Continuando a falar do Ensino.
Os números do Ensino em Portugal nada tem a ver com o que se passa nos países do norte da Europa. Vamos por partes.
O ensino em Portugal arrasta uma cauda que tem centenas de anos e causas diversas. Políticas, económicas, sociais e geográficas.
Vejamos algumas: O Ensino Básico tem uma média de menos de 15 alunos por professor.
O habitat português é, seguramente o mais disperso da Europa. Desde o século X, com excepção do Alentejo central, o povo, dependendo de uma economia rural de subsistência em minifúndio, fez uma casa em qualquer canto onde houvesse uma leira que sustentasse duas ovelhas.
No início do século XX, Portugal tinha mais de 70% de analfabetos. O Estado Novo tentou alfabetizar. Fê-lo, da forma mais económica, (sempre o mesmo problema) O Salazar mandou fazer uma escola em cada lugarejo e instalou lá uma regente.
Mas o que eram essas escolas? Um casinhoto de uma pequena sala e o quadro de ardósia. Ora ainda persistem muitas destas escolas. Há centenas de escolas do Ensino Básico com menos de dez alunos, algumas com 3 ou 4 e até com 1. Como falar em médias?
Como alterar isto? Pegar nestas crianças e levá-las para outra escola igual? Os pais não deixam, mesmo que o governo pagasse o taxi para as levar.
A maioria das escolas nas cidades são 2 ou 4 salas sobrepostas sem mais nada. Nem ginásio, nem cantina nem outras exigências de um ensino moderno.
Por isso comparar números com outros países é demagógico.
As medidas anunciadas pelo Senhor Primeiro ministro serão para 25% dos alunos. E os outros são filhos de um deus menor?
Não quero com isto dizer que as medidas anunciadas são erradas ou desnecessárias, pelo contrário, têm todo o meu apoio.
O que não podemos é pensar que os problemas se resolvem numa legislatura. E a culpa é toda dos professores. Têm algumas!...
Continuarei.
Se eu pudesse dar conselhos ao Senhor Primeiro ministro, (poder eu posso, ele é que não os lê) dava-lhe dois:
1º- Ler “o sermão de Santo António aos peixes”
2º - Ter calma.
No primeiro, aprenderia a perceber como os grandes engolem milhares de pequenos cada vez que abrem a boca.
No segundo, a perceber que o povo lhe deu a maioria absoluta para governar com calma e eficácia. Ninguém lhe pediu para fazer tudo ao mesmo tempo, nem à pressa.
Pense, pondere e execute. Será mais eficaz e não criará tanto roído.
Aquele que escreve abro-se, expondo as entranhas nas palavras. É o seu íntimo, o seu pensamento, a cultura que recebeu, a sua sensibilidade, o seu carácter que se plasma nas palavras. Há uma contínua corrente de esforço entre o seu interior e a escrita. Pode, aparentemente, ser falsa, resultado de uma vontade de ir ao encontro de quem o lê, sem sinceridade, mas isto nunca é totalmente verdade. Ninguém dá o que não tem, por muito alto que respire não conseguirei trazer do ar o que não há no meu interior. É um momento de esforço, de busca em si próprio, de pensamento e inspiração, de procura do termo correcto, do encontro à compreensão. Até parece simples, apenas desenhar as letras ou bater as teclas. O problema não é escrever, é sentir o que se escreve.
Dá o melhor que tem, tudo o que guardou da vida que viveu. Porém, esse legado não é só seu, é de todos os que viveram consigo, não apenas juntodele, mas em todo o espaço que pode alcançar.
A leitura tornou esse espaço ilimitado. Todos vivemos num espaço ilimitado, depende nós o pedaço que tomamos.
As minhas palavras de hoje, são as tuas de ontem. Hoje são minhas, porém eu não nasci com elas, fui buscá-las, ou outros mas trouxeram. Emprenhei-me delas. São também tuas e dos outros.
Se falaste, se escreveste, então fazes parte deste meu mundo. Mesmo que eu não te tenha lido directamente, li-te através de outros, ou então ambos lemos outros e, assim, temos em comum esse legado. É uma cadeia interminável. Somos irmãos nas palavras. Palavras velhas, sempre iguais mas sempre novas, como flores que se renovam a cada primavera, e renascem na boca de cada um, naquilo que cada um escreve ou diz. Algumas são espinhos que nos rasgam, ásperas, cortantes; outras coloridas como rosas de vários tons; outras vermelhas como as papoilas, como o sangue que nos corre nas veias; outras suaves como os recônditos de uma mulher, doces como os beijos das amantes, aveludadas como a pela duma menina melodiosas como o som do violino.
