maio 31, 2005

Alguns amigos perguntam o que me aconteceu, se estou doente, e até o Fernando Esteves da “Escrita Ibérica” que, inalterável, continua sempre com a sua bela literatura, se admirou de eu estar 5 dias sem dizer mal do governo.
De facto, aprendi com o meu pai que o primeiro dever do cidadão é criticar o governo. Só que não sei por onde começar. O nosso Primeiro Ministro faz-me lembrar (sem ofensa) um soldado montado na sua metralhadora, encurralado no meio do inimigo, que desata a disparar para todos os lados. Todos menos para cima, para aí faltou pontaria, ou as munições eram de pequeno calibre.
Os portugueses parecem conformados, todos temos a consciência de que “a coisa está má” eu sou o primeiro a concordar com algumas medidas mesmo aquelas que me tocam à porta, outras, mesmo não sendo economista ou político, duvido da sua eficácia.
O aumento do IVA pode trazer alguma receita aos cofres do governo, mas o aumento da fuga e a quebra da economia que vai causar, possivelmente anulam o aumento da taxa. Esta é a 1ª de que discordo.
O aumento de taxa e de escalões do IRS vai penalizar os que sempre pagam, aqueles que trabalham por conta de outro que não podem fugir. Os outros fogem ao montante e logo também às taxas. Não sei se a taxa única não seria mais solidária.
As medidas de controlo ficam muito aquém do que é necessário. Nos grandes lucros da finança não se tocou. O sigilo bancário continua.
Concordo com a igualdade de direitos e deveres de todos os trabalhadores, sejam da função pública ou privada. Mas, e os trabalhadores por conta própria? Advogados, médicos etc, etc, qual a taxa, o quantitativo e o controlo?
E os luxos? Carrões, barcos e outros luxos? Vão ter de ser declarados ou fica-se à espera que o vizinho vá à internet espreitar?
E as penas para quem fugir e para os burlões? São penhorados imediatamente, são presos, ou continuam a ser mais casos( Vale Azevedo, Isaltino, ADSE, farmácias e outros) à espera que prescrevam?

Voltarei.

Publicado por João Norte em 03:36 PM | Comentários (1)

maio 30, 2005

Regressado.

5 dias de férias que fizeram muito bem. Mas há obrigações que não se compadecem.

Evitei os jornais, mas posso adivinhar que durante dias só falaram das medidas do governo. São duras! Não sei se algumas são justas. Voltarei a falar disso.

Para este curto período de férias levei dois livros: “mil e uma pequenas histórias” de Luís Ene, e “ Pagar Para Ver” da Ana Roque, estimados membros desta família bloguista.
Não houve tempo para ler muito, ambos são para ler e saborear. Por isso, só um pequeno apontamento.
As mil e uma histórias do Luís são pequenos/grandes encantamentos que fazem lembrar o avô ( de quem o teve claro) isto sem ser pejorativo pelo contrário, ele é um jovem de uma imaginação imensa e um nato criador e contador de histórias.
Pagar para Ver da Ana, são textos de Ler e Pensar. Uma linguagem riquíssima, um pensamento organizado, cada texto uma lição de filosofia.

Quem não adquiriu ainda vá comparar. Mas não queira ler a correr, leia e releia.

Publicado por João Norte em 02:49 PM | Comentários (3)

maio 24, 2005

Férias

Minhas amigas e amigos este bloguista vai fazer uma semaninha de férias antes que as notícias que aí vêm lhe tirem o dinheiro e o apetite.

Um abraço a todos.

Publicado por João Norte em 10:55 AM | Comentários (6)

maio 23, 2005

Encontro de Blogues.

Com algum atraso, mas não com menos afecto e satisfação, aqui venho lembrar o encontro de Blogs na Planície em que tive o gosto de participar.
Belo grupo, todos recebidos pela hospitalidade alentejana do João Espinho, a enorme simpatia da esposa e a graça das filhotas. Uma família inteira a receber com sabem fazer os alentejanos.
Belo almoço, servido em louça de barro que deixou a minha mulher encantada.
Cavaqueira, reencontro de uns, conhecimento de outros, conversas cruzadas.
Uma bela sobremesa, o grupo folclórico da Cabeça Gorda com os Cantares Alentejanos, (cultura).
Lá encontrei o Paulo Querido e a esposa Ana Roque do Modus Vivendis ( simpaticíssima), uma conversa à volta de livros.
Uma exposição de fotos daqueles que buliram com a experiente mira do João.
Uma tarde bem passada, embora com pouco tempo, ainda deu para reparar em algumas relíquias medievais de Beja para revisitar quando houver mais tempo.
Um abraço a todos.
Obrigado João.

