outubro 27, 2006

Eu previ isto.

NOVO PROJECTO DO ME PARA REVER O ECD:

INFLEXIBILIDADE DE POSIÇÕES É INSULTO À NEGOCIAÇÃO

O Ministério da Educação fez chegar às organizações sindicais de docentes uma versão, que considera final, do seu projecto de revisão do ECD.

Foi com profunda indignação que os Sindicatos de Professores confirmaram que nas propostas do ME nada se alterou de significativo relativamente às posições que assumira à partida deste processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente: as quotas, as vagas, as categorias (que têm o objectivo de impedir a chegada da esmagadora maioria dos docentes ao topo), o exame para ingresso, as regras muito prejudiciais do regime de transição entre carreiras, os efeitos negativos da classificação de "Regular", bem como das faltas legalmente justificadas por motivos de doença, a situação de grande instabilidade em que cairá a esmagadora maioria dos docentes que se encontram nos escalões de topo da carreira, o aumento dos horários de trabalho . TUDO!

O Ministério da Educação não teve em conta, no essencial, nenhum dos debates realizados ao longo do designado processo negocial que hoje, confirma-se, não passou de uma autêntica farsa!

Acrescem, a esta situação negativa, as declarações do Primeiro-Ministro, proferidas ontem, em Faro, que a Plataforma de Sindicatos considera uma tentativa de manipular a opinião pública ao afirmar que esta, finalmente, tinha admitido a introdução da avaliação na carreira dos professores e educadores. Só por ignorância ou má-fé, o Engenheiro José Sócrates poderá ter proferido tais afirmações caluniosas, que correspondem a grosseiras mentiras.

Este reiterado desrespeito em relação às organizações sindicais de docentes e aos professores e educadores, tanto pelas palavras do Primeiro-Ministro, como pelas propostas do Ministério da Educação, merecerá amanhã um veemente protesto na reunião que se realizará pelas 10.00 horas, nas instalações do CNE, entre a Plataforma de Sindicatos e o ME.

Para além do protesto, fica a promessa de que a luta dos professores e educadores continuará a corresponder à dimensão do ataque que lhes é feito pelo Governo.

Nota final: Através da publicação, ontem, do Decreto-Lei 200/2006, aos professores e educadores passarão a aplicar-se as regras da chamada mobilidade especial (supranumerários). O encerramento de escolas, a constituição de agrupamentos ainda de maior dimensão, o aumento dos horários de trabalho, entre outras medidas que o ME tem vindo a impor, traduzir-se-ão na possibilidade de, a curto e médio prazo, milhares de docentes passarem a supranumerários. Está criado mais um foco de conflitualidade que oporá os docentes ao Governo.

A Plataforma de Sindicatos
26/10/2006

Publicado por João Norte em 12:21 PM | Comentários (0)

outubro 23, 2006

Até eu me esqueci.

O intro.vertido fez 3 ano no Sábado 21.
Até eu me esqueci.
Isto de blogar está a perder o interesse. Não faltam assuntos, falta-me tempo e paciência.
Outras vezes, muitas, isto do Weblog não funciona. É a vida!...

Um abraço de agradecimento a todos que por aqui têm passado.

Publicado por João Norte em 08:40 AM | Comentários (2)

outubro 20, 2006

Que bela Pedagogia!

Sou um velho! Pelo “linguarejar” dos alunos actuais sou “Um Cota”
Pensava eu, na minha incorrigível ingenuidade, que não voltaria a ouvir um governante ameaçar, nem voltaria a ver os funcionários com medo.
Enganava-me!
O Sr. Secretário-de-Estado ameaça os sindicatos (e através deles os professores).
Ou assinam, ou o governo decreta à sua maneira.

Que belos exemplos de pedagogia!.....


Publicado por João Norte em 04:43 PM | Comentários (0)

outubro 19, 2006

"Prontes" já acabou

Será esta a frase de muitos pais que correm a entregar os filhos aos professores apelidados de incompetentes por muitos deles.

