setembro 29, 2007

Poema longo

Vou andar por aí

Como todos
Que ainda gozam do movimento
E enquanto puder usar o pensamento
Vou andar por aí.

Prós amigos e aqueles que o não são
Tentando pôr os pés no chão,
Vou andar por aí.

Insignificante centelha
Menor que o átomo que nada é,
Vou andar por aí.

Na busca de mim próprio,
No meio de fantasmas errantes,
Na densidade das noites vazias,
Vou andar por aí.

No deserto das insónias,
Na escuridão dos sonhos impenetráveis,
Vou andar por aí.

Nas rugas do tempo que marcam o rosto,
No sorriso das crianças que vi crescer,
Na palidez da noite,
Nas lágrimas dos que sofrem,
Entre as mãos estendidas dos mendigos,
Vou andar por aí.

Nas horas solitárias das multidões apressadas,
Na esperança dos que lutam,
Varrendo a poeira do tempo,
Patinhando manhãs de orvalhos inventados,
Vou andar por aí.

Nas paixões dos amantes,
Na paz dos inocentes,
Entre a gula dos ricos e soberbos,
Na vaidade dos convencidos,
Vou andar por aí.


Escutando o coreto de silêncios vazios
Da música que se foi,
Caminhando de ombros descaídos
neste entardecer da vida
espreitando a baía das marés,
no vai e vem dos desníveis oceânicos.
Vou andar por aí

No passo trôpego das pétalas caídas,
Na procura intrínseca da tranquilidade,
Na passagem esquiva do asfalto aquecido
Em nos verões longínquos,
Vou andar por aí

No adeus da tarde de Outono
Em marcha do tempo fugido,
Nos olhos cansados dos velhos,
No rir das crianças de futuro incerto
Vou andar por aí.

Sobre os esqueletos dos mortos
Dados como estrumo è terra
Que os criou,
Na glória incerta
das esperanças perdidas,
do suicídio colectivo das guerras travadas,
e nunca ganhas,
em nome dos deuses,
Vou andar por aí.


E mesmo depois que a morte me leve,
Em dia que nunca saberei,
Que apenas fique o meu nome,
Gravado na pedra fria,
Ou no coração daqueles que eu amei,
Vou andar por aí.

João Norte


Publicado por João Norte em 03:47 PM | Comentários (78) | TrackBack

Líderes?!.....

Coitado do Marques Mendes. Sempre achei que era um "lider" e tempo curto, mas não pensei que fosse tão curto.
Agora vem o outro Luís a pensar que dura muito.
Coitado!...
Onde estará o próximo " barão"

Publicado por João Norte em 02:39 PM | Comentários (3) | TrackBack

setembro 24, 2007

Um pequeno conto.Reposto.

A Estrada de Macadame
Combinámos encontrar-nos ali. Na beira da estrada. Era uma manhã de Primavera daquelas em que o Sol nasce brilhante, mas em que o frio da noite ainda se faz sentir até a meio da manhã. Tudo tardavas. Eu esperei ansioso, sentado na berma sobre um monte de brita. Brita partida à mão por homens de tronco nu, que durante doze horas, sentados ao sol, martelavam sem descanso em pancadas ritmadas, as grandes pedras ali deixadas. Dois homens fardados e armados de espingardas montavam guarda àqueles outros, castigados a trabalho forçado, cerceando-lhes as liberdades.
Sentado ali sentia-me culpado. Suspenso sobre o vale como borboleta na brisa fresca da manhã, sustendo a minha ansiedade pela tua demora procurava ignorar o que me rodeava. O bater das picaretas marcava o ritmo do meu coração que acelerava com a tua demora.
Eu só pensava em ti e via em todas as imagens que se aproximavam a tua figura. Mas tu não vinhas. As horas passavam. Eu tentava matar o tempo, estendê-lo anulá-lo; Como se tentasse parar o sol na sua caminhada, brincava atirando pedrinhas que planavam no ar, sobre o vale como aves de rapina.
Olhava o firmamento cristalino e procurava a lua que nos tinha acompanhado no nosso primeiro beijo. A lua não estava lá. A lua muda. Muda de face e de posição. Uma constante mudança que me assustava. Serias tu como a lua?! Terias mudado?! Recordava as tuas palavras. Dentro dessas palavras procurava o sentido e a solidez dos teus pensamentos ditos à luz leitosa e calma do luar. Procurava o som das palavras e só encontrava o silêncio, o peso do silêncio, maior do que o peso das pedras da estrada de macadame que eu pisava. O silêncio doía. O tempo corria com a ausência do teu corpo, das tuas palavras, e eu já via o fim da tarde, o sol que desaparecia por detrás do outeiro, e de ti nem o cheiro que eu guardava nas minhas narinas. Eu a sentir-me magoado, amachucado, destruído com a ausência das tuas palavras. Eu que pensava que o amor não necessitava de palavras! Isso seria verdade se houvesse presença. Se o teu corpo estivesse ali. Se eu pudesse sentir-lhe o calor, cheirar o seu perfume, tocar-lhe, percorrê-lo com os meus dedos ou com os meus lábios, sentir o veludo da tua pele, as palavras seriam desnecessárias. Mas não havia nada. Esse nada tornou-se demasiado denso, demasiado presente, demasiado pesado, o meu corpo foi vergando. A dor da tua ausência foi-se instalando. A luz do sol fugiu, os homens que partiam as pedras foram embora, os pássaros calaram-se, a lua voltou sozinha.

Publicado por João Norte em 03:51 PM | Comentários (52) | TrackBack

setembro 22, 2007

O almoço de blogues que não esquecerei.