Publicado por João Norte em 11:47 AM | Comentários (3)

maio 19, 2005

Semana do Caneco!

Tem sido uma semana de dar cabo dos nervos.

Política: O governo atolado na lama que os outros deixaram não descola nada que se veja.

Paira a ameaça de novos impostos, as falências e o desempregam aumentam, a economia afunda-se.

Ficámos a saber que alguns dos anteriores ministros era mais vígaros do que aquilo que já sabíamos. Que são os BES e etc que sugam esta quinta, onde nós pagamos tudo.
Será que algum vai ser julgado e o dinheiro que receberam reposto? ( pergunta tola esta)

Ensino: Os resultados das provas de Aferição mostram o que já se sabia – os alunos não sabem.

O José Pacheco abre o voto ao não para constituição europeia, quando a sua obrigação de intelectual informado, comentador pago, ex- eurodeputado, era explicar porque se deve votar sim ou não, quais as vantagens e desvantagens.

Para cúmulo o Sporting perdeu.

Que semana!.....

Publicado por João Norte em 06:22 PM | Comentários (1)

maio 13, 2005

Respeit pela vida.

"Respeito pela vida até à morte" D. José Policarpo.

Gostei.

Só não disse porque não se respeitam os mortos, nem quando é que a vida começa, nem a que morte ou a que vida se refere.

Uma semente de feijão é vida, o feijoeiro é mais.

Um espermatosoide é vida. Um cidadão é mais.

bla...bla...bla... todos sabem dizer. Esperava mais deste nosso ilustre (sem ironias) cidadão.

Publicado por João Norte em 06:16 PM | Comentários (3)

maio 11, 2005

Legalidades & Equívocos.

Os terrenos pertença da Companhia das Lezírias (entidade pública) passa para as mãos do grupo capitalistas Espírito Santo, por despacho de um governo de direita. :- tudo legal- dizem eles.
O governo socialista revoga o despacho anterior. ( a direita aguarda)
O novo governo de direita PSD+ CDS aprovam o abate de mais de 200 sobreiros de grande porte, árvore classificada e de abate proibido, e a construção de um condomínio de luxo. Este condomínio de luxo é considerado pelo ministro da direita “de manifesto interesse público”(devia ser para albergar os sem abrigo de Lisboa). (esta é minha)
Entretanto os sobreiros vão sendo abatidos. (um dó).
O actual governo socialista trava novamente o processo, por não haver qualquer interesse público num condomínio de luxo privado.
Os responsáveis do CDS são chamados pela PJ para esclarecimentos.

Um Equívoco!... diz o CDS.

Quem não estava nada equivocado era o grupo capitalista Espírito Santo.
POBRE PAÍS!....

Publicado por João Norte em 02:25 PM | Comentários (2)

maio 09, 2005

Que ninguém esqueça!

Aqueles que já eram vivos que não esqueçam. Os que nasceram depois que aprendam.
Para que não volte a repetir-se ninguém esqueça. Há 60 anos terminava a Segunda Guerra Mundial. Em que alguns seres humanos ganharam foros de selvajaria.
Os que não conhecem, é bom que estudem, e acreditem, foi pior do que as estatísticas e os manuais de história narram.

Publicado por João Norte em 02:26 PM | Comentários (3)

maio 06, 2005

Eu sinto-me mal.

São muitos os loucos.

Não faltam, infelizmente, assuntos em que pensar neste pobre país em que vivemos.
País pobre, de 900 anos de história, com estatísticas que nos colocam a par daquilo que se convencionou chamar terceiro mundo, mas onde alguns sem escrúpulos sugam até ao tutano o que ainda há para sugar.
Parecem serem insaciáveis de poder e, com ele, acesso a grandes negociatas, num frenesim de enriquecimento desavergonhado. O barrete é para quem serve, e basta estar atento aos candidatos às autarcas para encontrar os apontados.
Somos um país de extremos, um povo de loucos.
Se a uns sobra astúcia, a outros falta o mínimo de discernimento para uma vida digna, mesmo que pobre. Diz o povo que o mais pobre é pobre de juízo.
Há à nossa volta tanta miséria que nos faz dó e revolta ao mesmo tempo. Muitas das pessoas que cruzam connosco, aparentemente normais, são loucos.
São loucos aqueles a quem o poder e o dinheiro nunca são suficientes para saciar a sua ambição. São loucos os pobres que torturam e matam os filhos, coisa que não fazem os próprios animais selvagens.
E eu pergunto.
- Onde estão os organismos responsáveis?
- Onde tem estado os governos que deviam ser uma entidade que punisse uns, educasse e apoiasse os outros?
- Onde está a responsabilidade de cada um de nós?
- Como nos sentimos cada um no seu lagar mais ou menos responsável?
- Eu sinto-me mal. E você?

