Ministério da Educação, Real Estate
26.02.2007, Santana Castilho
Depressa poderemos dispensar todo o Estado, poupando-o à maçada de se ocupar da diplomacia, da defesa e da justiça
OGoverno e o Partido Socialista, melhor dizendo, José Sócrates, porque uma e outra instituição não existem senão como instrumentos de legitimação do absolutismo do primeiro-ministro, entendeu que as políticas de gestão do parque escolar público devem transitar para o domínio empresarial. Vejamos o que se retira do regime jurídico da nova entidade pública empresarial, "Parque Escolar, EPE", publicado no Diário da República de 21 de Fevereiro de 2007:
1. A retórica que justifica o diploma é conhecida. Retoma os dogmas do liberalismo para impor que o público é diabólico e o privado angélico. Infelizmente, a realidade não muda com as fixações obsessivas de Sócrates. O problema não é o de ser público ou privado, mas o de ser bem ou mal gerido.
2. Este diploma é nojentamente hipócrita: num contexto de redução de organismos e funcionários públicos, cria uma empresa para fazer as mesmíssimas coisas; reconhece a ineficácia de processos mas não tem coragem para os reformar; torneia-os, criando novas estruturas para escapar ao que o discurso politicamente correcto continuará a defender. Dois exemplos: a) a nova entidade pode vender, comprar e contratar por ajuste directo. Se os concursos públicos são empecilhos, deixem de os invocar como instrumento de transparência e boa gestão. b) A nova entidade é agora dona e senhora de sete escolas secundárias localizadas em zonas nobres de Lisboa e Porto. São milhares de metros quadrados urbanizados, consignados a uma empresa pública que deve, e cito do diploma, "... conceber, desenvolver e gerir unidades de negócio destinadas a potenciar receitas de exploração das escolas secundárias ..." e que "... pode, acessoriamente, exercer quaisquer actividades, complementares ou subsidiárias do seu objecto principal, bem como explorar outros ramos de actividade comercial ou industrial...". O mesmo governo que apregoa a autonomia das escolas retira aos seus gestores qualquer direito sobre um dos instrumentos de gestão mais básicos, o espaço físico. Não será uma aberração? O que é isto de "potenciar receitas de exploração das escolas"? Não é legítimo pensar que grandes negociatas estão para vir? Foram os quartéis, poderão ser as escolas.
3. Contrariamente ao que passou para a opinião pública, a nova entidade não se vai ocupar apenas das escolas secundárias. A sua acção pode estender-se a todas actualmente sob tutela do Ministério da Educação.
4. Esta novel empresa pública é bem mais que uma simples empresa. Tem poderes para expropriar, embargar, cobrar taxas e decretar demolições. Cruzem-se estes poderes extraordinários com o que acima se transcreveu e imagine-se o que aí pode vir. Preparem-se as clientelas: podem ser instaladas delegações em qualquer ponto do país, as admissões escapam a qualquer congelamento e os salários dos trabalhadores são de fixação livre. Os membros do conselho de administração têm o estatuto de gestores públicos, o que lhes garante as indemnizações da ordem.
Ora aqui está um modelo reproduzível. Podem criar uma empresa pública para cobrar os impostos e resolver o problema do salário do dr. Macedo. Outra para fechar as urgências, até o Grupo Espírito Santo ter os hospitais por conta. Depressa poderemos dispensar todo o Estado, poupando-o à maçada de se ocupar da diplomacia, da defesa e da justiça. Um só chega para responder pela desresponsabilização em curso: Sócrates, ele próprio, o Único.
Professor do ensino superior
in Público de 26.02.07
A senhora Ministra da Educação deve estar felicíssima. Ela e o Senhor Primeiro-Ministro, ambos foram professores, ele pouco tempo, nem sequer tem habilitações para o ser; para ambos o professor parece ser uma figura a abater; nunca, perante as notícias e as cenas de agressão aos professores, tiveram uma palavra para dizer “ Basta”!
Não são apenas questões de ordem económica que movem este governo em relação aos professores, é desrespeito.
20 anos depois da morte de Zeca Afonso comtinuamos a sentir:
- “eles comem tudo”
É Carnaval, as pessoas divertem-se ou fingem divertir-se. Parece que foi instituído que as pessoas devem divertir-se e o governo, as autarquias não regateiam esforços e verbas para satisfazer essa necessidade de diversão.
