Aos amigos e visitantes de boa fé.
Por causa de uns filhas da.... que não têm que fazer e enchem os comentários de virus vou tentar encerrar a caixa de cometários.
Lamento.
Debaixo da nogueira dos meus avós
Recordo a voz,
Nos ambientes frescos do rio
Que se move como serpente
Por entre cana e salgueiros,
camadas de lírios brancos
E verdes algas,
Onde cresciam enguias,
Esguias à minha mão.
A minha ilusão cheira aos frutos
Que cresciam nas árvores do quintal.
As amoras negras, as uvas roxas,
As maçãs douradas e doces
Nas manhãs de orvalho coberto
Pelas brumas da paz que se elevam
Nas casas caiadas de branco
Do outro lado da Vila.
Velhos sentados na soleira
Jogam, sobre o banco,
As cartas gastas pela mãos calejadas
Das enxadas distantes,
E esperam viajantes
Que não voltam.
Na capoeira canta o galo
Capitão da banda,
E os pavões inchados
Mostram o magnífico leque
Brilhante,
Como navegante que iça a vela
E se faz ao mar,
Os dias deixam cair o manto da noite.
Ao longe ouve-se a água
Que corre na fonte,
Onde as raparigas vão encher
Os cântaros.
E cantam cantigas de amor,
A mirar-se no canal sem maldades.
Sentadas sob a parreira
As mães entoam baladas
Mais antigas que as raparigas
E vivem de saudades.
Tilintam os guizos das mulas
Por caminhos errantes
Dos feirantes,
Derramando nos lugares impuros
O seu grito ao dinheiro,
E o cheiro dos campos
Aromatizam na noite
A comida dos jornaleiros,
Enquanto engolem o pão suado
Da jornada.
Quase-nada!
Dançam no terreiro,
E sonham com visão de belas moças
Como se fossem felizes.
João Norte
Onde estarão os pássaros
Que cantavam no beiral?
Fugiram porque tu foste embora!
Onde irão nidificar agora?
Já não há música no jardim.
As roseiras morreram,
E as árvores definham,
São só ervas bravas que nascem ali.
Levaste contigo a última réstia
Da vida que se renovava,
E o pouco que ficava
Está gasto.
Nas leiras já não há pasto
Para alimentar cordeiros,
Não se ouvem os chocalhos
Das ovelhas.
Nem o alarido das mulheres lavadeiras.
Secaram-se os ribeiros.
Não há pombos arrulhando nos celeiros.
Na várzea não há milheirais
Nem espigas de milho rei
Para te dar um beijo.
Os velhos que contavam histórias
À sombra do sobreiro,
Do amigo que fora à tropa
E voltara da guerra inteiro
se dizia: Felizardo!
Partiram para o nunca mais.
Quantos estão naquele prado,
Que secou?
Os ninhos que espreitávamos na Primavera
Caíram com o vento frio do Inverno,
E o céu do nosso amor primaveril
Tornou-se num inferno,
Era ainda o mês de Abril.
João Norte
Olho ao longe, pela janela
Através daquela árvore brilha a Lua
A luz acompanha a sombra dela,
Na minha memória, sempre nua.
Sem roupas nem preconceitos,
Apenas bela e sem defeitos.
Caminhando, agita os lindos peitos,
Onde a imaginação goza deleites.
Sobre o meu sonho sopra o vento
Fugaz, na madrugada o desalento.
No espaço escuto sons de desencanto
No livro da história, página em branco.
João Norte
Este foi o promeiro poema meu que publiquei aqui em outubro de 2003
na ocasião ninguém o leu.
Sem pedires licença entraste
No meu sonho
E desvendaste as mágoas sofridas
No teu corpo quente.
Abrigaste na intimidade da madrugada
Dum corpo inquieto o impulso
De quem não sabe esperar o tempo,
De rosto parado na tristeza do desassossego.
E envolveste meu segredo
Na tua candura de ilha serena
Enquanto o mar nos cerca
Numa deriva de amor
Em praia infinita
Tornando-se rochedo.
João Norte
Ontem ouvi no jornal das nove (sic) a professora Maria do Carmo Vieira afirmar
:- “eu não sei o que me vai acontecer, mas recuso executar este programa de português proposto pelo ministério” Cito de memória.
Se o ecrã mo permitisse tê-la-ia abraçado.
Precisávamos muitos professores com a coragem desta senhora.
O vento da montanha que bate em meu rochedo
Traz-me os fantasmas do passado.
É sonho!... É medo!...
É a força da caneta
Que, inquieta, risca em alvoroço
As curvas do teu corpo afastado.
São chamas que ateiam inquietudes de desejos
Que crepitam no horizonte.
A morte que baila no rio
Maculando a água que bebemos
E onde banhámos nossos corpos,
Num abraço de amor
Gritado no silêncio da paixão.
Recriando as tuas músicas inventadas
murmuro de palavras doces
À minha mente,
Enquanto me diluo no teu corpo quente.
João Norte
Uma pergunta colocada em Parati Na Festa Literária Internacional.
-“As palavras vêm de outros livros, da rua, das influências, do desencantamento, das experiências de vida, da imperfeição ou do silêncio da leitura”. Disse Mário Cláudio
David Toscana acrescentou:
-“As palavras vêm da maravilha; a escrita é depuração espiritual: elas têm muito do espírito do autor” in Público de ontem.
Respostas muito ricas como seria de esperar de duas pessoas cuja obra despensa comentários.
Todavia apetece-me acrescentar alguma coisa.
As palavras vêm de outros livros. Sem dúvida! Já todas ou quase todas as palavras foram inventadas e escritas. Mas há muitos milhões de leitores e apenas umas centenas de escritores. Porquê?
Da rua, das influências, da experiência ou do silêncio da leitura. Idem! Todos têm experiência, todos vêem, todos silenciam.
Ficamos então com a resposta de David Toscana elas têm muito do espírito do autor.
É aqui; é acrescentando o espírito do autor a todo o resto que dá a origem das palavras; a forma como o autor lê, observa, sente, interioriza e silencia para recombinar as palavras e expressar o que sentiu e silenciou.
A escrita vem das “tripas”, disse um dia Gabriel Garcia Marquez.
Canta o rouxinol no rio,
Ao romper da madrugada
E todos ao desafio
Melodia bem trinada,
Cada um no seu salgueiro
Vão cantando o dia inteiro,
Hossanas da alvorada.
Por todo o vale se ouvem
Cantigas à desgarrada.
Canta a água na cascata
Saltando a pedra talhada.
Por todo lado há música,
Menos na minha pousada.
Foste embora e não deixaste
Endereço de morada.
O vento traz os aromas
De amorosas madrugadas,
Dos corpos que se envolveram
Em carícias demoradas.
Nevoeiros que a mente
Vais rompendo em caminhadas.
A saudade que já sinto,
Tornou-se-me tão pesada,
Que conto as horas afio.
Rouxinol canta no rio.
João Norte
um pouco de rima para recomeçar.
Bom, parce que não consigo deixar o link. Sou mesmo nabo nestas coisas. Paciência!
Queria apenas encurtar-vos caminho para aquisição do meu livro O Peso do Silêncio. Alguns amigos têm pedido o e-mail da Editora ele fica aí em baixo. Entretanto o livro está à venda podem inclusive pedi-lo na fnac.
Um abraço e boas férias.
ecopy@macalfa.pt
Vou tentar deixar o endereço da minha editora.