janeiro 31, 2005

Brincando.

Como é que os portugueses hão-de provocar menos acidentes?!

Vem um político e defende que deve haver um “choque fiscal”
Vem outro e diz que deve haver um “ choque económico”
Vem um terceiro propõe um “choque tecnológico”
Vem um quarto e rebusca do baú um “ choque de valores”

Vai tudo de choque em choque.

Publicado por João Norte em 03:18 PM | Comentários (1)

janeiro 28, 2005

A diferença

A diferença entre o Prof. Freitas do Amaral e a direita é uma questão de inteligência.
Pensar e dizer que o prof. Freitas do Amaral é de esquerda é uma parvoice. Outras afirmações são do momento.
O professor é, e sempre foi, um homem da direita, mas é inteligente e patriota e, neste momento, todos nós temos de votar com inteligência.

É natural também que o prof. Freitas do Amaral se sentisse mal junto com a direita que concorre a estas eleições.
É bom exemplo para nós todos.

Publicado por João Norte em 04:01 PM | Comentários (4)

janeiro 26, 2005

Um mês depois.

Passado um mês temos uma noção mais exacta da tragédia provocada pelo maremoto na Ásia. 280 mil mortos e há ainda desaparecidos por contabilizar é, sem dúvida, um número impressionante que não podemos esquecer, nem isso nos é permitido porque as imagens que os acompanham continuam a entrar-nos em casa.
É, de facto, uma tragédia que nos obriga a participar no auxílio aos sobreviventes e a pensar no que seria possível fazer para evitar tão grande mortandade.
Todos nós nos sentimos impotentes perante a Natureza cuja força e vida própria esquecemos na nossa relação com o Planeta.
Todavia, se neste tipo de tragédias pouco poderemos fazer, outras ocorrem pelo mundo que, só porque não aconteceram de rompão mas vão acontecendo, pelas quais podíamos e devíamos fazer mais. No maremoto morreram 280 mil pessoas, no Iraque desde da invasão americana morreram 500 mil e no Sudão e outras partes do mundo muitas dezenas de milhares. E todas estas não têm como causa a natureza incontrolável mas a mão do homem. Será talvez por isso que os média não lhe dão tanto relevo, ou as imagens são menos apelativas às audiências?
E as mortes pela SIDA ou nos acidentes de automóvel? Será que estas, pelo seu quotidiano, deixaram de nos impressionar? Ou o homem deixou de ter responsabilidade e medo pelas mortes que ele próprio causa e apenas teme a natureza, embora também não a respeite.

Publicado por João Norte em 03:01 PM | Comentários (0)

janeiro 25, 2005

Regresso

Antes de mais, o meu muito obrigado a todos que por aqui passaram e deixaram os seus votos de melhoras.

Depois de uma semana com a família toda metida na cama, parece que tudo começa a regressar ao normal. A filhota regressou à escola e os pais também.

Com esta situação não houve capacidade de escrever, ler ou sequer ouvir as notícias. Só ontem vi e ouvi um pouco dum inflamado discurso do (ainda) primeiro ministro. O homem já mete dó, basta olhar para a cara dele para vermos o sofrimento que lhe vai na alma. Numa coisa merece admiração: não desiste. Mas, depois da incubadora, das cicatrizes das facadas nas costas, da casa apedrejada, agora quer que o Presidente da República obrigue o adversário a discutir com ele.

Ouvi também o Dr. Bagão Félix chamar neonazi ao Francisco Louçã. Uma maravilha esta campanha, que se queria digna.

Acho que a melhor atitude ainda tem sido do PS, tem prometido pouco e mantido alguma calma. O povo está farto dos “ falabaratos”.

Publicado por João Norte em 10:07 AM | Comentários (3)

janeiro 20, 2005

Nesta casa entro um bichinho tão pequenino que ninguém o viu, tão quenino que ninguém o vê, mas tão mau que deitou todos à cama.

MALDITO VÍRUS DA GRIPE.

Publicado por João Norte em 09:31 AM | Comentários (8)

janeiro 16, 2005

Onde estava Deus.