Publicado por João Norte em 06:59 PM | Comentários (2)

maio 04, 2005

Um Lamento

Os nossos pés desnudados deixam na areia húmida a marca magoada do nosso caminhar penoso. A tua mão prende-se na minha sem alento, simples ligação exterior porque, por dentro, passeiam outras imagens rebuscadas de um passado pegajoso que não te larga.
Evades-te numa defesa da solidão que nos esmaga.
Tu bem tentas sacudir esses adesivos que te prendem. Arrastas com eles toneladas de um mundo não vivido, mas fabricado na tua imaginação, por algum amor que inventaste por desejo. Mas o amor não se inventa, vive-se quando nos bate à porta. Não vale a pena procurá-lo como quem procura caça num deserto. Ele virá por seu pé, por caminhos que só ele entende e não revela com qualquer antecedência. É imprevisível e vagabundo, esconde-se por detrás de cada face. Não usa passaporte nem reconhece fronteiras e não pede licença nem precisa chave para entrar.
O meu ombro é apenas o muro onde descansas a tua cabeça, mas não serve de muralha nem prisão ao teu pensamento, que te foge como pássaro bravio que não consente grades.
Entre estas mãos que me dás e os sentimentos que me negas, vão quilómetros de distância, anos de solidão escondida, recalcada na nostalgia dos sonhos que te agitam as noites mal dormidas.
Olho a mar que ondula e se evapora ao nosso lado, alheio aos dramas de quem pisa as areias onde espreguiça os séculos. Nos teus olhos, rola uma lágrima salgada como as suas águas, também ela vem do passado como o mar. Ambos são indomáveis. Ambos fogem ao teu controlo. Não se deixam prender pela razão, nem por essa outra mão que levas ao rosto, rápida e disfarçadamente.
Pára de mentir a ti própria. O amor não se fabrica. Não se compra na banca do mercado. Não se modela na roda do oleiro, não respeita as regras sociais. É uma criança selvagem.

Publicado por João Norte em 07:57 PM | Comentários (5)

maio 03, 2005

O Presidente fez bem ou mal?

Já li e ouvi as mais variadas opiniões sobre a decisão de Presidente da República em não convocar o referendo “ ao aborto/despenalização”
Por mim acho que fez bem.
Não podemos arriscar-nos a ter mais um referendo em que votassem 20% dos portugueses.
A questão está nisto:
- A direita e também os meios de comunicação (veja-se as televisões) usam e fazem passar a frase: - “referendo ao aborto” e com isso se despertam uma série de sentimentos pseudo/religiosos de pessoas mal informadas.
Neste momento em que escrevo decorre na SIC o programa opinião pública. O que é que aparece? “ referendo ao aborto- concorda com a decisão do presidente?
Ora, eu penso que 99% das pessoas, se lhe perguntam, - concorda com aborto- ponto final, dirão que não. Mas era essa a mensagem que ia ser dada pela direita e pelos mal informados que não lêem, e era nisso que muitos iriam votar, sem sequer lerem a pergunta que lá estaria.
Depois ficaríamos outra vez vinculados a um referendo que não pertencia a ninguém, nem aos que não tinham votado, nem a muitos que iriam votar sem saber em quê.
Enquanto a linguagem não mudar não mudará o pensamento. O povo não tem(infelizmente) a cultura dos srs. deputados. Não quero dizer com isto que é burro! Digo é que é preciso dizer apenas e só:
- concorda que as mulheres sejam presas por terem abortado?
Outra questão e que me parece que o PS ou não pensa ou não está interessado na despenalização.
Não sei se é necessário mexer na constituição para ser aprovada uma lei que despenalize as mulheres que abortaram. Se não é, não percebo porque é que, havendo uma tão larga maioria na Assembleia que pretende a despenalização, se perde tempo e se dá confiança aos padrecas e às beatas (que entretanto vão abortando) com proposta de referendo e não se altera a lei?

Publicado por João Norte em 05:59 PM | Comentários (4)