Mamã, mamã, porque é que estás a fazer as malas com esse ar zangado?
- Porque sou professora.
- Vais deixar esta casa?
- Tenho de ir.
- Estás zangada com o papá?
- Não, estou zangada com a ministra.
Segundo a opinião dos chilenos os portugueses gastam muita água para apagar os incêndios.
De facto, todos entendem que a nossa floresta é contínua e sem manchas alternativas ao eucalipto e ao pinheiro. Também há falta de aceiros, mas nós vimos nas imagens o fogo galgar estradas e caminhos e não vimos os bombeiros usarem os contrafogos a partir desses espaços. Porquê? Estratégias erradas como alguém já disse? Eu também estranhei.
Oeiras é o espelho deste País.
PSD impugna DSD e os aldrabões continuam a sorrir.
Chego a ter pena do Dr. Marques Mendes.
A mente do poeta é tortuosa.
Nunca anda em linha recta
Verseja figuras e imagens
Sentimentos e linguagens diferentes.
Os poetas não mentem
Falam de olhares e de dores
Que vêm de dentro,
De um sentimento que vem de si,
De sonhos e realidades
Que só eles sentem.
João Norte
Aquilo que eu escrevi num texto abaixo como uma ideia talvez disparatada afinal já existe. Mostra como estou mal informado nestas coisas. Serei único?
Existe já uma central termoeléctrica para aproveitamento de resíduos de biomassa em Mortágua, desde Agosto de 1999 com uma capacidade de 100.000 toneladas ano e produção de 63GWth. Segundo informações que entretanto me chegaram não estará a ser aproveitada a 100% e os resíduos que se perdem e os que são queimados pelos fogos dariam para várias centrais no país.
Mais uma razão para o governo impor a limpeza das matas, e quando digo limpeza, não falo apenas de desmatação mas também destranca e desbaste.
Esperamos que o governo se imponha neste campo com tanta tenacidade como parece ter noutros bem menos importantes.
Gostei de ouvir o Sr Presidente da República dizer que Portugal tem de resolver coercivamente a questão do ordenamento e limpeza da floresta.
Gostei de ouvir o Ministro da Agricultura dizer que não haverá ajudas , a esmo, para as perdas florestais.
Isto pode parecer uma arrogância, estou certo que aparecerão muitas vozes críticas, mas eu também acho que, embora não seja só por aqui, é também por aqui que lá chegaremos.
Recordo que há dias quando do grande incêndio em Pombal uma das televisões entrevistou um proprietário que afirmou ter gasto 300 contos a limpar os seus pinhais e tinha sido surriado pelos vizinhos. Também ele, apesar das suas perdas era contra os subsídios.
Ainda que tivéssemos vontade não conseguimos deixar de pensar nos incêndios, eles continuam e entram-nos pelos olhos.
Continuo a ouvir clamar por mais meios, especialmente meios aéreos, eu acho que por muitos que se comprem ou aluguem nunca serão suficientes, nos últimos dias houve centenas de incêndios diários, basta pensar apenas em 50, se requisitassem 2 aparelhos para cada um seriam necessários 100 aparelhos, para 400 fogos seriam 8oo aparelhos. Não é pensável, não é viável. Por outro lado, os fogos são geralmente lançados de noite, progridem de noite, e, de noite, nenhum meio aéreo é operativo. Os fogos têm de ser evitados.
Ocorreu-me uma ideia, disparatada por certo.
Porque não se investe no aproveitamento da “bio-massa” penso que é assim que diz, na produção de energia?
Há 30 ou 40 anos todas as lenhas e matos eram aproveitados. Os desperdícios da mata eram queimados nas fábricas de cerâmica. Depois por falta de mão-de-obra, porque a electricidade era barata e limpa, as fábricas passaram a queimar electricidade.
Hoje a energia eléctrica é cada vez cara porque dependente do petróleo. Se já se faz aproveitamento de lixos e resíduos para produzir energia porque não aproveitar também os matos e a limpeza das matas.
Sou um leigo, não sou engenheiro, mas penso que será possível. Se somarmos só os últimos três anos verificamos que arderam milhões de toneladas de material lenhoso. Que quantidade de energia seria possível produzir? Pelo menos é renovável.
Seria preciso uma empresa de queima e recolha à semelhança do que existe para os lixos. Se pagar alguma coisa talvez os donos das mata as limpem ou se não a empresa limparia. Mão-de-obra não faltará temos 500.000 desempregados.
Claro que isto será um disparate, o nosso primeiro ministro que é meio engenheiro e que, enquanto ministro do ambiente tanto se bateu pela co-incineração, já se teria lembrado.
Todavia, peço aos meus leitores que, se acharem a ideia viável, a passem, talvez algum dos nossos top-bloguistas lhe pegue, e ela chegue aos capitalistas e responsáveis políticos.
Por mim, ficaria feliz por ter contribuído para minimizar este flagelo antes que ele acabe por transformar este país num deserto.
