocco buttiglione vai substituir o nosso António Vitorino.
Qual a diferença que Durão Barroso encontra entre Rocco Buttiglione e Sadam ? Será que existem muitas?
Antes de mais, o meu agradecimento a todos os que aqui deixaram os seus parabéns ao intro.vertido.
Voltando, as minhas desculpas por este interregno, o tempo não estica, a família absorve e a vida é complicada.
É difícil estar sem escrever, não só porque o vício mexe connosco, como também pela quantidade de assuntos que apetece falar e que é necessário não ficar calado.
Só do foro político há tanto para dizer que nos ocupa a mente, quase retirando espaço para pensar noutras coisas.
No mês de Outubro fizeram e fazem anos vários blogues dos que ainda se encontram mais activos. Alguém já chamou a 2003 o ano dos blogues. Vale a pena fazer uma curta reflexão porquê esta necessidade de escrever sentida por tanta gente?
Alguns apenas pelo gosto de escrever, a maioria pelo espírito de liberdade contrariado, pela esperança frustrada e pela necessidade de intervir numa sociedade em que parece haver, de facto, alguns limites à expressão, ainda que por formas indirectas e disfarçadas.
Um ano de “trapalhadas”, conflitos políticos e sociais, quer externos quer internos, que nos afectam a todos.
Vale a pena fazer uma pequena revista da memória que ficará para o próximo texto para que este não se torne maçador.
O intro-vertido faz um ano.
Quando comecei era uma brincadeira.
Foram mais de 230 entradas, mais de 760 comentários. Visitas não sei, não tenho estatística.
Valeu a pena? Outros dirão por mim. Juiz em causa própria não quero ser.
Porém, posso dizer que valeu a pena pelo “mergulho” no mundo fascinante da blogoesfera, pelo contacto com escritas e pessoas de excepcional qualidade.
Estabeleceram-se laços, encontraram-se formas de pensar, até se criaram afectos.
Participou-se na crítica a situações que não nos podem deixar alheios.
E é isso especialmente que me dá ânimo para continuar.
Um enorme abraço a todos que por aqui passaram e o meu grande agradecimento.
Ministro defende “limite à independência” na programação da RTP
Isto deu-me cá um arrepio!...
Não sou jornalista, sou apenas um cidadão (velho), expliquem-me os Srs. Jornalistas o que isto quer dizer.
Será que o meu arrepio tem razão de ser? Ou é apenas constipação antiga?
Cá para mim, eles vêm de mansinho, mas já começam a pôr a pata.
Continuo a pensar que, por vezes, apetece ser cego surdo e mudo.
Desligar o televisor, não ler jornais, não ver futebol, não saber o que se passa na Assembleia da República e, sobretudo, não ouvir ninguém deste governo.
Não há sossego para o cidadão que pensa.
Já há tempo escrevi neste espaço “ bem aventurados os pobres de espírito” não porque seja religioso e queira seguir os preceitos da Bíblia, mas porque, entre idiotas, só sendo idiota se pode viver em paz.
Já não nos chegava o espectáculo indecoroso do futebol, o discurso de Santana Lopes que acha que o resultado das eleições nas regiões autónomas quer dizer que “ o povo quer a continuação dos governos”
Agora, é o ministro dos assuntos parlamentares que, depois de chamar mentiroso a Marcelo Rebelo de Sousa, acha que existe uma “ cabala montada pelo Marcelo e pelos jornais Expresso e Público”. contra ele e contra o governo.
Mas até quando, ó Deus dos Deuses, nós temos de aturar “idiotas” destes?
Prostitutas que se prestam a tudo.
Quanto mais bonitas mais falsas, quanto mais pintadas mais ocas, quanto mais compostas mais vazias, quanto mais rebuscadas menos dizem, quanto mais meigas mais cortantes, quanto mais sedutoras mais infiéis, quanto mais prometem menos cumprem, quanto mais oferecem menos dão, quanto mais suaves mais ferem.
Já os Romanos disseram: “as palavras voam”
Voam porque nada as prende.
Quem emprega palavras bonitas não quer dizer nada com elas.
Talvez no início da linguagem tivesse uma relação com os actos!? Mas isso perdeu-se.
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gia..
Voltando à conversa, minha amiga e companheira de infância.
Sei que por vezes discordes de mim. É bom ter alguém que discorde. Dois pensam melhor do que só um e eu nunca tive a pretensão da verdade.
Já me tens chamado melancólico, saudoso de um passado que jamais poderia existir agora porque tudo muda, a evolução é constante.
Dizes-me que sou eu que vejo as coisas de forma diferente.
Não digo que não seja um pouco melancólico. É da idade. E sei tão bem como tu, como toda a gente, que a evolução não pára porque é a lei das coisas.
Eu não critico a evolução nem queria a estagnação, critico o mau caminho que lhe deram, porque alguém é responsável por esse mau caminho. A evolução não se faz por si. O tempo também muda as coisas, a vida renova-se naturalmente mas foi o homem que interferiu negativamente nessa caminhada.
Fez muitas coisas boas e é por isso maior o meu lamento. Atingimos um ponto de conhecimento que tanto desejávamos. Sabemos que as estrelas nascem e morrem, que para lá do nosso sistema solar há outros, procuramos indícios de vida noutros planetas e continuamos a destruir o nosso.
Não tenho saudades do velho carvalho que nos fazia sombra apenas por ele. Como ser vivo também ele estava condenado à morte inevitável. Mas aguentou firme tempos e tempestades sem vergar. Serviu-nos de abrigo.