Neste mundo das palavras todos expomos parte de nós. O poeta é fingidor, mas só ele é capaz de captar a sensibilidade do mundo; o escritor pode ser apenas o transportador de dramas e tragédias que são de todos. Que são teus, que são meus. Nenhum é puro inventor. Mas sentem o mundo de uma forma mais arguta. Por isso nos revemos nas palavras de quem escreve.
Eu revejo-me, recrio-me, nas palavras que tu escreves.
Escreve mais. Eu espero por elas.
João Norte
Hoje não venhas falar de amor,
Nem remexer no passado.
Estou cansado!
Adeus!
Passa bem,...
Muito obrigado!...
As tuas mãos deslizam no meu corpo
Ao teu lado eu sinto-me um menino perdido, inocente, curioso e confuso.
Envergonhado como criança, menino tolo.
Não sei o que fazer nem por onde começar.
A tua voz, o teu olhar malicioso me encanta.
Não sei se negue ou me ofereça
A volúpia do prazer que me desperta.
Aceito os teus afagos e fechos olhos no medo de voltar a ser feliz,
E me rendo ao teu controle sem pensar.
Ao teu lado achei a felicidade já perdida.
Esqueci o ontem em troca de amanhã.
Redescubro o que deveria ter sido,
Nos teus braços recupero tempo perdido.
Jogo no chão a máscara,
Ansioso atiro fora a hipocrisia
E deleito-me na tua fantasia
Na pressa de deitar logo contigo.
Teu corpo quente me desperta sensações
Batem a par os nossos corações.
Tudo o que sempre quis e quero dar,
Contigo recuperei o poder de sonhar,
Renasci para a vida por te amar.
João Norte
Antes dizer mais, quero esclarecer que sou professor, mas aposentado há 3 anos. Por isso, o que defendo já não melhorar o meu ordenado ou as condições de trabalho.
Agora parece que, finalmente, todas as pessoas, neste país, descobriram que o Ensino Básico e Secundário está mal.
Quem estava dentro deles e atento sabia há muito. Possivelmente nunca foram ouvidos pelos responsáveis.
Até o Senhor Presidente diz meias verdades.
Acabei de ouvi-lo dizer que num país do norte da Europa os professores estavam nas escolas 50 horas por semana. Não seria tantas, ou então há na Europa trabalhadores com horários ilegais. Mas adiante!
Eu também estive em alguns países da Europa onde o Ensino é bem sucedido.
O que eu não vi foi os professores levarem para casa o trabalho que deviam fazer nas escolas como acontece em Portugal, porque as nossa escolas não têm as condições para isso.
Cá os professores também têm 35 horas semanais. Mas a onde? Com que condições?
Eu trabalhei em várias escolas, numa zona das mais ricas deste país, novas e velhas, em nenhuma delas havia, nem há, condições para um professor, que queira ser competente fazer o seu trabalho todo na escola. Cheguei a dar aulas ao 12º ano e ter colegas estagiárias em arrecadações porque a escola foi feita para 1000 alunos e tinha 2200. As salas com buracos no soalho por onde cabe um pé, estavam cheias das 8 horas da manhã às 23horas, nem sequer eram limpas, chegando o pó do giz a fazer altura sobre as mesas. (por isso eu sofro agora de uma conjuntivite crónica).
Havia (nos últimos anos) 3 computadores para 230 professores que não eram suficientes para o registos das faltas dos alunos. Se queria apresentar cópias de quadros ou documentos (dava história e história de Arte) eram tiradas do meu computador, da diciopédia que eu comprei, ou dos meus livros que ao longo da carreira fui comprando às prestações. Nenhuma escola tem equipamento capaz.
Em grande parte das nossas escolas, de inverno, os alunos escrevem com luvas por causa do frio, e de verão escorrem de suor. E isto é uma maravilha comparado com a realidade deste país.
Todos os professores de línguas, história, matemáticas ou outras disciplinas que envolvam planos, textos e testes fazem muito mais horas em casa do que na escola. E só não percebe isso quem não pensa.
Ouvi há dias alguém responsável dizer que os alunos do Ensino Básico iriam ter mais 2,5 horas de aulas diárias. Achei graça.
70% das actuais escolas do Ensino Básico trabalham em turno duplo.
O 1º das 8h às 13,15h ; o 2º das 13,30h às 18,45h.
Vamos então acrescentar 2,30h a cada turno.
1º - 8h às 16horas. Isto implica como é óbvio tempo para as crianças e professores almoçarem, a não ser que queiram ter crianças 8 horas sem comer.
2º - seria das 16,30h às 23h.
BONITO NÃO É?!....
