dezembro 31, 2004

Um voto de Ano Novo.

Fazer um balanço de 2004 perde todo o sentido perante as imagens da tragédia da Ásia que nos entram em casa pelas televisões.

Porém, talvez valha a pena olharmos para a ocupação costeira em todas as zonas ditas "turísticas" e pensarmos o que estamos a fazer e deixar fazer.

Talvez ainda valha a pena pensarmos como este planeta onde vivemos ainda está vivo e tem as suas leis apesar dos males que lhe têm feito.

Talvez valha a pena pensarmos que a Natureza tem forças contra as quais nada podemos.

Talvez valha a pena reflectirmos na nossa pequenez.

Uma palavra de esperança. Que 2005 seja mais calmo e mais pacífico.

Publicado por João Norte em 03:51 PM | Comentários (5)

dezembro 21, 2004

Bom Natal

Queridos amigas/os bloguistas, visitantes, leitores escritores e todos os outros UM FELIZ NATAL.
UM ANO NOVO À MEDIDA DOS VOSSOS DESEJOS.

Um abraço a todos.

Publicado por João Norte em 04:24 PM | Comentários (10)

dezembro 15, 2004

A Intrujice.

Depois de toda a palhaçada do acordodesacordo que é pré assinado mas não é pré válido. Isto é : é pré para pós. (já não sei, nunca vi intrujice maior, é superior á minha inteligência) restam-me duas dúvidas.

Se não é um acordo pré-eleitoral? Se cada partido concorre com as suas listas separadas?

Se o PS tiver mais votação do que o PSD, (Amem) sozinho, o Presidente da República terá de convidar o PS a formar governo.

Nesse caso para que serve o tal acordo?

Publicado por João Norte em 02:22 PM | Comentários (7)

dezembro 14, 2004

Os figos do Padre João

Na quinta do Padre João havia uma figueira que dava figos muito doces. Figos pretos, rachadinhos a que nós, os rapazes da aldeia, chamávamos pingo-de-mel. Não sei se tinha alguma coisa a ver com a espécie, nós chamávamos lhe assim por serem doces como o mel.
Além dos figos doces que produzia, a figueira tinha uma copa especial. Cresceu em forma de cogumelo com ramadas que se sobrepunha desde o alto até ao chão estendendo-se pela terra, formando como que uma tenda de índio.
Por fora os deliciosos figos amadurecidos pelo sol, por dentro uma sombra fresca quase impenetrável à luz. Um esconderijo eficaz contra olhos bisbilhoteiros.
Não faltavam na propriedade do meu pai figos de várias qualidades, mas os figos do padre tinham um gostinho especial.
Era difícil subir pelo tronco que era constituído por um emaranhado de ramos. Eu trepava pelas ramadas até ao cimo, sentava-me entre as folhas verdes e ficava saboreando os figos e gozando a sombra.
Além dos figos, de vez em quando, eu podia apreciar a sobrinha do padre, a Marília que tinha umas mamas roliças e dois olhos azuis como dois céus que prendiam os meus.
Como a Marília me parecia sempre bem guardada pelo tio, eu vingava-me, já que não podia comer a Marília comia-lhe os figos.
Até que um dia, estava eu sentado dentro das ramadas saboreando os figos, quando chegaram os dois, o padre e a Marília, de cesta no braço, conversando e rindo.
Apanharam alguns figos, sentaram-se dentro daquele espaço vedado das ramadas e a conversa passou a brincadeira.
As mãos do padre começaram a acariciar a Marília ao mesmo tempo que por ela ia distribuindo beijinhos, das faces passou às maminhas e destas mais para baixo. A Marília contorcia-se e dava risadinhas baixinho.
Depois o padre empurrou-a, levantou a batina e .....ui... que fungada, que gemidos, que ais tão gozados.
Eu lá em cima nem mexia um dedo para não interromper aquela cena me punha o sangue em brasa.
No auge da coisa, a Marília erguia o corpo com volúpia e revirava os olhos azuis. E aí deu pela minha presença. Mas eu já estava de dedo no nariz, fazendo sinal que não se manifestasse.
Ela aguentou. Também já não valia a pena parar e, depois, naqueles momentos, não há travões que parem a marcha.
Acabaram a colheita que lhe deve ter sabido muito bem, a fruta era boa e saíram rindo e sacudindo as roupas.
No outro dia, um pouco mais cedo, eu lá estava no mesmo poiso. A Marília apareceu, corada, calada, sem saber o que dizer, mas eu tratei de a pôr à vontade.
A minha boca não se abriria. Garanti. Mas!?......
Dali em diante, quem se abria eram as belas pernas da Marília para meu deleite e também dela.
Além de sugar os figos que só duravam o verão, eu sugava as maminhas da Marília que durava o ano todo.
Que belos figos criava a quinta do padre!

