Nota.- Este texto não tem pretensões científicas, apenas referenciais.
No texto anterior referi a formação de professores em anos de estudo e bases científicas, refiro agora a ”confusão” pedagógica que decorreu paralelamente.
Ao longo do Século XX decorreu ainda o modelo da Escola Tradicional. Mas já na segunda metade veio a Escola Nova, a Escola Moderna, a Escola Não Directiva, a Escola Activa, a Escola Construtivista, a Escola Conducionista, para só referir os modelos mais conhecidos.
Estes modelos subdividem-se em práticas diversas e assentam em correntes filosóficas que se contrariam ou se completam, mas todas exigem uma atenta e perspicaz leitura.
Correntes filosóficas estruturalistas, behavioristas, evolucionistas.
Linguagens como John Watson, Skinner Pavlov, Carl Rogers, Piage, A Neill, Young, Illich, Hassenforder, Mager, Landsheere, Bloom, e muitas outras.
Pessoas com uma formação básica do 5º Ano não têm capacidade de compreender estas linguagens.
À tradicional autoridade da palmatória opõe-se uma total desordem e desorientação. Onde se lê “ a crianças não devem ser obrigadas a ter a mesma caligrafia, compreende-se que “não se deve ensinar a escrever”. Onde se diz que a criança “não deve decorar a tabuada” lê-se que não necessita aprender aritmética, se a máquina faz equações, não é preciso aprender cálculo. Etc, etc.
No Ensino Secundário a formação de professores andou nas mesmas bolandas. Inspectores orientadores, que de orientadores não tinham nada e muitos formadores engoliram Bloom e uma grelha de planificação, deixando de lado conhecimentos e práticas pedagógicas. A escolas não têm capacidade (nem interesse) em saber quem ensina de verdade, apenas a transição de ano, a resposta à pressão dos pais.
Ao governo apenas interessam os números para constar na EU.
Assim, chegou-se ao mau trabalho que alguns professores estão a fazer. Mas note-se que estes professores trabalham e muito. E há professores a fazerem óptimo trabalho. É preciso separar trigo do joio. Por isso eu disse em texto anterior que não é diabolizando uma classe que se melhora o ensino.
Porém os alunos chegam ao 9º ano e não sabem escrever nem ler.
Os pais, após a revolução de Abril confundiram liberdade com irresponsabilidade. Para as crianças e adolescentes o professor é o murro a derrubar. As escolas passaram a ser mais “uma arrecadação de alunos” do que um espaço onde todos se esforçam para melhorar a aprendizagem.
Duas notas que ilustram:
1- Porque me recusei a decifrar gatafunhos que não entendia, passei várias aulas ao 10ºAno a ensinar como se faziam as letras, porque ninguém tinha ensinado alunos inteligentíssimos que um z, f ou h se faziam de forma diferente, que um com e um sem têm valor contrário.
2 – Alunos do 12ºano pediram-me para lhes ensinar como se faziam contas de dividir com 2 algarismos no divisor.( alunos de economia).
Talvez os exames venham por um pouco de ordem, não porque , por si só, avaliem alguma coisa, mas porque exercem pressão sobre os alunos, os professores e os país.