Quais são os poderes do Sr. Presidente da República para “propor” pactos? Vai reunir com os parceiros sociais e estabelecer salários? Com as empresas para fazerem investimentos? Com os sindicatos para não fazerem greves? Vai aumentar as pensões?
Quando esteve no governo o Sr. Professor Cavaco Silva não havia idosos no interior do país? Nem assimetrias no desenvolvimento? Éramos os melhores da Europa?
O que é preciso fazer sabemos todos, o que perguntamos é quem faz, o que faz e quando faz.
Aquele discurso pareceu-me assim:
- Eu não fiz. Agora já posso falar porque a nada sou obrigado. Façam vocês e eu fico com os louros porque o Zé-povinho ainda não percebeu que eu não posso fazer nada senão falar.
O cinismo devia ter limites.
Porque hoje é dia do livro.
Não sou muito de ligar aos “dias de” mas tenho uma relação especial com os livros.
Desde a minha adolescência, numa pequeníssima aldeia de analfabetos, filhos de analfabetos, eu lia, às escondidas do meu pai, livros que pedia emprestados a um rapaz mais velho, o Patacas, que morava próximo e tinha livros.
Naquela aldeia, o único trabalho reconhecido era o trabalho do campo. Ler era uma actividade que não tinha para aquela economia nenhum interesse, o Patacas era considerado um “vagabundo” e eu corria o risco da mesma consideração. Por isso, lia escondido na cama ou sob a copa do carvalho fora do quintal, no pouco tempo que tinha livre aos domingos.
Este saudável vício que me acompanhou esgotou-me sempre as economias, tenho hoje mais de 2000 volumes, alguns raros.
Vou ter em breve o prazer de publicar o primeiro livro da minha autoria, fica aqui o primeiro anúncio, no segundo, que ficará para mais tarde, mas que já está pronto, coloco o Patacas como uma das minhas personagens pelo que lhe devo na minha relação com os livros.
Temos hoje outras fontes de cultura e informação (como esta) mas nada substitui o prazer de ler, de levar connosco um livro que nos faz companhia, de comungar as ideias com quem escreve.
Escrevo cruzando as palavras, alinhando-as, interligando-as em grupos simbólicos ao sabor dos meus sentidos, das minhas emoções, das minhas tristezas, das minhas alegrias, das minhas relações, amores e desamores. Um passa-tempo?... Este tempo que parece sobrar dos afazeres, como um espaço de nada, na vida suspensa das tarefas pré definidas. Um tempo em que posso pensar nas coisas de que gosto. Escrevo a Natureza, o verde das plantas, o branco da neve que reflecte o sol quando este brilha, a água que escorre da montanha e canta nas pedras dos ribeiros, a música dos pássaros alegres que fazem o ninho nas copas e cantam poemas de amor á luz da madrugada, o som das palavras e gemidos quando nos amamos, o bater dos corações, o brilho dos olhos quando, ao entardecer, caminhamos de mãos dadas na praia, e as ondas vêm quebrar o silêncio dos corpos que, na planura da areia quente ainda do sol de verão, se juntam numa apoteose da cópula desejada.
Escrevo na madrugada, desperto do sonho que me trouxe o passado em que amei com sofreguidão e sem pressa porque o tempo era só nosso e mundo parava à nossa volta.
Escrevo à noite, quando vagueio no mundo parado, em silêncio, após um dia de luta e dever cumprido.
Escrevo nas férias que não goze, porque faltou o tempo ou o dinheiro, essa peste que a sociedade inventou para nos agrilhoar.
Escrevo para dizer o que os silêncios calaram, e os gestos não foram bastantes para fazer tudo o que queria e tudo o que te devia.
Escrevo dando as palavras que mente fabrica, o que os sentimentos modelam e os dedos martelam, numa cadeia de gestos para chegar junto dos outros.
Escrevo para dizer que, perto ou longe, a distância que nos separa é nula porque continuamos, sem interrupção dos sentidos.
Escrevo no ar, poemas que não passam ao papel, porque o sentimento sobra e as palavras faltam, e sem gestos nem sons, continuo escrevendo em silêncio, porque no silêncio ouço a música que ecoa dos sonhos.
Tenho acompanhado o apelo feito pelo Nuno Guerreiro no “ rua da judiaria” para a colocação de velas no Rossio pelos mortos do massacre de 19 de Abril de 1506 e as reacções a este apelo.
Não podemos voltar atrás na nossa história, mas temos o dever de assumir os erros cometidos. Porém, estas reacções levam a perguntar:
Quantos portugueses sabem o que é que se passou em 1506?
Para além da sua brutalidade, do fanatismo e ignorância que lhe deu origem, que ideia faz a maioria dos portugueses de quanto Portugal perdeu com esse massacre, de quantos intelectuais e homens de ciência se perderam?