Foi bonito ver que os professores depois de tão humilhados fizeram greve (nem todos e foi pena)

Foi feio, muito feio, ouvir o Sr. Primeiro-Ministro que de homem de coragem está a virar demagogo, comparar os professores aos soldados.
Os professores são licenciados e profissionalizados.
Os soldados podem ser analfabetos.
Os professores são técnicos de ensino e educação que como tal devem ser pagos e respeitados.
Os professores são equiparados a capitães e majores.
Os ordenados não são comparáveis.

Foi muito feio o Sr. Primeiro – Ministro e a Sr.ª Ministra dizer que a cota de 30% de professores titulares seria para um melhor Ensino.

Isto é fazer do português parvo.
Senão vejamos:
Os professores titulares irão assumir os cargos de coordenador, orientador, membros do conselho pedagógico etc. logo darão menos aulas. Isto quer dizer que não 70% mas talvez 85 ou 90% das aulas serão dadas pelos professores não titulares, os tais menos competentes, mais mal pagos, mais desmotivados.
Onde estará a melhoria do ensino?

Publicado por João Norte em 08:49 AM | Comentários (1)

outubro 16, 2006

A não perder


Penso que será muito interessante os professores lerem esta crónica!
E "encarregados de educação", também...
A "sociedade civil" poderá deliciar-se...
Por enquanto, para sermos intelectualmente honestos ainda não temos de pagar imposto...
Ah, podemos ficar tranquilos, pois este professor não é comunista e, como tal, não corremos o risco de ser manipulados!...


9/Outubro/2006

"Ditadora", "autista" e "mentirosa", disseram eles
Santana Castilho

1.O que Lisboa viu no dia 5 de Outubro, 96 anos depois do nascimento da República e Dia Mundial do Professor, foi a maior manifestação de sempre de docentes portugueses. Simpatize-se ou não com o processo, mais de 20 mil professores (e os números são da polícia, que não de fontes sindicais) a dizerem na rua o que lhes vai nas almas, vindos de todo o país, em dia feriado, foi esmagador.
"Ditadora", "autista" e "mentirosa" foram alguns qualificativos endereçados à ministra da Educação, no calor da indignação. Se esta senhora integrasse um governo democrático e de esquerda, estaria agora a pensar. Mas uma voluntarista rudimentar como ela, que chega ao cúmulo de defender publicamente que se deve avançar mesmo que não existam condições para isso, que de Educação só vê cifras e números, mesmo sem os saber interpretar, não pensa.

2. Sendo que o carácter meramente formal da democracia em que vivemos parece não inquietar particularmente os portugueses, já o mesmo se não pode dizer quanto às clivagens que marcam hoje a nossa sociedade. Maliciosamente, políticos e gente de fluente "economês" têm-nas fomentado segundo a velha cartilha salazarenta do dividir para reinar, lançando o privado contra o público e os pais contra os professores (não se ufana a ministra de ter perdido os professores mas ter ganho os pais?).
Os mais de 20 mil professores que desceram a Avenida da Liberdade não protestaram apenas contra o aviltamento e contra o roubo. Protestaram contra a sociedade que este Governo de direita liberal cega está a impor-nos, trocando pessoas por estatísticas manipuladas e números falsos, e o concreto, pungente, pelo abstracto.
É fácil para os senhores que estiveram no Beato, sob a sigla "Compromisso Portugal", liquidar de uma só vez a vida de 200 mil funcionários públicos e famílias, sem que nos digam aquilo a que eles próprios se comprometem. É fácil para o governador do Banco de Portugal, confortado com o seu belo salário e protegido por uma reforma de privilégio, dizer que os salários dos funcionários públicos devem diminuir. O que é difícil é convencer os professores a andarem para trás enquanto os lucros bancários continuam por tributar, a corrupção grassa, a promiscuidade entre os interesses particulares e os do Estado persiste e os encerramentos de unidades produtivas viáveis se fazem em nome da sacrossanta economia de mercado.