Histórias da minha infância

Publicado por João Norte em 03:02 PM | Comentários (6)

dezembro 13, 2004

Escrever por escrever ou não esvrever.

Escrever por escrever pode parecer uma ilusão, uma perda de tempo, consumo de energia, desperdício de imaginação.
Pode parecer discussão sem adversário, conversa sem assunto, sexo sem parceiro.
São palavras, só palavras, palavras perdidas, falar de loucos.
Mas não é.
Escrever é um exercício gratificante, sinal de vitalidade.
A procura das palavras, do sentido das palavras, a harmonia do texto é um exercício de construção, de escultor que modela a peça, de pintor que se matiza nas cores.
Escrever é o jorrar de uma energia que não pode ser contida.
Quem escreve vira-se do avesso, exterioriza o que lhe vai na alma, na memória, nos sentidos. Coloca na escrita, ainda que não pareça nem ele tenha disso consciência, pedaços de si próprio, partículas do seu eu que, ao longo da vida, foi construindo.
Cada frase é parte do seu todo, cada letra é uma gota do sangue que lhe corre nas veias.
Escrever como simples exercício pode ser interessante, bonito estimulante pela capacidade de escolher as palavras, organizá-las numa frase, dar-lhe sentido, estabelecer as suas relações, aplicar o adjectivo que melhor caracteriza o sujeito, utilizar o verbo que melhor descreve a acção, dar cor ao texto, dar-lhe som, musicalidade, imprimir-lhe convicção, apelo ou imposição, ordem ou súplica, blasfémia ou oração.
Cada texto é um grito, uma rotura com a solidão, uma brecha na muralha que a vida construiu à nossa volta.
É um brado de liberdade, liberdade de fazer o que não lhe pedem nem lhe mandam fazer.
Pode não atrair muitos leitores, pode não agradar a parte deles, mas é obra, é criação.
Cada um de nós é feio ou bonito, mas todos somos gente.
Ainda ninguém deixou de fazer um filho por pensar que pode sair feio.

Escrever por escrever é melhor do que não escrever.

Publicado por João Norte em 05:19 PM | Comentários (6)

Na hora da saída repito a entrada

Desabafo fora d'horas.
Que serenidade de homem de estado apresenta o nosso novo primo/ministro.
Primo, irmão ou filho. Filho do ou da? Não sei e não afirmo.
Mas que palavras doces, que pose bem estudada, que cabeça bem penteada e cheia de ideias.
Os amigalhaços todos em fila como filhos bem comportados, vão ao paço da monarquia.
Ele é primogénito, aquele que herda.

E este País é uma Merda!


Publicado por João Norte em 12:38

Publicado por João Norte em 12:43 PM | Comentários (2)

dezembro 11, 2004

Que falta de gratidão!

O vice do PSD e político experimentado e sabido, Dias Loureiro de quem não razões para duvidar, veio agora esclarecer-nos que, já há tempo, tinha aconselhado Pedro Santana Lopes a demitir-se. ( Olha lá ó Pedro eu acho que isto não vai lá), (palavras dele) e Pedro Santana Lopes teria concordado.

Então e quando o Sr. Presidente da República resolve pôr travão ao carro que vai sem governo, vêm todos, sem modos nem vergonha, clamar “que tudo vai bem; que o Sr. Presidente é caudilho; que se abriu um precedente” etc etc, num choradinho de cigana de feira que, se mais não houvesse, seria suficiente para os mandarem caçar bambuzinhos, em vez de dizerem; “muito obrigado Sr Presidente, nós não percebemos nada disto”.

É preciso ter lata!