Passado todo este tempo sobre a catástrofe do maremoto que vitimou cerca de 200 mil pessoas e arrasou enormes extensões, umas turísticas outras de simples pescadores, só agora que as imagens da desgraça deixaram de entrar em casa sempre que se ligava qualquer canal de televisão, sinto que vale a pena escrever sobre o assunto.
Já tinha incluído nos votos de Ano Novo umas linhas sobre aquilo que penso nos devia fazer reflectir.
Como bloguista entendo que este espaço, tenha poucos ou muitos leitores, só pelo facto de estar no ar, tem um dever que vai muito para lá do divertimento ou da crítica política.
Entre os muitos textos e artigos de jornal que se escreveram, destaco um, não pela sua grande qualidade, mas porque nos mostra como ainda continuamos a pensar e a atribuir fenómenos naturais à boa ou má vontade de Deus, mesmo quando mandamos satélites e recebemos fotografias de Titã.
Sem pretender criticar a fé de alguém, acho que é tempo de pensarmos que já ninguém desconheço que o Planeta continua vivo, com o seu interior em magma, que os continentes se deslocam e as placas da crosta flutuam sobre o interior fervente e, por isso, inconstante.
A primeira conclusão a tirar deste fenómeno é positivo, o Planeta está longe de morrer por arrefecimento. Que toda a crosta é instável e que a realidade geográfica de hoje pode não ser a de amanhã.
A segunda é que qualquer ponto costeiro está sujeito a situações idênticas.
A terceira é que cabe ao homem a responsabilidade de não ter respeitado essa realidade, construindo em qualquer lado, muitas vezes com intuitos de lucros fáceis. É tempo de o homem assumir as suas responsabilidades em vez de esperar a protecção divina para as suas asneiras e culpar o Deus por tudo que acontece.

Publicado por João Norte em 05:02 PM | Comentários (7)

janeiro 15, 2005

O tamanho do Horizonte

Quando eu era um menino quase em idade escolar, passada a fase ingénua dos” porquês” e chegada a fase da curiosidade pelas coisa próximas e longínquas, o meu horizonte era enorme para o meu conhecimento e bem pequeno no espaço que se admitia existir.
A linha do horizonte mais distante que eu conseguia alcançar, subindo o monte mais próximo da casa dos meus pais, era um azul de vários tons em que se desdobrava o Oceano e um azul enevoado da serra. Dum lado ao outro não iam mais de 50 quilómetros.
De nada valia perguntar aos meus pais, analfabetos, o que ficava para lá daquelas linhas que tapavam a minha vista. Também não sabiam e, a única diferença entre nós era que, a mim, algo me espicaçava a curiosidade e a eles não.
Os jornais não chegavam à minha aldeia nem lá faziam falta porque ninguém os sabia ler. A rádio era coisa rara e dela apenas a música era ouvida e “entendida” porque os sons não precisam explicação para serem agradáveis.
A televisão, falava-se que iria existir, que existia na América. Era assim um rádio com bonecos como o cinema. E mais não se sabia.
Os olhos das pessoas estava focados na terra que os alimentava. No Universo ficavam as estrelas que Deus tinha criado para nos alegrarem as noites. Tudo para lá do mar e da serra era mitos, contos de fada, fabulações à medida da imaginação ou da ignorância de cada um.
Veio a electricidade e iluminou as estradas e as casas, veio depois a televisão e mostrou o Mundo para lá da serra.
Depois, muito depois, ainda os meus pais viram incrédulos imagens do homem na Lua.
Hoje, pouco mais de 50 anos passados, eu assisto sem qualquer espanto às imagens das galáxias e da superfície de Titã, como se da coisa mais natural se tratasse.
Penso nos meus pais e ainda mais nos meus avós. Como iriam eles assistir a estas imagens?
Por muitas guerras, muitos erros que tenhamos passado nos últimos 60 anos, podemos considerarmo-nos bafejados da sorte por termos vivido neste período.
Os jovens não sabem quanto isto vale.