3. A economia é uma caldeirada de ciências que deve ser usada para servir as pessoas, todas as pessoas, para uns. Para outros, a economia é um fim em si e falam dela como os taliban de Alá ou as beatas da Nossa Senhora de Fátima.
A maneira como se olha a economia permite distinguir a esquerda da direita. A esquerda não pode governar sem pesar a consequência das suas medidas na vida da Pessoa e das pessoas. É por isso que Sócrates e servos são a direita nua de ideias no poder. Sob o estandarte da rosa murcha, vão ao próximo congresso do partido, que ainda se chama socialista, sem opositores, com um inegável apoio do sebastianismo nacional. Era bom que a indignação atirada ao vento da Avenida da Liberdade ecoasse nos ouvidos dos portugueses. A espoliação que agora toca aos professores chegará a (quase) todos, vintém após vintém.

4. A crise e o clima social que gerou seriam claramente propícios a um emendar de mão, que contaria com a solidariedade dos professores. Mas não chegámos à pré-falência senão por culpa da elite política, dos partidos que nos têm governado e dos erros que, ano após ano, foram cometendo. Era bonito e mobilizador que o reconhecessem, antes de nos ir aos bolsos e às batatas dos nossos filhos. E já que se persignam hipocritamente nas cerimónias oficiais a que presidem, em nome do Estado leigo que representam, bem podiam fazer essa contrição pública em vez de nos elegerem como malfeitores sociais.
Foi contra a impossibilidade de corrigir erros de décadas num átimo e a necessidade de partilhar com os interessados as formas de o conseguir que os professores se manifestaram. Foi contra o escandaloso aumento do fosso entre ricos e pobres (segundo o INE, 10 por cento da população, os mais ricos, recebem mais que 50 por cento dessa mesma população, os mais pobres) que os professores protestaram.

5. Falei acima de estatísticas manipuladas. Que bom seria alguma televisão sentar frente a frente, em contraditório público, quem tem leituras diferentes dos mesmíssimos dados estatísticos. E se ficasse claro que apenas um parceiro europeu tem menos funcionários públicos que nós, que temos a segunda mais baixa despesa com saúde da Europa, que somos quem menos gasta em educação, que o número oficial de alunos por professor é uma treta e que os professores portugueses estão bem longe de ser os melhor pagos entre os pares, etc., etc.? Por mim, iria lá deliciado, confesso, e não vetaria interlocutores como a ministra da Educação terá feito para ir ao Prós e Contras. Prometo levar notas de vencimentos dos professores de vários escalões e um belo documento assinado pelo sindicalista Jorge Pedreira, quando então defendia exactamente o contrário do que hoje diz o secretário de Estado Jorge Pedreira, sobre a mesmíssima matéria das carreiras dos docentes.
Professor do ensino superior

Publicado por João Norte em 10:44 AM | Comentários (1)

outubro 15, 2006

O fantasma da bengala

Abro a gaveta dos sonhos
Que o tempo apagou.
Escuto a criança que palrou,
A inocência da vida por viver.
Acordo no sobressalto
Que abalou o corpo preso à cama
Da noite sem dormir.
Há já operários que labutam,
Os padeiros estão cozendo o pão.
Os galos, inconscientes,
Cantam por instinto e persistência.
Almejo a bengala do velho
Que não sabe sorrir
Porque a Primavera já não volve.
Sinto o silêncio da solidão,
Fantasma de mil dentes
Cravados no medo que me envolve,
Das noites perdidas na existência.
E rendo-me ao cansaço da tua ausência.


João Norte

Publicado por João Norte em 05:36 PM | Comentários (1)

outubro 14, 2006

A não perder.