Que fácil é falar do que não se conhece.
Sentado num banco do jardim abandonado,
Olho a cidade que se contorce,
Em fantasmagóricos volumes
E em imagens multiformes.
O calor amarra-me nesta sombra protectora,
Das árvores velhas sempre amadas.
Que guardam nas suas folhas as palavras
Dos amantes, aqui narradas.
Fechos os olhos e deleito-me no contraste fresco
Do calor que se adivinha.
Imagino o teu corpo junto ao meu,
A tua mão na minha,
Em sintonia nesta temperatura morna.
E experimento arrepios de prazer,
Que me acariciam a pele.
Neste panorama de sensualidades,
Sinto o teu cheiro
Entrego-me num sonho delicioso,
com se estivesses aqui mesmo junto a mim
E a tua pele de veludo me fizesse cócegas.
Apalpo à minha volta a desilusão.
Reconheço que estás longe.
As nossas mãos não se tocam.
Hoje, ...aqui....
há apenas saudade de ti.
João Norte
Às vezes não ligamos ao que vai à nossa volta e até fazemos bem se algumas das coisa merecem a nossa indiferença. Foi o que fiz à manifestação de neo-nazis em Lisboa.
Todavia, ao ver as notícias na televisão, lá estava a “prantar faladura” para o microfone sobre o orgulho de ser branco o que pensei ser um garoto imbecil.
Soube depois através do blogue Barnabé que o dito garoto é um cadastrado por participação no assassinato de um jovem no Bairro Alto. E vem aquela alimária falar “contra a criminalidade.
Foi bom que a nossa “profícua” televisão lhe tivesse mostrado a cara, pena foi não ter esclarecido os telespectadores de quem se tratava. Essa seria a grande missão daquele órgão de informação.
Assim, para os incautos deste país mal informado, até pode parecer que o imbecil é só imbecil.
A Senhora Ministra da Educação deu duas conferências de imprensa em que me desgostou.
Em ambas meteu os pés pelas mãos mostrando à evidência não estar tranquila com o que estava a defender.
Lamento muito, tanto quanta era a minha esperança neste governo. Já aqui tinha dito que a senhora meteu no mesmo saco, lobos, raposas e cordeiros.
A Senhora Ministra, na primeira conferência vem referir o bom senso e a responsabilidade dos professores por não terem faltado ao serviço de exames.
Já sabíamos que os professores são responsáveis. Já o eram antes desta Senhora ser ministra, sempre foram, ainda que haja alguns que não sejam não fazem uma classe.
Sendo assim responsáveis e dignos, porque razão a Senhora Ministra veio travar a carreira, com palavras que lançaram sobre todos os professores o apodo da incompetência?
Segunda conferência.
Se no primeiro dia os professores mostraram “ser responsáveis e estarem com os alunos” (palavras da Srª) porquê então manter uma requisição de serviços mínimos onde não cabem por definição nem são necessários?
Será para mostrara à evidência que os professores são responsáveis, mais preocupados e mais conhecedores do Ensino do que a Senhora Ministra?
Não havia necessidade!
Quando era ainda muito garoto conheci pela primeira vez a primeira pessoa chinesa.
Um vizinho meu que tinha feito tropa em Macau voltou de lá casado com uma chinesinha. Linda por acaso.
Na escola primária, como todos, eu tinha aprendido que havia a raça branca, raça negra e raça amarela.
Não tinha, nessa idade, nenhuns conhecimentos que pudessem por em causa essa classificação.
Porém, amarelos eram os limões da minha avó quando estavam maduros. Essa era a cor amarela que eu conhecia.
Eu olhava para a senhora chinesa e a única coisa que lhe notava diferente era os olhos mais pequenitos, de resto era de pele branca, bem rosadinha e linda.
E pensava na minha ingenuidade infantil: - Será que os outros são amarelos como os limões da avó e esta saiu diferente?
Pelo menos eu pensava!
Alguém seria capaz de explicar a um “menino ignorante” que acabo de ouvir gabar-se de “ter orgulho em ser branco” que não há homens brancos?!
Seria difícil porque aquele possivelmente nem tinha inteligência para compreender a diferença. Mas não são poucos os que ainda pensam que há “raças” humanas como há raças de cães, embora mesmo esse sejam todos cães, como os homens são todos “fisicamente” homens, independente da tonalidade da pele.
Não há homens brancos nem negros, há uns menos negros do que outros. Aos olhos de um sueco eu serei um negro.