Era firme e duro, como firmes e duros eram os homens que cresceram à sua sombra.
É a falta de firmeza que eu lamento, é dessa que eu tenho saudades.
Hoje os homens são como as palmeiras que importaram, vergam para qualquer lado que o vento os leve. Como as palmeiras sugam o terreno à sua volta matando outras formas e outras vidas.
A sociedade tornou-se mais tempestuosa, e já não há árvores que abriguem os mais fracos.
Há palhaços, acrobatas, malabaristas, contorcionistas, funâmbulos, cavaleiros, vendedores de pipocas, banha da cobra, pregoeiros e outros artistas.
Figurões entram e saem da sala dos espelhos vaidosos ou encolhidos conforme a figura que reflexo lhes prometeu.
Cavaleiros treinam já as corridas e os saltos de obstáculos. Malabaristas trocam entre si as bolas que voam de cá para lá, enquanto os funâmbulos tentam equilibrar-se no arame que os leve a outro trampolim.
O circo abriu as portas, os artistas afadigam-se na pista desordenada, enquanto o domador faz rugir ou calar as feras estalando o chicote.
As crianças olham gulosas as pipocas que o velho de óculos no nariz mexe dentro do caldeirão As mães contam os tostões para satisfazer a gula das criancinhas.
O chinês arruma vaidoso os seus brinquedos de guerra e faz alinhar os soldadinhos de chumbo.
Pregoeiros prometem novos remédios para mazelas antigas.
Os parolos, que pagaram bilhete, remexem as algibeiras procurando uma moeda para um copo de vinho que faça esquecer as agruras desta vida.
E o mestre de cerimónias mudou de palco e fala do outro lado da paliçada prometendo estar atento ás mudanças da feira e ao cumprimento das regras dos jogos.
Sem suspeitar que iria perder tão grandes investidas políticas, aproveitei a ponte e gozei quatro dias de descanso sem ler jornais nem ver televisão.
Ontem quando escrevi as poucas palavras “ quem disse que não havia censura” estava ainda pouco informado da questão.
Sejam quais forem as conversas de circunstância, sejam quais forem as tentativas de explicação que nos venham dar, sejam quais forem as palavras que acabem por sair da Presidência da República, há factos que já ninguém pode apagar.
Ninguém poderá apagar as palavras de um ministro do PSD que chamou mentiroso e sem vergonha a um comentador respeitado pelo público independentemente das opções políticas de cada um.
Isto é muito grave.
Grave porque vem da boca de um ministro que, pelo cargo que ocupa, devia ter contenção na língua. É ministro não é comentador.
Grave porque mostra a arrogância a que este governo, ou pelo menos alguns dos seus membros. Chegou.
Grave porque se trata de cortar o direito e liberdade de opinião.
Grave porque mostra a obediência política de um canal de televisão a um governo.
Se assim não fosse não teríamos as declarações públicas de homens como José Pacheco Pereira ou Marques Mendes. Se Pacheco Pereira é um comentador, Marques Mendes é um político refinado, sempre fiel aos interesses do PSD. Para que Marques Mendes tenha vindo a público é porque a “coisa” não se lhe afigura grave.
Não importa, por isso, que o primeiro ministro venha compor o ramalhete, foi um membro do seu governo que se sentiu com força e com “direito” de ofender um seu “ camarada” que não é uma pessoa qualquer, e para impedir assim a livre expressão crítica.
Preparem-se bloguistas maldizentes para vos mandarem calar.
Se eles já se mandam calar uns aos outros!....
Onde é que isto vai parar?...
Há dias disse que visitei a nossa aldeia. Que tudo estava mudado, tudo que pertencia ao nosso tempo, à nossa infância, à nossa memória, tinha desaparecido.
É o progresso! Dizem-me.
Não sei que conceito têm de progresso? Para mim não é progresso nem regresso. É o inverso. O inverso das valores em que nos criaram, o inverso das sensibilidades que se viviam, da paz e tranquilidade que se respirava, o inverso do convívio fraterno entre vizinhos. Agora não há vizinhos.
É insucesso.
Insucesso da sociedade nesta caminhada que nos envolve a todos e em cada um teima em caminhar sozinho, sem olhar sequer à sua volta nem se aperceber que, perdendo a amizade dos outros, perde todo o sentido da vida.
Viver é conviver. A frase não é minha mas eu sinto-a, aprendi-a com a educação que me deram e com o que a experiência me ensinou.
Ali a vida escorria nas nossa veias, por entre os nossos dedos, por entre a família e os vizinhos como a água corria no ribeiro.
Tudo fazia parte de nós. E nós éramos eu, tu, os nossos pais e avós, as pessoas vizinhas os animais e plantas em equilíbrio numa comunhão perfeita. Homens, mulheres e crianças cresciam e reproduziam-se com a Natureza.
Éramos livres como os pássaros que cantavam nas árvores que nos faziam sombra.
Havia paz, tranquilidade e respeito.
Havia por vezes pequenos desentendimentos, mas não me lembro de agressões, de mortes violentas, de destruição. Havia valores.
O respeito pelos mais velhos, o carinho pelas crianças, pelos animais e até pelas plantas.
Os nossos avós e os nossos pais eram analfabetos, mas não eram insensíveis.
Nós queríamos saber mais. Queríamos saber o que se passava para lá do nosso pequeno horizonte. Acreditávamos que aprendendo mais tornaríamos o mundo melhor.
Agora, que o meu horizonte é já maior que o planeta, eu quero ainda continuar a acreditar. A memória do teu carinho ajuda-me nesta crença que ainda me resta.