Sobre a má fama dos professores
1. Há duas realidades essenciais ligadas aos problemas do ensino em Portugal. Em primeiro lugar, a ministra da educação tem razão na absoluta maioria das medidas adoptada (contesto fortemente o papel despropositado concedido aos pais e encarregados de educação na avaliação dos professores, que terá consequências muito perigosas na estabilidade das escolas); em segundo lugar, se há culpas a atribuir pelo estado calamitoso de que se revestem alguns aspectos do ensino em Portugal, elas cabem - por maioria - aos técnicos do próprio ministério e à burocracia "pedagógica e ideológica" que se instala periodicamente na Avenida 5 de Outubro (sindicatos incluídos).

Neste complexo, os professores - os que estão instalados no terreno - são o elo mais fraco de uma cadeia de comando em que, frequentemente, têm sido cobaias de vários génios, certamente talentosos, que, à distância, "imaginam" o ensino em Portugal. Quando falo no "terreno", quero dizer "as escolas", quero dizer os problemas de indisciplina com que têm de lidar permanentemente, os contactos com os pais, a realidade fatal das agressões nos corredores e nos gabinetes (por alunos e pais das criancinhas), a catadupa de legislação escolar em que têm de se especializar, as alterações muitas vezes absurdas das orientações científicas caídas do parnaso ministerial. Muitas vezes, aliás, por culpa do Ministério (que vive a desconfiar dos professores) eles não têm meios para reagir nem à indisciplina, nem ao insucesso escolar, nem às salas frias de escolas públicas onde falta gás para aquecimento, nem aos manuais escolares de qualidade confrangedora que o ministério autoriza a circular, nem aos - repito - génios certamente carregados de talento que, depois de requisitados às escolas, se ocupam de reformar periodicamente os programas e a gramática das suas directivas.

Se alguém se ocupar, durante alguns dias, a analisar grande parte dos documentos de natureza pedagógica e ideológica que emanam do ministério da educação acerca de coisas tão díspares como matemática, português ou disciplina na sala de aula, fica com a impressão de que um grupo de esquizofrénicos se entretém a punir professores e alunos com uma gramática desconhecida e absurda. Este é apenas um exemplo, mas haveria muitos. Leiam os materiais de apoio e rejubilem.

A ministra, trata os professores como uma corporação, à semelhança do que o governo entende fazer com os farmacêuticos ou os juízes e médicos. Errado. Depois de disciplinar a vida da escola, a verdadeira corporação resiste e sobrevive nos vários andares daquele pobre ministério cheio de - repito - génios certamente carregados de talento, mas que tudo têm feito para tentar destruir o ensino. Os professores são o elo mais fraco nessa cadeia de pequenos ideólogos formados à pressa nos anos setenta e que se encarregaram de matérias científicas, sindicais e pedagógicas com empenho semelhante. Isto pode não preocupar a ministra para já. Mas os professores sabem do que falo. E esse é o próximo desafio, se houver seriedade.

Francisco José Viegas in http://fjv-cronicas.blogspot.com/2006/10/sobre-m-fama-dos-professores.html

in Jornal de Notícias - 9 Outubro 2006

____________________________
Enviado por Amélia Pais
http://barcosflores.blogspot.com/
http://cristalina.multiply.com/

Publicado por João Norte em 05:36 PM | Comentários (2)

outubro 12, 2006

Vida inventada

Sinto a vida a esvair-se
Por entre as brumas dos Invernos
Já se agitam as sombras da eternidade
Ganham forma as coisas deste mundo.
Ao sopro dos ventos, em cada gesto
da consciência do homem,
Que vem do sono profundo
das palavras,
Que nasceram do amor,
Do primeiro acto e se foi gerando.
Sopram os ventos em cada gesto criador.
No esforço da composição do verso,
Faz-se a luz nos templos do Universo.
Na Natureza que nos alimenta os sentidos.
A cada passo escuto o amor,
Que se manifesta na grandeza do processo
Que faz pensar nos caminhos
Que só Deus conhece.
E vivo neste erro em que o poeta
Inventa seus dias,
Enquanto quer viver,
Cantando as tristezas e alegrias.


João Norte


Publicado por João Norte em 11:59 AM | Comentários (1)

outubro 09, 2006

Que Porra!