Nos anos noventa fui a Marrocos integrado num grupo organizado pelo Centro Nacional de Cultura. Começámos a visita pelo norte de Marrocos, Tânger, e fomos até ao sul de Agadir. Duas senhoras que viajavam no grupo admiraram-se da diferença de tonalidade da pele dos habitantes do norte de Marrocos, tão escuros/claros como nós, e os do sul já mesmo quilo que se considerava negros.
Quando eu lhes expliquei que as diferenças de cor na Humanidade resultavam, não da aquisição de cor, mas sim da perda. Isto é, não foram os africanos que ganharam cor, foram os europeus que a perderam, ficaram muito espantadas.
- Tem a certeza? Sr. professor?
Apenas lhe respondi: - observem e pensem.
Claro que este rapazinho que se orgulha de ser branco, não será capaz de fazer tal coisa. Pensar.
Escuto o peso do Silêncio,
Que nos envolve.
A Lua, qual canoa mal escavada,
Parece envergonhada por existir.
E corre atrás do Sol que quer fugir,
Para deixar o calor dos nossos corpos incendiado.
O orvalho refresca a mente torturada
Das canseiras deste amor distanciado.
De quem ama,
E se deita nesta cama disfarçada.
O espírito foge do corpo já cansado
Porque voa em espaço ilimitado
Por estrelas que nos espreitam interessadas,
Num diálogo de palavras sussurradas,
No medo de que o vento as leve no segredo,
Porque apenas para ti foram criadas.
João Norte
Desculpa se discordo da tua clara inteligência, só num pontinho.
" o passado é um trapo". Não é.
Tu partiste. O teu passado, o que tu construíste, ficou cá e não é um trapo, é uma beleza de arte.
Adeus Eugénio.
Já afirmei em poste anterior que concordo com algumas medidas propostas pelo Sr. primeiro ministro para controle do défice. Pelo menos naquelas que se dirigem aos políticos, mais não seja como medida simbólica, todos concordam. (todos menos os visados).
Mesmo outras que visam diminuir as despesas também se aceitam, embora seria mais justo se o controle da fuga aos impostos fosse mesmo eficaz.
Disse anteriormente que o governo meteu no mesmo saco gatos e ratos. Vou falar aqui apenas no que conheço bem: - o Ensino.
O Ensino está mau. Todos concordamos. Mas atirar as culpas para os professores e para os seus direitos, assim a esmo sem mais, como bode expiatório de todas asculpas, é um erro tremendo. Sem professores motivados o Ensino ficará pior e custará mais. Não é diabolizando uma classe que ela se torna divina. Há no ensino bons e maus professores. É preciso corrigir algumas coisas?... de acordo!
Vamos ao tempo de aposentação.
Sempre defendi que não faz sentido os professores do 1º ciclo aposentarem-se com menos anos de serviço ou menos anos de idade do que os seus colegas dos 2º e 3º ciclos.
Sei do que falo. Passei, na minha carreira por todos os graus de ensino. O argumento da monodocência não faz sentido porque é mais simples e muito menos cansativo trabalhar com 25 alunos sempre iguais do que com 150 que mudam a cada hora e cuja idade é bem mais problemática. Corrigir 25 trabalhos não é corrigir 150. Poderia acrescentar outras razões, mas estas chegam. Portanto, a idade para aposentação deve ser a mesma. Se uns começaram a trabalhar mais cedo, mais cedo usufruíram de um vencimento e a sua formação académica é menor.
Atirar com a idade de aposentação dos professores para os 65 anos é um erro. Poucos, muito poucos estarão, depois dos 60, em condições de leccionar e serão os alunos, o ensino e Estado os mais lesados. Faça-se um inquérito junto dos médicos e psiquiatras e verifiquem qual a classe que mais problemas de saúde apresenta.
Travar a progressão das carreiras é pior ainda. Cria uma situação de desigualdade conflituosa.
É necessária outra forma de avaliação? O ministério que a arranje! Todos concordarão. É preciso melhor formação? Dê-se-lhe! Todos concordarão. A que há agora é paga pelos próprios. As acções exigidas pelo ministério são geralmente feitas fora das horas lectivas e, de facto, pouco valem. São precisos outros escalões com maior duração, chegar mais tarde ao topo? Talvez! Mas não se pense que são apenas os graus académicos que bastam para formar professores.
Esqueceu-se a Srª ministra de dizer quanto ganha um professor em início de carreira.
Esclareça-se tudo! Não se diabolize uma classe que é um pilar de qualquer sociedade.
Portugal perdeu hoje duas figuras ímpares da sua história e da sua cultura.
Eugénio de Andrade e Álvaro Cunhal.
Do primeiro, penso que ninguém discorda de que foi uma das maiores figuras da cultura portuguesa da actualidade.
