As nossas televisões continuam, na sua habitual ânsia de audiência, a destacar a infeliz morte de um sem abrigo por um grupo de jovens.
Já vi e ouvi vários comentários e comentadores sobre o assunto. Discute-se se devem ser punidos com prisão ou ficar impunes, se devem ser internados no mesmo ou noutro centro, discute-se a nomenclatura dos centros, fala-se na alteração das leis.
Já ouvi procuras de justificação porque se tratava de um homossexual, já li acalorados ataques à homo fobia, ainda não ouvi nem li ninguém que pusesse em causa a formação que tiveram aqueles rapazes.
Trata-se de jovens criados num centro de acolhimento, jovens de risco, como é moda dizer, acresce perguntar se não acontecerá o mesmo com jovens alunos de qualquer escola pública ou privada. Em Espanha foram jovens filhos de família que mataram sem abrigos por pura diversão.
Não sou dos acompanha as marchas gay, nem compreendo que alguém possa evocar o orgulho gay, sou dos que aprenderam, e acho que se devia ensinar aos jovens é respeitar a diferença.
Sempre houve gays, prostitutas, lésbicas, como sempre houve pequenos e grandes, vesgos e de olhos bonitos, pretos, brancos amarelos.
Porquê então, neste início do Século XXI, se assiste, na Europa que tanto se orgulha da sua cultura cristã e humanista, a casos de tamanha insensibilidade?
Àqueles jovens não faltou a alimentação básica, nenhum é raquítico, faltaram valores. Por isso, entendo que, mais do que discutir as leis, mais do que discutir se a vítima era homossexual, drogado ou alcoólico, deve discutir-se que valores estamos a dar aos nossos jovens.
A hipótese de ter sido um grupo de adolescentes (10 a 16 anos) que espancaram um sem abrigo até à morte espanta o ministro, espantará toda a gente de bom senso. Todavia não era para espantar. Já aqui na blogoesfera houve quem levantasse a voz para esse problema ocorrido na vizinha Espanha e para o facto dos jovens serem insensíveis ao sofrimento. Pior, direi eu, é que são insensíveis e irresponsáveis.
Antigamente (no meu tempo de jovem) a idade de 15 anos era uma espécie de fronteira para lá da qual se exigia que os jovens fossem responsáveis e os pais e educadores educavam-nos para essa responsabilidade , agora infantilizam-se.
A noção de responsabilidade não cai do céu aos 18 anos, aprende-se em casa e na escola.
No texto anterior critiquei a medida anunciada pelo Sr. Primeiro Ministro de substituição dos professores no ensino secundário, nível em que os alunos devem ser responsabilizados pelo seu comportamento escolar e social. Nem de propósito.
Mas já agora que tal a substituição dos professores nas faculdades?
Porque não um regulamento para o ingresso dos alunos? Dou uma sugestão.
Os alunos deverão levar na sua pasta um porta-lápis, afiadeira, borracha, caixa de lápis-de-cor com bonequinhos, e para as novas tecnologias terão o telemóvel da última geração com fotografia da mamã. Terão sempre professores para os acompanhar, o professor de línguas pode substituir o de física molecular, o professor de direito substitui o de engenharia mecânica e assim por aí adiante. E é importante haver autocarros para os levar da faculdade para casa dos pais não vá aparecer algum pedófilo.
Assim teremos, com certeza, grandes académicos!
O nosso actual governo tem mostrado coragem em muitas medias que vem tomado, isso ninguém lhe pode negar. Porém, para tudo é bom o equilíbrio.
Sou apoiante deste governo, não fiquem com dúvidas, mas porque penso pela minha cabeça, daquilo que sei não me coíbo de fazer crítica.
Concordo com a substituição dos professores no Ensino Básico, os pais precisam saber que as suas crianças e adolescentes ficam em segurança, mas os alunos do Secundário têm no mínimo 16 anos, alguns com 20, já são crescidinhos. São alunos que geralmente têm trabalhos de investigação (leitura) para fazer, sabem e utilizam geralmente a Internet e as bibliotecas onde há outros professores e funcionários habilitados para os acompanhar.
Aulas de substituição neste nível de ensino é pura demagogia. Imaginemos um professor de Educação Física a substituir o colega de matemática, vai fazer o quê? Expor-se ao ridículo?
Criem-se vedações nas escolas, mantenham-se controladas as entradas e saídas de estranhos, controle-se a saída do aluno com o seu horário exija-se qualidade e assiduidade aos professores. Não exponham os alunos e os professores ao ridículo, a Escola e o Ensino devem ser sérios e locais onde as pessoas se sintam bem.
Um doente no Hospital Júlio de Matos.
_ Sr. Dr. Eu estou bom.
O médico
- Está? Já não foge lá para fora? Já sabe quem é?
O doente
- Sei muito bem, sou o Primeiro Ministro.
O médico.
- Muito bem. Assim já pode ir embora.
O doente.
- Quem vai embora é o sr. Dr., eu estou no meu horário de substituição.
É só ligar qualquer um dos três canais generalistas da televisão portuguesa o programa de hoje é o mesmo, MORFINA para o Zé-povinho.
A fazer fé na notícia do Correio da manhã, a “digníssima” drª Fátima Felgueiras aposentou-se em 2002 com uma pensão de 3499 euros porque ao tempo como autarca juntou cerca de 10 anos como professora no Ensino Secundário.