Publicado por João Norte em 03:00 PM | Comentários (2)

janeiro 13, 2005

Enquanto Escrevo

Oiço a minha mãe que no canto da cozinha descasca as batatas que serão o nosso jantar. Não consigo olhar nos olhos dela porque me fala da vida. A vida que foi dela. A minha vida é ainda muito curta, não tenho histórias para contar. Tenho vivências intensas que vou guardando na memória e imagino o meu futuro. Pego no lápis de carvão, no caderno e vou escrevendo. Oiço as palavras da minha mãe, mas não escrevo as palavras da minha mãe. Ela fala-me de vivências dum outro tempo, de pessoas que eu não conheci, como se pretendesse que a sua memória se perpetuasse na minha memória. É uma exigência que os pais fazem aos filhos.
Não olho nos olhos da minha mãe. Há em mim uma necessidade de fugir, de não olhar aquele ventre, que parece querer reter-nos para sempre.
Os meus olhos estão nas palavras da minha escrita. Nos olhos dela passam imagens de um passado concreto que eu não vivi. Nos meus olhos passam imagens que eu invento, passam palavras que escrevem sonhos. A minha vida está no sonho.
Oiço as palavras da minha mãe que passam na minha frente e parecem fugir num espaço que não me pertence. Mas eu escuto-as.
Ela apercebe-se que eu não olho os olhos dela e fica magoada.
- Porque não me olhas quando falo contigo?
- Estou a escrever mãe.
Respondo como se a escrita fosse uma resposta à minha mãe. A escrita é minha, e eu vivo nas palavras da minha escrita. As palavras são o meu refúgio. A escrita é o meu lego em construção. A minha atenção parece estar toda naquela construção dum futuro imaginado onde não entravam as histórias da minha mãe. Mas eu estou a escrever com palavras que foram da minha mãe. Não serão aquelas que ela vai dizendo naquele momento, mas seguramente outras ditas noutros momentos, talvez em momentos de que eu não tive consciência.
Hoje, na solidão desta escrita, eu escrevo as palavras da minha mãe. E, se pudesse, queria contar-lhe histórias do meu passado, as minhas histórias. Talvez as minhas histórias pudessem ensinar a minha mãe uma vida diferente, melhor do que aquela que ela viveu e me transmitiu nas suas histórias. Como se pudesse, agora, ao contrário, perpetuar o meu presente no passado dela e, juntos, imaginarmos um futuro e construirmos outro lego a quatro mãos.
Ou então, em vez de contar uma história, descontá-la. Isto é, escrevê-la de marcha atrás. Talvez fizesse sentido. Mais sentido do que aquelas que eu escrevia imaginando o futuro. E, de certeza, a minha mãe entenderia esta história.
E agora, os meus olhos estão nos olhos da minha mãe guardados na minha memória.

Publicado por João Norte em 10:23 AM | Comentários (7)

janeiro 12, 2005

Assunto Sério

Os Verdelhões fantasmas.

Esta história é perfeitamente real.
Vou tentar contá-la com a melhor clareza que a minha memória permitir.

Tinha eu uns oito ou nove anos, o meu primo um pouco mais velho ensinou-me a fazer uma armadilha para apanhar pássaros.
Muito simples, uma espécie de meia caixa feita de cana, com uma verga que servia de mola, sobre a qual um pauzinho mantinha a armadilha levantada. Punham-se grãos de trigo lá dentro e os pássaros, para entrarem, pulavam para cima da verga, esta cedia e a armadilha caía fechando a saída.
É um pouco complicado para as pessoas urbanas, muito simples para aqueles que foram criados no campo, perceberem o que estou a dizer. Por isso adiante.
Na quinta onde fui criado havia ainda a eira, recinto cimentado onde se fazia a debulha e seca dos cereais.
À volta dos muros da eira havia sempre restos de palhas e alguns grãos que ficavam juntos.
De inverno eram aos bandos os pássaros especialmente verdelhões, que ali vinha procurar a comida que não encontravam nos campos.
Colocava-se a armadilha com uns bagos de trigo lá dentro, bem visíveis, e era vê-los aos grupos a saltar para encher o papo. Quando um se empoleirava na verga que servia de mola, lá ficavam alguns, por vezes 6 ou 7 e, ao fim do dia, podia ter umas dezenas.
Eu não gostava de matar os pássaros, aliás nunca os matava, brincava com eles e depois largava-os.
Houve um dia que apanhei muitos, e não sei porquê resolvi metê-los numa gaveta da mesa da cozinha e fui brincar. Uma empregada lá da casa que fazia as limpezas, andava lá nas suas tarefas, abriu a gaveta e levou com uma nuvem de pássaros amedrontados a esvoaçarem-lhe na cara.
A pobre ignorante que acreditava em fantasmas e almas-do-outro-mundo, foi a correr junto da minha mãe dizer que estava a cozinha cheia de fantasmas e almas penadas transformadas em pássaros, que eram pássaros do inferno, que não queria mais trabalhar ali.
Por mais que eu lhe dissesse que eram simples verdelhões, que eu tinha apanhado, que tinha sido eu que os metera na gaveta, a mulher nunca acreditou. Ninguém a convenceu a continuar o trabalho, e penso que morreu a pensar nas almas penadas transformadas em pássaros.

