Muitos de nós bloguistas expressámos a nossa preocupação pela invasão do Iraque, de certo, nenhum de nós simpatizaria com o ditador Sadam mas a experiência e a formação de cada um avisava do erro que poderia advir desse acto.
Neste período da vida conturbada do nosso país, e porque o hábito vai amolecendo, nem já reparamos nos números da morte que nos debitam. Enquanto almoçava e olhava a televisão o número chocou-me ( 64 MORTOS POR DIA) e, por enquanto, são apenas os sunitas contra os xiitas, quando se envolverem também os curdos será pior.
Que terá a dizer disto o Durão Barroso?
Seria também interessante saber que opiniões expressou o candidato à presidência cavaco silva. Dos outros sabemos.
Numa achega ao poste anterior, gostava de saber se Cavaco Silva apoiou o general Ramalho Eanes ou apoiou o general Soares carneiro.
É que, na ocasião, todo o PSD apoiava Soares Carneiro tanto que levou à morte de Sá Carneiro. Lembram-se?
Se houvesse dúvidas sobre a posição de cavaco no espectro político, basta ver com atenção as figuras da sua comissão de honra para deixar de haver dúvidas.
Já li e ouvi que, ao ir buscar o general Ramalho Eanes, cavaco quer dar uma ideia de centro esquerda, nada mais enganador. Ramalho Eanes não é um homem de esquerda. Ramalho Eanes foi importante na travagem de um desvario na esquerda, e, por reacção uma fuga para a direita. A esquerda apoiou Ramalho Eanes na sua eleição para a Presidência da República (eu apoiei), mas é necessário relembrar que; à direita se perfilava outro general, da estrema direita, Soares Carneiro, e não havia à esquerda ninguém que pudesse disputar a eleição. Não é o caso agora. Agora, cavaco congrega toda a direita porque esta não tem mais ninguém ainda mais à direita, se o tivesse nem sequer apoiaria cavaco.
Os senhores juizes desceram do seu pedestal. Ao comportarem-se sindicalmente deixaram de pairar acima da sociedade para se tornarem cidadãos comuns, seria até bonito se fosse com outros objectivos. Todo o cidadão tem direito a lutar pela melhoria das suas condições de trabalho e ordenado, mas os senhores juizes gozavam de privilégios que nenhum outro trabalhador gozava. Para além de um ordenado muito acima do comum, mesmo para pessoas como mesmo nível de formação, por exemplo os professores universitários, gozavam ainda de subsídio de habitação, insenção de impostos, uso de transportes colectivos e mais regalias.
Mas independentemente disso, não é bonito ouvirmos o senhor presidente da associação de juizes dizer que não fazem greve pela perda de privilégios, mas sim pelas condições de trabalho.
As condições de trabalho não são piores do que eram nos governos anteriores, porque é que só agora vieram fazer greve?
Porque o governo lhe quer reduzir as férias, retirar-lhe as condições de privilégio na saúde e talvez outras.
É por isto senhor juiz. Ficava-lhe bem dizer a verdade e só a verdade.
O economista João Salgueiro disse, no Forum da Banca, uma grande verdade. Cito através do Jornal Publico, “A banca tem procurado antecipar os desafios do futuro”.
Sem dúvida!
Tem sabido tão bem antecipar-se que apresenta lucros escandalosos de milhões enquanto todos os outros sectores da sociedade estão em crise.
Já não concordo com o mesmo quando afirma que “Abanca está ao serviço da economia”. Eu diria antes que a banca está a explorar as debilidades da economia e dos cidadãos.
Não quero gastar muita tinta com este sr. Possivelmente terei que o gramar como presidente, mas isso, só por si, não me altera a opinião.
Felizmente tenho boa memória, e, por isso, não esqueci os seus tiques de ditador: “as forças do bloqueio e outras tiradas”. Não esqueci também que no início do seu governo, a economia portuguesa estava num ciclo ascendente e, mesmo assim, a inflação chegou aos 9% e o défice, agora por si criticado, nunca baixou de 7%, as suas obras públicas mais badaladas foram a miséria a via do infante, o IP5 e o IP3.
A obra de do seu “regime” foi o Centro Cultural de Belém onde, agora pomposamente, vem anunciar a sua candidatura, só que não me esqueci que teve uma derrapagem de 40 milhões de contos (200 milhões de euros).
Por isto e muito mais, pode enganar muitos incautos de memória curta, a mim não me engana.
O intro.vertido faz hoje 2 anos.
Tem sido uma experiência interessante, não pelo valor deste blogue, mas porque ele me levou ao contacto com pessoas e outros blogues de grande importância.