Hoje tive o “almoço cultural” que jamais esquecerei. Nele conheci um grupo de pessoas que escrevem. Mas, para alem de escreverem, são pessoas extraordinárias. De alguns conhecia o nome; de outros alguns escritos nos blogues; de duas as fotos: a Dulce e A Otília. Um amor esta Otília!
Sem querer fazer escala de valores, queria destacar o Jorge Casimiro. Espantoso! Lendo a sua biografia ficamos impressionados com a sua inteligência, a sua tenacidade e a vastidão da sua obra. Lendo os seus poemas fica-se prisioneiro. Não costumo ler muito à noite, a vista já me vai ficando cansada. E no entanto, estou a ler “murmúrios ventos” do Jorge e não consigo parar. Deliciado, sinto-me pequeno. Não sei a que horas irei para a cama.
Obrigado à Otília por me ter inscrito neste almoço.
Obrigado a todos pela simpatia.
A minha mulher veio encantada.
A Catarina (a filhota) excitadíssima.

Publicado por João Norte em 09:47 PM | Comentários (48) | TrackBack

setembro 20, 2007

As Escolas da Senhora Ministra.

A Senhora Ministra da Educação já nos habituou às suas ironias. Já ninguém tem dúvidas que S. Ex.ª tem mesmo muita graça. Naquela boca tudo são verdades o país (o dela) é uma maravilha. Daí a Sr.ª ficar indignada com a DECO por esta vir dizer que em algumas escolas fazia frio.
É mentira!...
As nossas escolas têm todas ar condicionado.
É pena que S. Ex.ª confunda as escolas com o seu próprio gabinete. E que, cada vez que visita uma escola, seja aquela que nos quer (aos portugueses que ainda acreditam) mostrar.
Eu faria uma sugestão à Sr.ª. Ministra. Comece por um distrito qualquer, mais rico ou mais pobre, pode ser mesmo do rico litoral, e mostre as escolas todas desse distrito. E aí, o povo verá, a televisão mostrará a maioria das escolas cobertas de placas de cimianto (amianto) sem qualquer aquecimento ou refrigeração e onde, muitas vezes chove nas salas de aula.
Por favor, Senhora Ministra, basta de fazer deste povo parvo. O Zé-povinho do Bordalo já vai longe. V. Ex.ª. está noutro século e vive noutro país.

Publicado por João Norte em 06:34 PM | Comentários (0) | TrackBack

Aos amigos. Por favor

O Autor e a Livraria 107

têm o prazer de convidar V. Ex.ª para a apresentação do livro
O Vale do Moinho de João Norte.

A apresentação será feita conjuntamente pelo Autor e pela Dr.ª Isabel Quitério.

A apresentação realizar-se-á no dia 12 de Outubro (sexta-feira), pelas 21 horas, no Café Bar Populus, Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha.


Para mais informações:
Tel. 262 842 426
Telm. 962560660
Aos amigos deixo este convite.
Aproveito também para dar o meu outro e-mail: j.lnorte@hotmail.com

Um abraço

Publicado por João Norte em 02:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 18, 2007

Pacheco Pereira anda distraído

O Pacheco Pereira diz que o Mário Machado é apenas culpado de delito de opinião.
De certo não viu a arma que o Mário Machado empunhou perante a televisão. De certo não ouviu o Mário Machado incitar à desobediência. De certo não ouviu o Mário Machado dizer que havia muitas armas como a dele nas mãos dos “rapazes”. De certo não ouviu o Mário Machado dizer que iriam resolver pela força o que chama de “bandalheira”correr com os imigrantes.
O Pacheco Pereira anda mesmo distraído!

Publicado por João Norte em 08:51 AM | Comentários (17) | TrackBack

setembro 11, 2007

Seis anos depois.

Não é caso para esquecer. O mesmo perigo está por aí. É. no entanto, caso para perguntar: como é que a CIA a Mossad (que de certeza está metida) ainda não conseguiram apanhar o Bid Laden? Será que oa EU têm de prometer tanto dinheiro que o próprio se apresente para receber o prémio? Por este andar o homem recebe o maior seguro de vida jamais pago. Se não fosse trágico dava vontade de rir.

Publicado por João Norte em 04:57 PM | Comentários (2) | TrackBack

setembro 08, 2007

Ai dos pequenos!

O Dalai Lama é chefe religioso do Tibete ocupado pela China.

O Dalai Lama não será recebido pelo Estado Português para não”ferir”, diplomaticamente, a China.

Olha se a China se lembra de invadir e ocupar a Itália e destituir o Papa!?

Publicado por João Norte em 07:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 05, 2007

Pequena poetisa

Enquanto dormias
Num sonho profundo
Sentia as tuas palavras
Numa poção misturada
Sentimentos sem fim
Paixões a desabrocharem
Mas não,
Acordaste
E o dia acabou.

Catarina Norte – 9 anos

Poema premiado com 2º lugar entre 20 concorrentes, num concurso de poesia organizado pela empresa das Águas do Gerês.

Publicado por João Norte em 06:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

setembro 04, 2007

Depois das férias.

O dia de ontem foi de ressaca. Não de bebedeira mas de excitação pelo lançamento do meu romance “ O Vale do Moinho” que correu lindamente.
Porém, mesmo ensonado, ouvi as palavras da Sr.ª Ministra da Educação na RTP. A Sr.ª disse que nas escolas havia um rácio de 7 (sete) alunos por professor.
Será que eu não estava a ouvir bem?
Será que estou maluco?
Ou será que a Sr.ª Ministra falava de outro país? Talvez na estratosfera!
A demagogia deveria ter limites!

Publicado por João Norte em 03:20 PM | Comentários (1) | TrackBack