Publicado por João Norte em 09:12 AM | Comentários (3)

janeiro 08, 2005

A (não) colocação de professores

A (Não) - Colocação de Professores custou 1,8 milhões de Euros. Aí valentes. Pobre povo que paga e atura isto tudo.

Um ano de trapalhadas e mentiras de não colocação de professores, de retirada ilegal de professores dos lugares a que tinham direito, de não haver destacamentos e, por isso, desfazer família atirando um dos conjugues para centenas de quilómetros de distância, da perda de um mês de aulas para milhares de alunos sem professores, dos espectáculos confrangedores de pais a reclamarem professores para os filhos. Depois de tudo isto e muito mais, sabe-se agora que o processo que deveria ter custado 200 mil Euros custou 1,8 milhões, e ainda sabemos que existem indícios de ilícitos no processo.
Mas soubemos antes que o inquérito estaria classificado de “confidencial” e só a pressão dos deputados o fez vir a público.

Apenas perguntamos:
Quem vai responder criminalmente por tudo isto?
Quem devolve aos contribuintes o que pagaram a mais?

É bom que em 20 de Fevereiro não nos esqueçamos disto

Publicado por João Norte em 05:20 PM | Comentários (1)

janeiro 05, 2005

As artes de Santana


Santana Lopes informou-nos há dias que , como substituto do Durão, não podia fazer a sua política, mas agora ia fazer a campanha da sua política- a sua política!

Ora, sem dúvida! Ele agora está a mostrar mais claramente ainda o seu estilo, a sua campanha, a sua política. – atrapalhada – o dito por não dito – a falta de coerência.

Para quem tinha dúvidas, aí tem o “caso Pôncio”

Na Bíblia havia um Pôncio Pilatos que traiu Cristo lavando as mãos das suas responsabilidades.
Ora o Santana fez muito mais. Começou por querer afirmar a sua autoridade no Partido e a sua fidelidade ao amigo Pôncio.
Acabou pior que Pilatos que não quis impor a sua autoridade nem se fez amigo de Cristo.

Na Bíblia houve um Pôncio Pilatos que traiu um Santo.
No PSD há um Santana que traiu um Pôncio.

Mudam-se os temos.


Publicado por João Norte em 09:20 AM | Comentários (0)

janeiro 04, 2005

Recomeço

Pronto.
Virada mais uma página do calendário. Cortada mais uma fatia do tempo para que possamos colocarmo-nos nesse ilimitado que nos baralha voltemos à realidade quotidiana.
Fazendo um esforço para abstrair, nos momentos em que a gula de audiências das televisões não nos metem nos olhos sempre as mesmas imagens duma tragédia que nos magoa e nos trona muito pequeninos, voltamos ao nosso peque espaço.
Muita coisa se passou já nestes poucos dias de 2005 neste espaço de participação chamado blogoesfera.
Estou atrasado e não venho prometer grande actividade aqui no intro.vertido, há outras preocupações na vida que se impõem com mais força de exigência, mas irei aparecendo e comunicando.
O tempo que se avizinha promete muito que comentar e mais ainda que pensar e decidir neste rectângulo que nos deram por País.

Saúdo todos os companheiros bloguistas e todos os leitores, e a todos desejo, mais uma vez, um grande ano que melhor e faça esquecer as “misérias” de 2004.

Estamos em plena campanha eleitoral. Vai ser como todas as outras um chorrilho de promessas de que estamos fartos, mas não podemos por isso de ficar atentos. Somos obrigados por dever, direito e necessidade a participar.


Publicado por João Norte em 11:00 AM | Comentários (3)