Santana Lopes nomeado para assessor jurídico na EDP com ordenado de 10 mil euros.
Possivelmente, vai acumular à reforma de primeiro-ministro, presidente da câmara etc., etc. e tal.

Estes não são funcionários públicos, pois não?! Nem povo?!

Como dizem os amigos alentejanos.

Que PORRA de país este!

Publicado por João Norte em 06:41 PM | Comentários (3)

outubro 08, 2006

Coisas extraordinárias.

Durante o ano de 2004 escrevi neste espaço uma série de textos a que chamei “memórias da minha infância”. Um desses textos intitulava-se “Férias em Paris”
Esta semana recebi um e-mail de uma senhora que não conheço dizendo-me o seguinte:
- Vi o seu texto “Férias em Paris”, e um comentário de pessoa que gostou, venho dizer-lhe que escrevi um livro “Espero por ti em Paris” penso que gostará.
Só que, neste momento, acho muito pouco natural que alguém vá procurar, no meu blogue, os textos arquivados em 2004, e, além disso, não terá acesso a comentários.
Há coisas extraordinárias! Não há?

Publicado por João Norte em 03:41 PM | Comentários (1)

outubro 06, 2006

Uma boa resposta. A não perder

Eng. António Ruas a Carta Aberta do Todos os Professores

Professores
A propósito das avaliações e do processo continuado de desacreditação dos
Professores que a Ministra quer impor à opinião pública, gostaria que os
Professores pensassem no seguinte:

Em vez de fazerem greves inócuas, que ainda por cima cheiram a férias
desapropriadas entre feriados, os professores deviam pensar seriamente em
cumprir integralmente nas suas escolas o seu horário de trabalho.

Passo a explicar:
Pela manhã, TODOS os professores se apresentavam nas suas escolas para
iniciarem o seu dia de trabalho. Agora vai ser necessário um pouco de
aritmética, mas da mais básica. Se um professor tem 3 horas de aulas num
dia, cumpre mais quatro horas de permanência na escola. Nessas quatro horas
é suposto corrigir testes, preparar aulas, elaborar enunciados das provas,
etc., etc. Tudo o que se relacione com a sua profissão e que normalmente está
habituado (mal) a fazer em casa.
É também suposto utilizar as secretárias, as cadeiras, os computadores e as
impressoras da escola para o seu trabalho. É que também é suposto que,
antes de exigir resultados, a escola lhe forneça condições de trabalho. No final
das sete horas de trabalho diário (7 x 5 = 35) saíam da escola para casa,
deixando na escola o trabalho que ficou por fazer.
Facilmente os Conselhos Executivos chegarão à conclusão que a escola não
oferece condições aos professores para que estes trabalhem, e terão que o
comunicar ao Ministério, ou não há seriedade dos Conselhos Executivos.
Ou tentarão os Conselhos Executivos agir de forma a convencerem os
professores de que como estes se acotovelam na escola o melhor será irem
para casa?
Mas poderão os professores ser penalizados por quererem exercer o seu
trabalho no local de trabalho que lhes está por natureza determinado?
Deixem de ser um bando e passem a actuar como um grupo. TODOS para as escolas desde manhã a cumprir o horário de trabalho na escola, o local de
trabalho natural.
Atasquem completamente as escolas com a vossa presença e deixem que a
ausência de condições de trabalho faça o resto.
Deixem-se de greves inócuas e atrapalhem verdadeiramente o sistema de forma legal.
Provem de uma vez por todas que querem trabalhar e que este patrão não vos
dá condições de trabalho apesar de vos exigir resultados, e ainda por cima
enxovalhando-vos continuamente.
(…)
Sejam de uma vez por todos PROFESSORES UNIDOS.
Se assim não for, rendam-se às evidências e façam o trabalho dos auxiliares
educativos como se passa na Guarda ao tirar faltas, ao levar livros de
ponto para as salas, ao levar meios audiovisuais pessoais por a escola não ter,
que ajudam o ministério a poupar uns cobres.
E NÃO SE QUEIXEM.
Para quem não sabe, não sou professor.
Sou um reles engenheiro que às vezes pensa nestas coisas, muitas delas
quando às quatro ou cinco da manhã grito para a minha mulher que está no
escritório a corrigir testes e pergunto se não se vem deitar.
Agora façam a vossa parte. Façam forward deste email para todos os vossos
amigos, especialmente os professores. Comecem a divulgar esta ideia e pode
ser que tenham um futuro melhor.

