novembro 15, 2005

Perguntas à Srª Ministra.

Em 9 de Setembro coloquei neste espaço o texto que se segue "perguntas à Srª Ministra" hoje volto a colocá-lo.

A Srª Ministra confunde (ou tenta confundir-nos) trocando o conceito de válido por obrigatório. Fazer o concurso dos professores váldo por vários anos seria uma medida pedagógica e social acertada, fazer o concurso obrigátorio é um atentado à liberdade do professor como cidadão e um erro pedagógico com consequências graves.


Perguntas à Srª Ministra.
Não ponho em dúvida as boas intenções do governo. A sua eficácia é outra coisa.
Anunciou há dias o Sr Primeiro Ministro que o próximo concurso de professores iria ser válido por 3 ou 4 anos, em nome da fixação do corpo docente.
Até aqui, aparentemente, tudo bem.
Porém, eu pergunto à Sr Ministra.
Vai ser válido por 3 anos de acordo com a vontade do professor? Ou vai ser obrigatório? Os concursos são apenas de 3 em 3 anos? Ou o professor que concorre em determinado ano só pode concorrer 3 anos depois?
Concretizo.
O professor X, com 20 valores, colocado (em casco de rolha) concorre em 2006 para o distrito de Leiria para se aproximar do conjugue, é colocado em Peniche. 120Km +- porque em Leiria não abriu nenhuma vaga na sua disciplina.
O professor Y, da mesma disciplina, com 18 valores, não concorre em 2006. Em 2007,abre uma vaga em Leiria
O professor X não pode concorrer, o professor Y concorre e é colocado em Leiria ultrapassando o seu colega menos cotado e, logicamente, com menos direitos.
É isto que vai acontecer? Ou apenas estamos a fazer demagogia?

Publicado por João Norte em 05:01 PM | Comentários (19)

novembro 14, 2005

Pequena reflexão.

O que está a acontecer no Ensino vai custar muito caro à nossa sociedade. A Senhora Ministra já apresentou ontem uma postura menos arrogante do que em momentos anteriores, mas continua a falar do Ensino como coisa abstracta. Ensinar não é um simples acto mecânico de transmissão de saberes, se assim fosse, bastaria substituir o professor por um gravador com as matérias muitos certinhas e teríamos um ensino de sucesso. Não é assim. O professor tem 100 alunos e tem que ter em conta 100 mundos diferentes, estar atento à sensibilidade de cada um, encontrar uma linguagem, um gesto e o modo de explicação acessível a cada um.
Pensar que isto se alcança por decreto e desmotivando o professor é completa cegueira económica.
Há muita coisa a corrigir no ensino, há muito professor que não merece esse nome, (veja-se o que escrevi em posts anteriores Maio Junho, Julho) mas não será este caminho agora trilhado o mais viável.
Muitas pessoas, de certo bem intencionadas têm confundido o professor com qualquer trabalhador de uma repartição, nada mais errado. O ensino tem especificidades, ignorá-las é por em risco o próprio ensino.

Publicado por João Norte em 10:58 AM | Comentários (6)

novembro 08, 2005

Lá como cá, o mesmo erro do Ensino.

Os grupos que têm lançado a confusão e destruição em França são constituído maioritariamente por jovens dos 10 aos 14 anos. Mais que o falhanço do Estado Social vem mostrar o falhanço do sistema de Ensino baseado no saber teórico e livresco. O princípio da igualdade deveria atender á igualdade de oportunidades, de acordo com as capacidades de cada um, e à variedade da sociedade. De certo, os jovens magrebinos não estarão interessados no ensino da história francesa e os seus napoleões, no ensino livresco e “chato” das escolas fechadas até aos 16, mas na aquisição de uma profissão, uma aptidão que lhes dê acesso ao trabalho e consequente salário. Não faltarão, em França como cá, trabalhos desses. Faltam escolas profissionais, oficinas, ginásios, centros de recreio que sejam ao mesmo tempo centros de integração na comunidade. Não basta (se isso houvesse) a prestação do salário mínimo aos pais, é preciso a integração dos jovens em actividades, tirá-los da rua, considerá-los gente e não números.
Também por cá se vai pecando do mesmo erro, e não podemos ficar descansados pensando que é só lá longe. Fazemos part

Publicado por João Norte em 10:12 AM | Comentários (6)

novembro 07, 2005

O lado negro do lucro.

Não será preciso ler os filósofos para compreender embora lendo compreendamos melhor o beco em que esta sociedade assente no lucro cada vez maior e de costas voltadas para as pessoas se meteu.
O robot, o computador que deviam, com a sua rapidez e precisão, servir o Homem, afastaram-no. O lucro, que devia ser utilizado para maior conforto da sociedade, serve de maior exploração. Os detentores do capital, cegos com a ganância de cada vez mais lucro, não vêem o beco para onde caminham. Cada vez mais para menos, cada vez mais sem nada, deixando ao estado a responsabilidade de sustentar milhões como se fosse detentor de mágica financeira.
Nenhum economista ( modernas cabeças pensantes) avaliou os custos do desemprego como coisa da responsabilidade da mesma economia aparentemente bem sucedida. Apenas confiantes na força que os apoia sorriem.
Aí estão (só no início) os custos.
Que importa aos que nada têm queimar os carros e os armazéns? Não são seus e, pelo contrário, representam a afronta à sua dignidade espezinhada. Que medo pode ter um animal encurralado na fome? O que tem a perder?
Hoje em França, amanhã onde será?

Publicado por João Norte em 09:30 AM | Comentários (20)