dezembro 21, 2006

Boas Festas.

A paciência para escrever já é pouca. Mas a partir de hoje até ao dia 3 de Janeiro de 2007, é para reunir a família, por isso não é muito provável voltar a escrever aqui.

Deixo o meu voto de feliz Natal e Ano Novo a todos os que partilham deste grande espaço de comunicação “ A blogoesfera”, bem hajam.

Publicado por João Norte em 06:14 PM | Comentários (2)

dezembro 18, 2006

O Natal na minha aldeia morreu.

De vez em quando volto. Parece ser uma fatalidade comum, todos sentimos aquela atracção do regresso como se as rizes nos prendessem ao solo em que nos plantaram como as árvores.
Porquê? O que é que nos faz voltar? Já escrevi aqui há meses que, após a morte dos parentes que lá ficaram nada me atraía àquele espaço.
Porém, estava redondamente enganado. Já não tenho parentes na minha aldeia, amigos propriamente nenhuns e poucas pessoas que lá vivem me conhecem ou se lembram se mim.
O que é existia que ainda exista? As referências. O rio, os caminhos, as cores, os cheiros, as árvores, sobretudo as árvores saltam à memória, desenterram os mortos, agitam-nos com se fôssemos sacudidos pelo vigor da infância, acarinhados pela inocência da nossa meninice.
Junto ao local onde nasci, junto ao caminho de lama, mesmo no topo norte do casal dos meus pais, onde a minha mãe nasceu, existia um velho carvalho. Dizia o meu avô que o tinha plantado quando era rapaz novo. Eu sou o mais novo de 5 irmãos, a minha mãe a mais nova de 4 irmãs, o meu pai o mais novo de 10 irmãos. Aquele carvalho tinha quase 2 séculos. Era enorme!
Era ali, à sombra daquele carvalho que se juntavam os poucos homens da pequena aldeia para conversar ou jogar uma partida de cartas. Era ali, debaixo do enorme carvalho que se acendia o tronco na noite de Natal.
Foi à sombra do velho carvalho que ouvi o meu avô contar as histórias das suas aventuras de quando era novo.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que me ensinou o movimento da lua e das estrelas.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que dei o meu primeiro beijo, sofri as primeiras paixonetas.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que cresci e me fiz um homem.

O velho carvalho não está lá. A moderna estrada de asfalto arrancou o velho carvalho.
Na aldeia já não há Natal. Talvez haja dentro de algumas casas, mas o Natal da aldeia morreu, como morreu aquele carvalho, derrubado pelo modernismo.

Odiei as modernas estradas de asfalto.

Publicado por João Norte em 05:24 PM | Comentários (3)

dezembro 15, 2006

As escolhas editoriais.

Há dias disse aqui em baixo que não me apetecia escrever ou o que escrevia não achava adequado para publicar no blogue.
Porém, hoje vou ainda mais longe.
Escrever para quê?

Aqueles que lêem o intro.vertido já sabem que publiquei o romance.
Talvez não valha nada. Talvez...
Quem o leu diz que é bom, que é bonito etc.

Tenho outro para publicar e estava a escrever o 3º. Cada vez uma história mais complicada, novas experiências narrativas... enfim.

Escrever não é difícil, difícil é publicar.

Há umas semanas fui a uma apresentação das obras do Rodrigo Guedes de Carvalho. Escreve muito bem. Não restem aqui confusões.

O Rodrigo estava acompanhado por uma senhora representante da editora Dom Quixote, como convém.

A referida senhora, nas suas breves palavras disse: (cito de memória)
- A Dom Quixote tem muito gosto em editar as obras do Rodrigo, pois, como sabem, esta editora faz questão de só editar os melhores.

Hoje, passando os olhos pelos jornais, não pude deixar de ler.

O livro “Eu Carolina” é editado pela Dom Quixote

Não há dúvida!...

Como se sentirão os autores, realmente bons, editados pela Dom Quixote, acompanhados por aquele lixo?

Mas tive uma ideia.
Vou fazer um livro com 200 páginas, cada uma terá apenas uma palavra "MERDA" tenho a certeza que será logo publicado.

Publicado por João Norte em 06:14 PM | Comentários (5)

dezembro 08, 2006

Retirado do "Citador"


Republico aqui parte de um texto publicado no blogue "O Citador" com todo o respeito.