No texto anterior disse que fui criado entre pinhais, há 40 anos os pinhais não ardiam como hoje. Não eram combustíveis? Eram. O que mudou? A relação do homem com a Natureza e o desrespeito por essa natureza. Há 4o anos o pinhal fazia parte do habitat de grande parte da população. Era cuidado. Hoje são poucos os que vivem da agricultura e, mesmo esses não vivem do pinhal, por isso eles estão abandonados. Faça-se um inquérito! Quem são os donos de cada parcela? Onde estão? Verificaremos que, ou são emigrantes ou moram na cidade. A floresta, apesar de constituir uma riqueza nacional, passou a ser uma espécie de “ paisagem” para a maioria dos portugueses, não faz parte do seu quotidiano. Somos a sociedade da Europa com habitat mais disperso, com milhares de casalotes encravados nas serras e no meio dos matagais, mas mesmo nesses, hoje, ou sobrevivem velhos ou são casas de férias.
Esta situação exigia redobrados cuidados das autarquias, mas nenhuma os tens. As Câmaras Municipais são responsáveis pela manutenção das suas zonas, até hoje, nenhuma ou quase, se preocupou verdadeiramente com isso. Investem em tudo menos num parque de máquinas, que hoje existem, para limpar as matas. Nem se preocupam em fazer aplicar as leis de protecção. Depois clamam como velhas carpideiras e correm para a frente das câmaras da televisão pedir ajudas e subsídios.
Ano após ano, a floresta arde, criam-se comissões e planos de emergência. Mas como” depois de casa roubada” ao terceiro dia de fogo acciona-se o plano municipal e ao quinto o plano distrital. Quando tudo tiver ardido accionar-se-á o plano nacional.
Já foram presas 107 pessoas por suspeita de fogo posto, em Espanha foram presa 277, mas a área ardida é menor. E dos que foram presos os outros anos, algum cumpriu pena?
Já foram recolhidas dezenas de foguetes incendiários, não terão sido os “malucos” que foram presos que os compraram.
Há 2 anos a presidente da Câmara de Vila de Rei mostrou um pequeno para-quedas junto com um dispositivo de rastilho. Foi alguém preso? Cumpriu pena? Nada se soube.
Há muitos culpados nesta tragédia, mas o que irá acontecer será o governo a pedir mais sacrifícios para a pagar, para reconstruir as casas ardidas dos pobres que as perderam.
Enfim, já revolta!
Regressado de umas pequenas férias, trago na vista, e continuo coma ela, a imagem esmagadora das labaredas e dos esforço, por vezes desesperado e patético, de quem as tenta apagar.
Muita coisa já se disse sobre esta aparente sina do nosso país que arde ano após ano. São muitas as razões para que isto aconteça.
Eu fui criado entre pinhais, felizmente, nesse tempo eles não ardiam como hoje.
Então o que mudou?
Não é necessário muita inteligência para ver o abandono em que o país se encontra, basta viajar por ele para vermos como os enormes silvados de anos preenchem as zonas rurais e entram pelas portas e janelas de casas quer de habitação quer de férias.
Falar-se constantemente em meios, mais meios, de combate é chover no molhado, depois de um fogo tomar proporções consideráveis com tão grande quantidade de matéria inflamável não há meios que o detenham.
As razões para este estado de abandono é que devem ser pensadas e combatidas de imediato. Mas só se pensa nos fogos enquanto eles ardem, depois vem o inverno, se vier, e ninguém pensa mais nisso.
Há duas razões de análise que são as mais concorrentes para este estado: a alteração nos modos de vida deste país, a redução da população na agricultura de subsistência de que faz parte o minifúndio da nossa floresta e o abandono com incumprimento das leis vigentes, que só são vigentes no papel.
A natureza corrige os erros do homem.
Continuarei.
Mas ainda sem vontade de blogar.
Esta coisa de estar parado faz mal, o corpo e a cabeça perdem o ritmo.
O aumento do ozono tiras as forças.
Quando sairemos do pesadelo dos fogos?
Falarei disso amanhã, hoje tenho sono.
Sem tempo nem condições para blogar, apenas um : - boas férias- para todos.
Há muita coisa para dizer nestas férias da política. Mas aguardemos.
Um abraço a todos.
Logo que se soube que O Presidente da República ia receber Mário Soares, os meios de informação, que já estão muito empenhados na campanha, e alguns bloguistas mais radicais, à esquerda e à direita, especialmente estes, clamaram “ aqui d’El Rei”.
Quando souberam que, antes ainda, também foi recebido Cavaco Silva, calaram-se.
Vamos ter tempo suficiente para a campanha, argumentos para aplicar não faltam, talvez haja mais candidatos, para já, não ficava mal a ninguém ser mais calmo.
Tentando segurar o Tempo
Crispo a mãos
Como se as unhas fossem garras
Cravadas no teu corpo desaparecido
Para lá do horizonte,
Em memória distante,
Do tempo que vivemos
Lado a lado, mas num só
Quando o amor nos unia,
E eu sentia
o teu calor
Na minha boca.
Essa mente louca sem limites
Corria em passeios de desejo
Num ensejo de sempre
Mais amor.
E, no fim,
O tempo não era tempo
Porque ultrapassávamos
Todos os limites
Ficava só o sentimento.
João Norte