Segundo a lei em vigor em 2002 a dita senhora, como professora, teria que ter 36 anos de desconto e 60 anos de idade. Não é e/ou, é (e) .
Em 2002 aposentei-me eu, como professor do Ensino Secundário, licenciado, pós graduado, escalão 10 da carreira, porque tive de completar 60 anos de idade descontei 38 anos e foi-me atribuída uma pensão de 2795 euros .
Não sei que idade tem a dita senhora, mas como é que ela tem uma pensão de 3499?
Ideias SoltasDe todas as análises ao lamentável assunto das caricaturas o texto desenvolvido no “ Ideias Soltas” é do melhor.
Vão lá ver.
Já li coisas demais em textos e comentários sobre as caricaturas.
No texto anterior, com uma enorme gralha ( não perco a mania de escrever ao correr das teclas) tentei explicar o que entendo por liberdade (de expressão ou de outra coisa) e também por inteligência.
Tenho visto e lido coisas interessantes, por exemplo os textos do Zeca Telhado no “ tadechuva”, mas o que me irrita é ver e ouvir figuras que se julgam tão intelectuais ( como Rui Zink) não perceberem que tudo tem limites até a sua própria ignorância e presunção.
Eram inteligentes se fossem capazes de compreender quem tinham na sua frente e não apenas quando olham para o seu umbigo.
O mundo hoje não tem limites e todos temos que saber respeitar as diferenças mesmo que não se concorde. Se todos, em todo o mundo pensassem da mesma maneira o mundo parava.
Outra questão que estes “inteligentes” não entendem é que o homem é um ser emotivo e não som racional.
Vamos às intolerâncias: já esqueceram as guerras entre católicos e protestantes na Irlanda? Nesta mesma Europa que, agora, se arroga em dar lições a todo o mundo?
Não percebem que nós (ocidentais) atiramos aos muçulmanos com a nossa liberdade e eles atiram-nos com as bombas?
Não percebem que por detrás destas manifestações se movem interesses inconfessados? Que os senhores da guerra e do petróleo esfregam as mãos?
Já esqueceram os mortos de Nova Iorque, Madrid e Londres. Dirão: - não podemos mostrar medo! Pois não. Mas devemos mostrar inteligência.
Tenho acompanhado com alguma preocupação o problema das reacções muçulmanas às caricaturas e também as contra reacções de alguns iluminados pelas liberdades.
Não ser capaz de pensar que a liberdade tem limites, ou seja, a minha termina na liberdade do outro, é uma falta de inteligência. Outra falta de inteligência é não compreender que o mundo de hoje não tem fronteiras e que pagamos todos pelo abuso de alguns.
A imprensa, porque é pública e sem fronteiras, deve ter ainda mais cuidado com o uso que faz da liberdade. Não concordo com nada do que os muçulmanos estão a fazer contra as embaixadas, mas concordo muito menos com aqueles que, possuídos de uma cultura mais alargada, não sabem os que não devem ultrapassar.
No texto anterior disse temer pela reacção dos cristãos, neste momento preocupa-me as atitudes já tomadas por alguns comentadores pseudo inteligentes e pelas anunciadas concentrações.
Vamos buscar lenha para nos queimar.
Este poste pode ligar-se a muitos que aqui têm sido escritos.
As sociedades ditas democráticas lutaram durante anos para alcançarem a liberdade de que gozam hoje, mas muitos dos que a gozam não fazem ideia do que ela custou, de quão frágil que é, e do perigo que corremos pelo mau uso que fazemos dela.
Uma sociedade, seja ela qual for, tem sempre como base a cultura dos povos que a compõem, e a cultura engloba muitos elementos desde a língua à religião. Por todos esses elementos é preciso ter respeito. Não respeitar os elementos culturais de um povo é não respeitar esse mesmo povo. As diferenças são igualmente respeitáveis, sem diferença não haveria a norma. Mas a norma trem de prevalecer.
Há desrespeitos que podem sair-nos muito caros. Refiro-me concretamente à ousadia que alguns jornais europeus tiveram em publicar caricaturas de Maomé.
Não sou praticante de nenhuma religião, porém, compete-me respeitar as dos outros.
Qual seria a reacção dos cristãos europeus e americanos se os muçulmanos publicassem caricaturas de Cristo?
Temo que o façam. Os grandes problemas começam sempre por pequenas
Reinam na cabeça das pessoas enormes confusões.
O tema do “ casamento” entre pessoas do mesmo sexo tem sido um tema a que tenho fugido. Sempre tentei compreender a luta das pessoas por direitos, todavia, parece-me haver aqui confusão entre conceitos.
Que cada um faça da sua vida o que quiser, que cada um viva com quem quiser, faça sexo com quem e como quiser, de acordo. Outra coisa é o casamento.
O casamento não é acasalamento. Acasalamento é do foro pessoa e, por isso, livre. O casamento é uma “instituição” social, implica regras que vão desde direitos a norma educacionais.
Por definição, o casamento não pode existir entre pessoas do mesmo sexo, por muitas liberdades que lhe respeitemos.
Sei que virão muitos “ inteligentes” atacar esta ideia, vem chamar-me retrógrado, dizer que não sou coerente, que não sou moderno, que noutros países mais evoluídos já existe, sei lá!
Eu fico na minha.
Respeito as liberdades, mas elas têm limites.