Apenas um pequeno número dos que conhecem e se interessam pela história.
E isto coloca-me outras perguntas.
Que caminho leva hoje o ensino da nossa história? Apenas um reduzido número de alunos tem, no Ensino Secundário, aulas de história e sem profundidade para fazer uma pequena ideia do que foi o nosso passado.
Durante a ditadura, com a sua colagem ao catolicismo, houve a preocupação de esconder a realidade da nossa história.
E hoje? Caminha-se para o desenraizamento total, numa falsa ideia de democracia universalista, apenas matemática e economicista, que fará dos povos meros números sem memória nem valores.
Não admira que o apelo do Nuno Guerreiro tenha desencadeado reacções. O catolicismo ignorante continua hoje mais ignorante ainda do que foi no passado.
Não irei ao Rossio porque moro longe mas não quero deixar passar esta data sem um a minha palavra de apoio ao Nuno e quantos se lembraram dela e do que representou.
Honra aos mortos sem culpa.
A Senhora ministra da Educação e a sua equipa já nos habituaram às decisões tomadas em tempo de férias, de um dia para o outro, conforme os ácidos do estômago ou o frio dos pés lhes estragam a disposição.
Mas esta de mandar regressar, por e-mail, imediatamente, os professores colocados pelo mesmo ministério e a mesma equipe governativa em condições especiais, antes de terminar o ano lectivo, não dá para entender.
Admitia-se que nesta altura os professores e as escolas fossem informadas do regresso destes profissionais no fim do ano lectivo, mas assim é de loucos. Ou será pura e simples perseguição a um sector que se odeia?
Vagueio por aí longe de ti.
Sem saber porquê fujo ao destino
Apago as palavras antes de ler.
Porque foram muitas as que escrevei.
O tempo traz as lágrimas que secaram
Para não sofrer aquilo que sofri.
Sinto ainda os sons que me ficaram.
Depois dos lamentos que
Em despedida um dia ouvi.
Escondo o meu rosto
Ao teu afago
Para não ter de repetir quanto te amo
E sigo em frente.
Para que me alcances
Num qualquer amanhecer
Da minha mente.
João Norte
Amigos e simples leitores habituais ou de ocasião boa Páscoa.
Eu vou até Londres.
Os acidentes nas estradas portuguesas são um flagelo que nos causa arrepios cada vez que nos metemos por elas sejam boas ou más.
Nem as elevadas multas nem as ameaças mais radar nada tem obtido uma significativa diminuição deste flagelo.
A solução deste problema, como de muitos da nossa sociedade, passa pela educação.
Não será por impor um limite de 0,2 ou 0,5 ou 0. qualquer coisa que se resolve este problema. Nisto as associações de vinicultores têm razão.
A produção do vinho nacional, uma das poucas coisas que ainda resta da nossa agricultura, é uma riqueza que deve ser apoiada.
Cabe ao governo, numa fase imediata apertar as medidas de fiscalização e aumentar as penas, e paralelamente a educação com acções permanentes que não se fiquem por meros episódios a que ninguém liga.
O vinho não é culpado por haver bêbados.
Há coisas que só pelo facto de existirem nos deprimem.
Seria impensável há 30 ou 40 anos que houvesse necessidade de uma linha SOS de apoio aos professores.
Isto mostra bem ao ponto que chegámos. Podemos argumentar que a sociedade mudou, que a distância entre o professor e a maioria dos cidadãos é hoje menor do que era, que alguns professores pela sua falta de vocação ou habilitação pedagógica não se impõem aos alunos mas os professores continuam a exercer as mesmas funções, ensinar e educar crianças adolescentes e jovens.
Quem está dentro deste assunto sabe que não são os jovens, isto é, os alunos do Ensino Secundário que agridem os professores, são as crianças e especialmente os adolescentes.
Ainda há poucos dias assisti quando esperava a minha filhota de 7 anos na porta de escola, um colega talvez com 8 anos empurrou uma senhora de cerca de 50 anos que entrava com tal brutalidade que por pouco não vinha cair no meio da estrada. Isto é mau mas verdadeiramente grave é que o pai do miúdo estava ali mesmo, pegou na mãozinha do filho bestinha e nem uma palavra de repreensão ou desculpas à senhora agredida.
Há uns 5 anos já, uma colega minha foi brutalmente agredida por um aluno do 8º ano (14 anos) dentro da sala de aulas, o conselho executivo entendeu levar o caso até ao tribunal os pais do “menino” nada sofreram, o “menino” nem uma repreensão e o sr. Juiz ainda achou que a culpa era da professora que não sob manter a ordem na sala.
Esta sociedade vai pagar muito caro todo este descalabro.