Publicado por João Norte em 02:46 PM | Comentários (2)

outubro 04, 2006

ECD/ 3 a não perder

Um pequeno contributo para a sua análise
REVISÂO DO ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE

A uma primeira leitura do documento, a impressão global que assalta estranhamente o leitor é a de que está perante uma visão da realidade onde tudo é linear, simples e planificável. Quem quer que tenha da profissão docente, seja pelo exercício profissional directo, seja pelo estudo, reflexão e acompanhamento, a experiência da complexidade, da exigência ético-política, da permanente instabilidade das referências da acção, do improviso e permanente imprevisibilidade a que está sujeito o saber e as práticas profissionais dos professores e educadores, não pode esconder, no mínimo, um gesto de estremecimento, talvez de raiva, impotência e angústia, por nunca, ao longo das muitas páginas com que o legislador se ocupa da vida profissional dos educadores e professores, haver um único passo do texto que testemunhe o reconhecimento daquelas dimensões, hoje determinantes, da profissão docente.
Dir-se-á que tal se ficou devendo ao carácter técnico-jurídico e administrativístico que um documento desta ordem deve cultivar. E crê-se que é justamente esta a perspectiva que o legislador gostará (ou gostaria) de imprimir à realidade, como se ela (a realidade) fosse tanto mais submissa quanto a vontade do legislador lhe é indiferente.
Considera-se, obviamente, que a preocupação jurídica e a linguagem administrativa são elementos constitutivos da realidade a que se reportam e admite-se que o legislador queira ser fiel a este desígnio, isto é, a de tornar homóloga da legislação a realidade para a qual legisla. Se esse é o princípio geral de todo o legislador, no caso vertente, o que está em causa, porém, é o carácter da opção que subjaz ao desígnio que está em marcha. Limitar-me-ei a pôr em evidência três traços – que me parecem maiores - dessa opção.
Em primeiro lugar, um certo autismo discursivo que vai muito para além do que disporia o formalismo técnico-jurídico aplicável à actividade reguladora do Estado, que tem de salvaguardar, como se reconhece, a universalidade e a objectividade da sua acção.
No caso em apreço, o discurso vai além dos princípios e enunciados gerais que remetam para uma plausibilidade esperável no âmbito da cultura docente, tendo em atenção a sua história, a sua identidade, a sua responsabilidade ético-profissional, e parece fixar-se e comprazer-se de forma especial naqueles domínios profissionais onde não só a conflitualidade profissional é maior, como é escasso o suporte científico-técnico, o que, a fortiori, recomendaria, no plano discursivo, o recurso à cultura comunicacional e à linguagem que a inspira. Não é esse claramente o caso, como se pode reconhecer ao longo de todo o artigo 41 da Secção II – Avaliação do Desempenho, mas especialmente nos seus pontos 1 e 2, onde a fundamentação da avaliação do desempenho é tranquilamente confundida com controlo e adaptação aos contextos, sem que nunca se invoque o desenvolvimento do sentido crítico, a solidariedade institucional e profissional e o espírito de cooperação e de grupo.
Um segundo traço que domina o discurso e o torna solipsista é a sua sujeição aos cânones do eficacismo docente. A preocupação com os resultados escolares é uma constante - recorrente ao longo do texto é o uso do termo “resultados escolares” – sem que assuma qualquer evidência no texto a presença de objectivos comprometidos com o desenvolvimento integral dos alunos, com a cultura da sua participação cívica, com a promoção de actividades que integrem a produção escolar numa cultura de sentido pessoal e social. Esta preocupação com o eficacismo da acção docente elege claramente o professor, enquanto entidade individual, como a peça central da produção escolar em termos de resultados, como é especialmente visível no plano da avaliação do desempenho (art. 46, nº 2), em que os primeiros indicadores a considerar são a) – nível de assiduidade, b) – resultados escolares dos alunos e c) – taxas de abandono escolar. Esta cultura eficacista veiculada pelo documento em análise prolonga-se em efeitos colaterais de toda a ordem, mas o que parece destinado a exercer um grande protagonismo na futura carreira profissional dos docentes será a institucionalização da cultura dos prémios que passa a reger a “corrida” profissional.
Um terceiro e último traço corresponde à sujeição do desenvolvimento da carreira docente não apenas ao Ministério da Educação, mas também ao Ministério das Finanças, conforme determina o Artigo 28 que estabelece a determinação de competências para efeitos de ajustamento dos quadros de pessoal docente. Se esta não é uma prática nova no âmbito das políticas educativas, os termos em que o novo Estatuto se propõe administrar a carreira docente constitui uma verdadeira “revolução institucional” cujos efeitos vão muito para além dos esperáveis sobre a “poupança pública”. Na verdade, se o acesso aos vários patamares da carreira e, designadamente, à condição de professor titular, ficam a reger-se por quotas administrativamente fixadas, parece estar criado a partir daí um conjunto de condições político-institucionais que não só infernizarão as relações profissionais dos professores, como contribuirão para aprofundar, ainda mais, as tendências para a prática do individualismo e da concorrência no interior das escolas.
Se há profissão onde devam ser fomentados os valores da esperança, da utopia e do optimismo e preservado o sentido da cooperação e da justiça, essa é a do professor, mormente nos tempos de chumbo que se avolumam. A revisão do Estatuto poderia constituir uma oportunidade de eleição para o fazer, apelando à mobilização, ao debate, ao relançamentos dos grandes desafios que o futuro nos reserva.
Será isso ainda possível?