A todos que passaram por aqui, aqueles que tiveram a amabilidade de deixar os seus comentários, e os simples leitores, o meu obrigado.
Comecei com o texto que se segue.
Volto a repô-lo
Porque escrevo
Escrever é como plantar flores num jardim.
Alguém apreciará a sua beleza, aspirará o seu perfume ou, simplesmente, reparará nelas.
Li algures que a direcção do PS proibiu os seus filiados de usarem os meios do partido para apoiar o Manuel Alegre.
Isto coloca-me umas perguntas:
A direcção do PS fez um referendo aos seus filiados para saber quem apoiava quem?
O PS sempre se apresentou como um partido com liberdade interna, o que é que se passou entretanto?
A direcção do PS ainda não compreendeu que a candidatura de Manuel Alegre é benéfica para a Esquerda?
Se houver grande número de abstencionistas à esquerda, corremos o risco de Cavaco Silva ganhar à primeira, porque só contam os votos entrados e não os que ficaram em casa.
Até hoje eu não apoiaria nenhum dos candidatos, se for verdade, passarei a apoiar abertamente Manuel Alegre. Sempre fui contra as ditaduras!
Há, por vezes coincidências que nos vêm espicaçar a sensibilidade. Hoje (comemora-se) lembra-se a pobreza e lembra-se, infelizmente, que Portugal é um dos países da Europa ( e não só) onde o fosso entre ricos e pobres é maior. Paradoxo brutal das economias neoliberais. Sendo Portugal um país de fraco rendimento per catipa, seria de esperar exactamente o contrário. Isto mostra-nos como, neste país, as políticas sociais não têm passado de palavras.
Mas as coincidências espicaçantes vêem de, no mesmo dia, se anunciarem as directivas do próximo Orçamento do Estado. MAIS DO MESMO. Retracção, sobrecarga dos funcionários. Nem uma palavra que nos indique que os tais 20% de mais ricos serão chamados a contribuir mais.
Ainda há pouco ouvimos gestores da banca que já apresenta lucros escandalosamente elevados, falarem em despedimentos e redução de empregados.
São Espinhos na garganta de todos os democratas, de todos que, como eu, um dia acreditaram.
O Sr. Ministro da saúde pediu ajuda aos deputados para acabar com o cartel das farmácias.
Fraqueza ou cinismo?
Este governo cada vez me deixa mais confuso. Queria acreditar na coragem
e na boa fé deste governo, mas atitudes como esta deixam-me confuso.
Então este governo tem a maioria na Assembleia da República, é tão corajoso a lidar com as Forças Armadas ( ainda bem), foi tão rápido a retirar benefícios aos funcionários públicos e não tem força para mudar uma lei absurda que permite o cartel das farmácias?
Vamos continuar a ter as mesmas farmácias que existem há dezenas de anos, com acumulação de negócios que fazem com que haja farmácias que vale um milhão de contos ( 5.ooo.ooo de euros) de trespasse, porque o governo não tem coragem para mexer com este poderoso interesse instalado?
Na cidade onde moro, que hoje tem quase 50.000 habitantes, existem apenas as mesmas farmácias que existiam há 40 anos quando tinha apenas 5.000. O resultado não é apenas o enriquecimento brutal dos seus proprietários, é também a demora do atendimento dos doentes que fazem filas permanentes para aviar uma receita.
Se todo o comércio foi liberalizado, porque não é este? Não basta que se exija a responsabilidade de um farmacêutico? Hoje há milhares que gostariam de poder instalar a sua farmácia.
Em 23 de Agosto coloquei o post que se segue.
Agora devia cobrar os meus direitos ao Belmiro de Azevedo. Mas, como disse então, fico felix por haver quem seja capaz de agir.
Ideia disparatada ou não/incêndios
Ainda que tivéssemos vontade não conseguimos deixar de pensar nos incêndios, eles continuam e entram-nos pelos olhos.
Continuo a ouvir clamar por mais meios, especialmente meios aéreos, eu acho que por muitos que se comprem ou aluguem nunca serão suficientes, nos últimos dias houve centenas de incêndios diários, basta pensar apenas em 50, se requisitassem 2 aparelhos para cada um seriam necessários 100 aparelhos, para 400 fogos seriam 8oo aparelhos. Não é pensável, não é viável. Por outro lado, os fogos são geralmente lançados de noite, progridem de noite, e, de noite, nenhum meio aéreo é operativo. Os fogos têm de ser evitados.
Ocorreu-me uma ideia, disparatada por certo.
Porque não se investe no aproveitamento da “bio-massa” penso que é assim que diz, na produção de energia?
