Chego a casa, atiro as compras que a minha mulher me mandou (isto mesmo) fazer para o balcão da cozinha, olho o relógio, meio dia. Ligo a televisão. Julgamento dos implicados nos atentados de 11 de Março em Madrid. A brutalidade das imagens fere-me novamente. No dia dos trágicos acontecimentos entraram-me na retina com a mesma impreparação, nunca estamos preparados para estas brutalidades. Lembro-me da corrida às notícias, quem estaria por detrás de tão brutal acção contra simples trabalhadores que se dirigiam à cidade? As dúvidas eram muitas. Certezas tinha apenas o P. Popular espanhol e o José Pacheco Pereira. Era a ETA! Não tinham dúvidas. O interesse político cegava aquelas cabeças “ inteligentes”, ia haver eleições e tudo serviria para encarreirar.
Já há tempos que não visitava o “Abrupto” do Pacheco Pereira, fui ver agora, fala de coisas tão desinteressantes como o facto de Luís Filipe Menezes, o novo “líder” do PSD, fazer parte do conselho de estado.
As notícias seguem com acordo entre BPI e BCP ( os donos “disto”), escutas a mais e escutas a menos, o primeiro ministro diz que não contem com ele para desvalorizar a escola pública. Quem encomendou o “estudo do sr. Roberto carneiro, que nós pagámos?
Uma srª aconselha os portugueses a pouparem. Quais portugueses? Os que não ganham para comer?
Bardamerda...desligo a televisão.
Este blogue fez ontem quatro anos. Não me lembrei da data. Hoje percorrendo, distraidamente, a blogoesfera vi uma referência num blogue amigo. São quantro anos, com algum cansaço, durante os quais se escreveu aqui, despreocupadamente muita coisa: crítica, conto, poesia.
Desses textos, misto de conto e alegoria, repesquei.
Escrevo no corpo dela
O corpo dela é página em branco estendida na minha frente. Branca, inerte, sem oposição, sem luta, sem ódios, sem traços, sem marcas do tempo nem passado, à espera dum tempo que marque com traços de fogo, cicatrizes de sangue o rasto da minha caneta.
A minha mão pega na caneta e treme. Treme de fúria, de força e vigor, de ânsia e de incertezas. Treme, mas escreve. Escreve como se traçasse caminhos num espaço vazio de sombras, como se rasgasse montanhas e vales na escuridão dos desejos por realizar, das esperanças prometidas, dos projectos guardados, do amor contido dentro da alma que deseja e sofre.
Escrevo, e a caneta é lâmina marcando na sua pele sedosa caracteres pessoais que só eu entendo, que só eu sei o que dizem, que só eu sei o que significam. Caracteres indecifráveis a quem não ama, a quem nunca amou com paixão.
Contorno com a minha mão as formas do seu corpo com curvas de dessejo rasgando sentidos e escrevo na sua carne a força da minha carne. Escrevo uma realidade em retalhos de sonho e pedaços de sexo e hesito naquilo que escrevo primeiro. Sonho ou sexo? Sem saber o que me move com mais força, mais pressa, mais urgência. Sem saber o que vem primeiro, o sonho o sexo, o amor? Ou será o sonho, a paixão, o amor e o sexo? Que importa?!... Escrevo!
Com os meus dedos desenho o desejo no corpo dela, nos lábios dela que se estendem e oferecem aos meus lábios, aos dedos, à minha caneta que os escreve. Escrevo o meu corpo no corpo dela em texto indelével que o tempo não apagará. Escrevo no seu corpo as minhas paixões, as minhas vaidades, as minhas volúpias, os meus erros, os meus medos, as minhas ânsias a máscara da vida e da morte, antes que a morte me interrompa, e a escrita inacabada deixe o texto na escuridão da noite que se consome no tempo do espaço vazio.
Escrevo nos seus olhos o brilho que me alumia o caminho, que não sei precorrer na noite sem escrever. Escrevo como quem percorre a casa ligando as lâmpadas, abrindo as portas para que o vento empurre a alma, liberte o corpo, deixe o espírito vaguear no espaço sem limite, e o sonho correr para lá do horizonte, para lá do possível.
Na sua boca escrevo as palavras sentidas, deixadas cair em momentos de paixão sem concrole, em que o sangue nos corre nas veias fervendo, queimando os sentidos. Escrevo os silêncios. Escrevo o vento, companheiro da nossa aventura, porta-voz do nosso sofrimento.
Ontem tive o prazer de assistir ao lançamento de mais um livro " Ponte Levadiça" papiroeditora, da autora caldense Isabel Gouveia, do qual, com a devida vénia, destaco e aqui republico este poema.
Isabel Gouveia é jurista de formação e profissão. Tem uma vasta obra publicada quer como jurista quer como ficcionista e poetisa. Uma Senora com um S muito grande.
Cultura de Gosto Formatado
Vinde todos zelosos aspirantes
à cultura de gosto formatado
Cada semana é lido e comentado
um conjunto de livros relevantes
Que as má-línguas se enrolem no palato
e que o palato absorva o seu veneno
Dá mostras dum tamanho bem pequeno
o que duvida do valor do acto
Há super gente e super intelecto:
lendo uma linha lê o livro todo
(não vejam nisto um qualquer engodo)
que de uma hora faz-se um mês completo
Importante é o andar da carruagem
mas esta é caprichosa e muito bera:
umas vezes arranca e acelera
outras vezes abranda e faz travagem
Quem não entende esses tão sábios críticos?
Não vejam nisto algum cinismo tolo
Custa bastante conservar o bolo
e tudo o mais são ademanes místicos
Isabel Gouveia.
Os jornalistas e os fotógrafos correm e atropelam-se numa azáfama. Os políticos, sincera ou cinicamente, sorriem.
Enchem-se as páginas dos jornais, enchem-se os ecrãs das televisões com os senhores importantes deste mundo chamado Europa.
ASSINADO O TRATADO DA EUROPA!
Mas afinal o que assinaram eles?
A Europa tem 400 milhões de cidadãos que pagam impostos e cuja vida depende em muito do que estes senhores assinam.
Quantos, destes 400 milhões, sabem o que se assinou ou se vai assinar?
Esta conversa foi escutada à porta de uma escola secundária. A mãe pergunta à filha como tinha corrido o dia na escola.
– Ah... fui mandada para a rua na aula de português.
_ Porquê? Pergunta a mãe.
_ Porque estava voltada para trás a conversar com a Paula, a stora mandou estar atenta e eu continuei a conversar. Tinha coisas para falar com a Paula!....Ora.
Resposta da mãe:
_ Porque é que não mandaste a professora à merda?
O Autor e a Livraria 107
têm o prazer de convidar V. Ex.ª para a apresentação do livro
O Vale do Moinho de João Norte.
A apresentação será feita conjuntamente pelo Autor e pela Dr.ª Isabel Quitério.
A apresentação realizar-se-á no dia 12 de Outubro (sexta-feira), pelas 21 horas, no Café Bar Populus, Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha.
Para mais informações:
Tel. 262 842 426
Telm. 962560660
O Sr. Presidente da República acha que os professores devem ser considerados pela população.
Como terá sido o entendimento das quintas-feiras com o Sr. primeiro-ministro sobre este assunto? Difícil com certeza!