Publicado por João Norte em 06:17 PM | Comentários (3)

dezembro 09, 2004

As Palavras de Morais Sarmento

Já tenho muitos anos. Alguns vividos antes do 25 de Abril. Não foram muitos, mas já tinha idade e estava atento.
Já ouvi todo o tipo de políticos. Os cínicos do antigamente, os revolucionários do 25 de Abril, os democratas dos últimos 25anos.
Belos discursos quais Cíceros, longas e sinceras promessas tal noivas enamoradas, verborreias desenfreadas de maledicência alheia.
Julgava já ter ouvido de tudo na boca dos políticos.
Enganei-me!
Faltava-me ouvir S. Ex.ª o Sr Ministro Morais Sarmento.

Com políticos destes não admira que os espectáculos de circo estejam em decadência.

Publicado por João Norte em 05:22 PM | Comentários (5)

dezembro 04, 2004

O teu fato de Boneca

Da janela do meu antigo quarto, na casa dos meus pais, avisto o terraço daquela que era a tua casa.
Há ainda arames estendidos onde em tempos secavam as tuas roupas. Serão os mesmo? Fisicamente não deverão ser. O tempo passou e nem o metal resistiu à sua força transformadora. Mas eles estão lá, não importa se são os mesmos ou substituídos por fios de plástico. A importância desses fios é muito mais do que a qualidade da matéria física de que são feitos. A importância desses fios são as lembranças que nos trazem. Outros fios que eles puxam, nós que se desatam da nossa memória.
Por eles ocorrem imagens e sons aos nossos sentidos como a antena capta do éter imagens e sons e os coloca no ecrã do televisor, bem na nossa frente, dentro da nossa casa, no nosso espaço mais íntimo, como se fizessem parte da nossa vida, da nossa família, de nós próprios.
As imagens que correm naqueles fios estendidos no terraço da tua casa, essas sim, fazem parte de nós, são partículas deixadas para trás no redemoinho do tempo e do espaço das nossas vivências.
São coisas vivas, moléculas do nosso ser, tecidos dos nossos órgãos com que fomos crescendo, experiências que se foram acumulando. Agradáveis e intensas as que melhor lembramos, mais simples as que foram esquecidas, umas livros carinhosamente forrados que se guardam nas prateleiras do nosso quarto, outras simples papéis perdidos no fundo das gavetas. Esquissos de uma história que se foi escrevendo com amores, paixões e desilusões, umas vezes como heróis, outras pela força das circunstância; umas vezes gozando as delícias da nossa juventude, outras vertendo lágrimas que foram sedimentando no nosso coração.
Recordo com especial saudade o vestido de flores que vestias no primeiro dia de aulas e que tu penduravas junto com os vestidos da tua boneca. Naquele vestido de flores que esvoaçava ao vento eu via dançar as doces formas do teu corpo de quinze anos.
Como eu lembro o teu fato de boneca!

Publicado por João Norte em 02:43 PM | Comentários (7)

dezembro 03, 2004

Tenho pena do Pacheco Pereira.

Sempre considerei o José Pacheco Pereira um homem inteligente e muito culto. Alem disso, é um bom pensador, rápido na resposta e que escreve muito bem.
Nem sempre concordei com ele. Alem de eu não ser tão saltador como ele que, na sua perspicácia, consegue ver à distância onde estão os seus interesses e colocar-se na frente e assim passou de extrema esquerda para a Direita. Mas isso também são consequências da imaturidade juvenil que entretanto passaram.
Por vezes tenho pena dele.
Pena por vê-lo ser tão teimoso e, como todos os mortais, falhar nas suas “análises” e palpites.
Tive pena dele quando, teimosamente, defendia a autoria da ETA nos atentados de Madrid.
Tenho pena dele agora.
Tendo sido um dos que, sem rodeios, apontou a inqualificável capacidade de Santana Lopes para governar o país, tenha sido esse mesmo processo que o afastou de lugares importantes.
Tenho pena dele porque sendo o primeiro a clamar pela volta do “D. Sebastião” Cavaco, este fique sorrindo, com aquele sorriso espalha gafanhotos, que está muito bem fora da vida política.
O Cavaco nem sequer se deu ao trabalho de gastar muita pólvora, como o pato já voava de asa ferida por tanta pancada nas árvores das asneiras, limitou-se a dar o último tiro. Agora fica à espera de poder entrar na fotografia grande. Se vir que não tem hipótese ficará no seu sorriso, lembrado como o messias que não voltou, adorado pela sua tribo até ao juízo final.
E o Pacheco?
O que vai fazer o Pacheco nesta humilhação PSDista que se avizinha?

Publicado por João Norte em 09:22 AM | Comentários (6)