Do segundo, muitos conhecerão apenas a personalidade política. Passível de crítica, não se pode deixar de admirar a luta e a força com que se entregou aos seus ideais.
Mas tinha facetas que muitos não conhecem. Desenhador, pintor, escritor, historiador.
Não sou comunista, mas desde há muito que fazem parte da minha biblioteca livros e desenhos de Álvaro Cunhal, alguns executados na cadeia de Peniche.
A ambos as minhas homenagens.
Outras não.
Quem me lê já sabe que tenho sempre uma tendência para criticar as políticas que nos governam. É uma minha forma de estar como cidadão que sente os seus problemas e os dos outros também.
Mas, se todo o governo, seja qual for a sua política, é sempre passível de crítica, há momentos em que é necessário saber criticar.
Já num texto anterior caricaturei o nosso primeiro ministro pela sua “febre” de cortar. Devo dizer que concordo com a maioria das medidas que pretende tomar e algumas são mesmo de aplaudir. Nesse mesmo texto eu digo que é preciso corrigir algumas, acertar outras.
Muita coisa havia (há) para fazer e parece não faltar vontade ao governante. Mas o primeiro ministro e os ministros meteram, lobos, raposas, cordeiros vadios, gatos e ratos tudo no mesmo saco a agitaram. Agitaram tanto que criaram um coro de aplausos de uns, críticas azedas de outros e invejas também.
Há muita confusão no ar, há muita gente a dar palpites do que não sabe, e, por isso, chegou a hora de não brincar com coisas séria e cada um dar o seu contributo honesto para uma discussão que é de todos, que não pode ser deixada só para o vizinho.
Continuará.
Hoje levantei-me com maus pensamentos. Pensei que também tinha direito a ser condecorado. Sempre fui um cidadão honesto, comecei a trabalhar aos 9 anos, sempre descontei para a segurança social, nunca fugi aos impostos (não podia) nunca fui condenado nem tenho nenhum processo pendente, nunca pus dinheiro no estrangeiro (não o tinha) estudei sempre à minha conta, não devo favores à sociedade, sempre cumpri com honra e lealdade os serviços que foram confiados. (chega!)
Mas, fui consultar Camões (é o dia dele) . – “ eu canto....os barões assinalados ... e os que, por obras valorosas, se vão da lei da morte libertando”.
Desisti. Não chegava a tanto. E lá fui ver pela TV o Sr. Presidente a condecorar “os que....pa´..tá..tá”.
Fiquei tranquilo. Parecia “a quinta das celebridades” só lá faltava a Lili Caneças e o Ferreira Torres.
Já não quero ser condecorado.
É a primeira vez na minha vida que faço isto, mas importante que o faça.
Embora haja muita coisa a fazer, outras a corrigir e algumas a acertar, é forçoso reconhecermos que este governo está , pelo menos, a dar sinais de moralização da política portuguesa.
Como não me coíbo de dizer mal também sei dizer bem.
Este assunto merece muito mais, mas a minha paciência tem limites.
Ninguém contesta a legalidade da acumulação de ordenados do Sr., parece haver muitos nas mesmas condições, tantos que duvido ser possível encontrar alguém capaz de exercer as funções de ministro que não esteja.
Possivelmente (esperemos que não) iremos ter o prof. Cavaco Silva como presidente da República a acumular a pensão de 1ºministro+ a de professor+ a de presidente.
É bom, por isso, que se ponha termo. Para isso, Sr ministro está em óptima situação, é razão da força da razão ( uma espécie de 2 em 1) não precisa olhar para o lado, sempre que se olha no espelho vê a situação que tem de mudar. Não se lhe desculpa recuos.
Há, no entanto, uma frase sua que deixou confuso. cito“ a pensão vem do fundo de pensões do Banco de Portugal, não contribui para o défice”.
De que défice fala o Sr. ministro? Será que o fundo de pensões do Banco de Portugal é suportado pelos espanhóis?
E quando fala de funcionários públicos não se inclui a si próprio por quê?
Já Mira Amaral e Celeste Cardona falavam assim. Estes srs. vivem noutra galáxia?
São estes raciocínios destes srs. Doutores que eu não entendo.
A coisa é complicada, exige análise serena. Por agora limito-me a repescar uma frase do meu comentário anterior.
"O nosso Primeiro Ministro faz-me lembrar (sem ofensa) um soldado montado na sua metralhadora, encurralado no meio do inimigo, que desata a disparar para todos os lados. Todos menos para cima, para aí faltou pontaria, ou as munições eram de pequeno calibre".
Que grande cena!... diria o Camilo.
Dia Mundial da Criança.
Era bom que os adultos pensassem mais nelas.