O Excesso de Conhecimento sem Discernimento
Herdamos conhecimentos e invenções de todos os séculos; ficamos portanto mais ricos em bens do espírito: isso não nos pode ser contestado sem injustiça.

Mas estaríamos nós próprios enganados se confundíssemos essa riqueza herdada e de empréstimo com o génio que a dá. Quantos desses conhecimentos adquiridos são estéreis para nós! Estranhos no nosso espírito onde não tiveram origem, acontece muitas vezes que eles confundem o nosso juízo muito mais do que o esclarecem. Arcamos sob o peso de tantas ideias, como aqueles estados que sucumbem por excesso de conquistas e em que a opulência introduz novos vícios e desordens mais terríveis; porque pouca gente é capaz de fazer bom uso do espírito alheio.

Luc de Clapiers Vauvenargues, in 'Das Leis do Espírito'

A análise deste texto leva-nos a ponderar sobre muitos dos comportamentos da sociedade actual. Não podemos negar que os conhecimentos aumentaram, mas os comportamentos de muitos cidadãos com um elevado nível de instrução deixam muito a desejar; basta ver o que se passa nas nossas escolas, desde o ensini básico ao superior. Assimilámos os ensinamentos mas não sabemos reflectir sobre eles. Somos meras " esponjas" sem capacidade de análise e sem valores de comportamento.
É triste!

Publicado por João Norte em 06:19 PM | Comentários (1)

dezembro 07, 2006

Perguiça ou desmotivação.

Apetece-me escrever. Quer dizer...apetece e não apetece.

Há tempos que não escrevo nada para este espaço. Aquilo que vou escrevendo parece-me pouco adequado. Olho em volta; isto é, olhos os outros blogues e vejo a mesma perda de entusiasmo. Resiste a crítica política. Da crítica à ministra da educação já não vale a pena falar, a senhora continua na sua cruzada, para a qual está paga e foi contratada.
É persistente e cumpridora.
De futebol também não vale a pena.

Do Iraque?! Ó deuses...livrem-nos deste pesadelo!

Dos voos da CIA? Estamos conversados.

É Natal! Vou visitar a minha aldeia, voltar á conversa com a minha amiga de infância, talvez daí venham algumas palavras.

Um abraço aos amigos.

Publicado por João Norte em 08:57 AM | Comentários (3)

dezembro 02, 2006

O SEntido do Feriado.

Para muitos dos portugueses de hoje, o feriado de um de Dezembro é apenas um dia sem trabalho. O sentido histórico foi-se perdendo, ou porque alguns entendem que festejar a Restauração é uma agressão aos espanhóis, ou porque sendo, hoje, ambos os países membros da União Europeia, isso não faz sentido.
Eu não sou um nacionalista no sentido negativo do termo, acho que perdemos o ensino da história e, com ele, o sentimento de pertença a uma cultura.
Porém, para alguns, especialmente os monárquicos, o um de Dezembro é festejado como a restauração da monarquia.
Acho isto um erro. O que foi restaurado foi a liberdade de um povo independentemente do regime que o governava.
Parece-me que se tem desvalorizado demasiado este aspecto. Mas depois da atitude a que temos assistido por parte de alguns ditos (por si próprios) republicanos de bajulice ao Sr. Duarte Nuno, já nada me espanta.
Não tenho nada contra o Sr. Duarte Nuno, é um homem simpático. Fiz com ele uma viagem de visita a Marrocos, conversámos e discutimos muito, eu sempre o tratei por Sr. Duarte Nuno e ele sempre manteve a mesma simpatia.
A nossa República tem quase 100 anos e não penso que voltaremos a ter monarquia. Nunca aceitei que os homens nasçam diferentes, nem vejo que o Sr. Duarte Nuno represente seja o que for neste país.
Por isso, fiquei espantado há dias quando vi o Manuel Alegre abraçado ao livro do Sr. Duarte Nuno (livro sobre a monarquia do Sr. Duarte) como já tinha ficado espantado com Mário Soares no baptizado do Afonsinho em cerimónia especial.
Com republicanos destes, o Sr. Duarte Nuno tem razão, a República não serve.

Publicado por João Norte em 03:11 PM | Comentários (0)