Estou a ler o último livro de Lídia Jorge, autora por quem tenho muita admiração.
Apeteceu-me completar alguns dados da sua biografia e fui encontrar num blog “Papiro “ um texto da mais infundada crítica literária. O autor do blog diz que só leu 180 páginas do livro que tem 380 e já sabe por abaixo. É geral em quem não é capaz de escrever.
Diz o autor do “Papiro” que nem ele nem os amigos dele sabem o que a palavra “loft”utilizada por Lídia Jorge. Devia ter consultado um bom dicionário antes de correr a dizer mal. Que culpa tem a Lídia da ignorância deles?
Como não tem comentários abertos, aqui lhe deixo o caminho :- Houaiss tomo lV . Pode ser que alguém com acesso ao seu blog lhe faça chegar este texto.
Hoje fui às compras com a família. Os fins-de-semana dão-nos esta hipótese de partilharmos com a família aqueles momentos der rotina obrigatória no nosso quotidiano. Tenho o privilégio de morar numa cidade onde há um dos mercados melhor abastecidos de fruta. O mercado das Caldas da Rainha conhecido pela “ Praça da Fruta”. O domingo é o dia em que os pequenos produtores da região aproveitam para vender directamente as suas poucas produções. Não faltam ali as frutas e hortaliças frescas da região.
Levei a minha filhota de oito anos. Quis que lhe comprasse nêsperas porque nunca tinha provado. Isto colocou-me a diferença entre a sua juventude a minha. Ela nasceu na cidade eu nasci e cresci no campo entre frutas, hortaliças e animais; o nosso mundo é tão diferente que eu não me tinha apercebido que a minha filha não sabia o gosto das nêsperas. Este episódio trouxe-me à mente uma das estórias da minha infância. Perto da casa do meu pai situava-se a quinta do Padre João, pároco da freguesia. Não faltavam nêsperas nas terras do meu pai, mesmo junto ao poço donde retirávamos a água para a casa havia uma enorme nespereira onde as nêsperas eram tantas que sobravam da família. Talvez porque sempre desde criança tive este “ bichinho” de contrariar o que é grande, o padre era pessoa importante a quem não era possível contrariar, eu não comia as nêsperas do meu pai e ia roubá-las na quinta Padre João. Um dia, quando tinha uns 9 anos, estava eu gozando da minha façanha empoleirado numa nespereira, e o Padre apanhando as nêsperas nas abas mais baixas e ralhando comigo. No domingo seguinte inventei uma desculpa para não ir à missa, e durante semanas tremi só de pensar que o Padre poderia dizer ao meu pai.
Como sabe bem lembrar estes episódios!
Se eu soubesse onde nasce o Sol
Ia até lá buscá-lo
Para te dar.
Queria trazê-lo pequenino
Como qualquer menino.
Mas ele não deixa.
Está sempre mais p’ra lá, mais p’ra lá.
Talvez para não nos queimar,
Com a sua intensidade.
É como a felicidade
Está sempre mais p’ra lá, mais p’ra lá!
Então...
Vamos ficar por cá,
E viver a Liberdade.
João Norte
A Livraria 107 nas Caldas da Rainha organizou um encontro de autores locais em que estive presente.
Foi um evento interessante; conhecemo-nos, pois havia vários autores, alguns com obra vasta, não nos conhecíamos e trocaram-se livros.
O público tb apareceu. Venderam-se mais uns exemplares de " O Peso do Silêncio". Pouco a pouco está quase esgotada a 1ª edição. Ainda há alguns para quem estiver ineressado no primeiro livro deste modesto autor, poderá pedi-lo aqui, basta deixar endereço. O autor agradece.
Boas compras, bons livros.
11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Abril.
O fanatismo aliado à brutalidade.
O que é que move estes doidos?
Os acaques contra a América, embora não se aceitando, podiam ter uma explicação. Mas estes?
O homem tem um grande espaço de inteligência e maior espaço de estupidez.
Como disse no pequeno texto anterior, tirei uns dias de férias, mais para a família e para sair do quotidiano, visto que, em férias, já estou permanentemente. Privilégio dos velhos.
Quis fugir das constantes polémicas à volta da Ota. Não sei se há razões para continuarem a discutir onde deve ser o novo aeroporto, por mim, apenas sou capaz de verificar a sua necessidade, e, por proximidade, convinha-me a Ota. Porém, o que mais me irrita é ter-se chegado a este momento e ainda haver dúvidas depois do povo ter pago tantos estudos.
Como dizia tentei fugir da Ota, mas, onde quer que estivesse, tinha de ouvir o folhetim “ licenciatura de Sócrates”. Andei por várias vilas e só me ocorre um episódio que me parece representar este país. Fui almoçar num pequeno restaurante, não digo onde para não fazer boa ou má publicidade; estava cheio o que agoiraria bom serviço, na lista constava “um arroz de marisco” não hesitei porque gosto muito. Veio a arroz com muito molho, demasiado picante e, de marisco, umas cascas de mexilhão, uma crosta de minúscula lagosta e meia dúzia de camarões.
Mas o episódio não era isto. Na mesa ao meu lado sentou-se um grupo, dois casais cada um com três crianças; pensei que, a final, não há falta de natalidade. A senhora, que ficou mesmo ao meu lado, pousou na mesa nada menos do que três telemóveis, de vez em quando, tocava um. As crianças, com idades entre os cinco e os dez anos, raparam cada uma do seu telemóvel e vá de jogar acompanhado cada jogo dos seus entusiásticos comentários.
Voltei para o sossego da minha casa.