Entretanto o mundo, o País continua nos seus desmandos. O Carnaval serve às mil maravilhas para desviar atenções. E, assim, escapam escândalos e afirmações que, só por si, são a medida desses escândalos.
Reponho uma. Disse Carmona Rodrigues, o Presidente da Câmara de Lisboa:
- “Se todos os autarcas que são arguidos num processo se demitissem, o país parava”
Frase lapidar!
Realmente, se fizermos um pequeno esforço de memória, desde Marco de Canavezes, Felgueiras, Guarda, Oeiras e tantos outros, esta frase mostra-nos a podridão que grassa no país e nos seus responsáveis e, coisa bem pior, como nos fomos habituando a que, tais “senhores” continuem a ganhar eleições e a governar as nossas cidades como se de impolutos se tratasse, e sem vergonha, se assumem tal como são.
Viva o Carnaval!
A nossa Maria merece...
"De acordo Com O Correio da Manhã, Maria Monteiro, filha do antigo
ministro António Monteiro e que actualmente ocupa o cargo de adjunta
do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros vai para a
embaixada portuguesa em Londres.
Para que a mudança fosse possível, José Sócrates e o ministro das
Finanças descongelaram a título excepcional uma contratação de pessoal
especializado.
Contactado pelo jornal, o porta-voz Carneiro Jacinto explicou que a
contratação de Maria Monteiro já tinha sido decidida antes do anúncio
Enviado por e-mail.
Nota minha.
O meu filho também lá está, mas por um concurso para uma empresa de construção civil, que depois não lhe pagou, e se hoje está numa boa empresa, teve de passar " as paças do Algarve". NÂO É FILHO DE MINISTRO!
Como todos os “ bons portugueses” ingénuos e crentes, continua a acreditar e a esperar que este país onde nasci, onde brilha um sol que faz inveja a muitos países mais ricos, algum dia entre nos carris da modernidade. Porém, a modernidade não se mede pelos quilómetros de auto-estradas nem pelo folclore dos governos, mede-se pela educação, pelo carácter e responsabilidades dos cidadãos; e, nisso, parece que teimamos em andar para trás.
Como se não bastassem os apitos dourados, temos o caso da Câmara de Lisboa que é mais um aflorar do negócio “ Parque Mayer/ Feira Popular” de Santana e os “administradores/gestores/assessores” da Refer e CP.
E o desgraçado Zé-povinho continua a ser explorado. O funcionário público sacrificado.
Aqueles “senhores” são funcionários de quê? Que entidade supra “ Rés publica” pagará aqueles ordenados? E aquelas “luvas”?
Quando o Sr. Primeiro Ministro e os Srs Ministros proclamam que “ ninguém está acima da Lei, admiro-me como não s engasgam com sapos.
Olá amigos da blogoesfera.
Regressado de uns dias por terras de S. Majestade a Isabel, sem muito para contar.
As notícias de lá correm nas nossas TVs, contrariamente às nossas que lá ninguém lhes liga. Mas lá também não houve muitas: uns escândaloszitos na venda de uns títulos, umas trapalhadas do Blair, os “terroristas” presos, uma carta-bomba em Londres, que fez cancelar meia dúzia de comboios e me obrigou a esperar meia hora numa estação, coisas banais. Por falar em comboios, acho que é a única coisa de realçar naquele país, são caros mas óptimos.
Uma notícia que ainda não sei se correu cá com o relevo que lhe foi dado lá; descoberto o vírus da gripe das aves numa quinta de uma das maiores cadeias de produtores de carne, embora as televisões mostrassem a toda hora as quintas e as medidas tomadas, os ingleses continuava a comprar e comer frango. Se fosse cá, os supermercados ficavam vazios, porque os portugueses não percebem que o perigo não está na carne.
De resto, aquela terra é o Alentejo ao contrário. No Alentejo a terra é castanha e casas são brancas e bonitas, lá a terra é toda verde e as casas são pretas e feias. As ovelhas e vacas são parecidas, só variam em número.
Pronto. Aqui têm um “retrato fiel” da Inglaterra, onde fui presenteado com uma semana de solinho e 3 graus negativos à noite.
Querem saber mais vão lá, mas levem casacos.