Autor do Artigo
Manuel Matos
FPCE, Univ. do Porto
mmatos@psi.up.pt

Recebido por e-mail, aqui se transcreve com a devida vénia ao autor.

____________________________
Enviado por Amélia

Publicado por João Norte em 12:27 PM | Comentários (0)

outubro 02, 2006

Desclassificado pelo porteiro

A escola onde trabalhei 36 anos tem um parque de estacionamento enorme.
Hoje fui lá buscar a minha fihota de 8 anos.
Impedido de entrar, lembrei ao porteiro que me considerava professor, daquela escola onde trabalhei 36 anos, embora esteja aposentado.
Resposta do “categorizado” funcionário:
- foi professor, mas já não é!... não entra porque eu não deixo!...

Aqui têm um belo exemplo da categoria em que este governo colocou os professores. Capachos...

Publicado por João Norte em 06:34 PM | Comentários (2)

outubro 01, 2006

Tragam-nos um Freud.

Depois do 25 de Abril, nós, os portugueses temos saltado de uma perna para a outra, que é como quem diz, do PSD para o PS e vice-versa, sempre na esperança de melhor economia, melhor justiça, menos corrupção.
Nas últimas eleições grande maioria entendeu como grande esperança essa mesma maioria e acreditou nas promessas de um governante jovem teimoso que parecia ser capaz de retirar aos “ grandes senhores” algumas das suas regalias e fazer alguma justiça aos pobres.
Pelo menos, eram estas as suas promessas mais apregoadas, mesmo logo após ser eleito.
Passado este tempo, temos os grandes senhores cada vez maiores, e os pequenos cada vez mais roubados.

A SANHA deste governo contra os professores e contra os funcionários (pequenos porque a partir de director acham que já não são) só tem explicação numa TARA incurável.
Tragam-no um Freud!

Publicado por João Norte em 12:58 PM | Comentários (1)