Há 30 ou 40 anos todas as lenhas e matos eram aproveitados. Os desperdícios da mata eram queimados nas fábricas de cerâmica. Depois por falta de mão-de-obra, porque a electricidade era barata e limpa, as fábricas passaram a queimar electricidade.
Hoje a energia eléctrica é cada vez cara porque dependente do petróleo. Se já se faz aproveitamento de lixos e resíduos para produzir energia porque não aproveitar também os matos e a limpeza das matas.
Sou um leigo, não sou engenheiro, mas penso que será possível. Se somarmos só os últimos três anos verificamos que arderam milhões de toneladas de material lenhoso. Que quantidade de energia seria possível produzir? Pelo menos é renovável.
Seria preciso uma empresa de queima e recolha à semelhança do que existe para os lixos. Se pagar alguma coisa talvez os donos das mata as limpem ou se não a empresa limparia. Mão-de-obra não faltará temos 500.000 desempregados.
Claro que isto será um disparate, o nosso primeiro ministro que é meio engenheiro e que, enquanto ministro do ambiente tanto se bateu pela co-incineração, já se teria lembrado.
Todavia, peço aos meus leitores que, se acharem a ideia viável, a passem, talvez algum dos nossos top-bloguistas lhe pegue, e ela chegue aos capitalistas e responsáveis políticos.
Por mim, ficaria feliz por ter contribuído para minimizar este flagelo antes que ele acabe por transformar este país num deserto.
As eleições autárquicas deviam constituir, pela proximidade dos cidadãos, a forma mais inteligente de expressão da vontade popular. Não se pode dizer que o cidadão não conhece em quem vai votar e onde era esperado concorreriam pessoas de irrefutável seriedade e competência. Todavia, assistimos a um espectáculo indecoroso de concorrentes sobre quem recaem as mais variadas suspeitas. Já era muito mau a sua candidatura mostrando a sua falta de carácter, honestidade e respeito pelos votantes, mas é ainda mais de espantar que os cidadãos continuem a escolhê-los mesmo que sejam poucos que o façam. Parece assistir-mos ao prémio de quem não cumpre, quem é suspeito ou mesmo quem enfrenta a justiça. Seria suficiente a suspeita para que fossem impedidos de concorrer aos cargos público.
Há, portanto, duas situações repudiáveis nestas candidaturas.
Mas há também outras situações onde, embora não haja acusação, o enriquecimento dos candidatos mostra à evidência que não foi com o ordenado de presidente de câmara que adquiriram os bens. Como é que os cidadãos se deixam enganar?
Outras situações de longa permanência dos mesmos candidatos deviam levar os eleitores a optarem por novas soluções. Porque não o fazem? Medo da mudança ou força do caciquismo? É, entre outros, o caso das Caldas da Rainha onde o PSD leva 30 anos de presidência da Câmara. O PS apresenta uma equipe de valor, esperemos que vença.
Tenho ainda alguma esperança que, no que se refere aos casos mais conhecidos ( Felgueiras, Oeiras, Amarante, Leiria) haja algum bom senso. Se assim não for, a minha esperança na democracia levará mais uma machadada.
Penso que a maioria dos portugueses de boa fé e sem nada a esconder concordam com a proposta do Senhor Presidente da República: - aqueles que enriquecem muito rápido devem fazer prova de onde lhe vêm os rendimentos.
Este procedimento, para além de ser morador, serviria para fins fiscais e também levaria à descoberta de muito criminalidade. Pensemos por exemplo no tráfico de droga.
Curiosamente, ou talvez não, duas vozes importantes vêm clamar “aqui d’el rei”, Pacheco Pereira e o bastonário da ordem dos advogados.
Diz Pacheco Pereira que seria uma poderosa arma colocada nas mãos do poder.
Como? Pergunto eu.
Entende-se que o sr. bastonário defenda alguns dos seus filiados. Porém, quem está a defender Pacheco Pereira?
O Senhor Presidente da República, neste dia em que se comemora a existência da Mesma e Também do dia do professor (coisa que eu não entendo muito bem) apelou ao brio dos professores dizendo contar com eles para o sucesso escolar.
Palavras de La Palisse.
É claro que o sucesso escolar só existirá com o empenhamento dos professores.
Fica bem o Senhor Presidente ter consciência disso. Mas é pouco. Se não houver medidas que dignifiquem os professores, se não lhes pagarem condignamente como técnicos habilitados, se não se tiverem em conta que são gente, que têm família e não “bonecos articulados com quem se joga”, continuaremos a ter insucesso, ainda que as estatísticas o não mostrem.