No texto anterior dei os meus parabéns à RTP pelo trabalho apresentado em directo sobre Ensino.
Mantenho os parabéns, mas esclareço.
O telejornal foi feito em directo de colégio de Leiria onde, por concurso de um grupo de alunos, foi instalado um sistema de computadores que permitem ao aluno, entre outras coisas, substituir o livro tradicional pelo computador, assistir em casa às aulas em caso de necessidade de falta, interagir com os professores, testes em tempo útil etc, e aos acompanharem por computador a vida escolar dos filhos. Para todos este “luxo” cada aluno tem na sua frente um computador de monitor plasma, a sala um motor/quadro onde o professor pode fazer todas as operações que a informática lhe permitem.
Os meus parabéns advêm, não do directo, mas de ter sido também mostrado algumas situações da outra face do ensino, desde escolas onde os pais não deixam ir os filhos por falta de condições, escolas isoladas no distrito de Bragança ou escolas a funcionar há anos em contentores outras onde a única sala onde os alunos se recolhem foi uma cozinha minúscula, uma em Lisboa que há anos funciona em pavilhões improvisados com placas de contraplacado roto por onde podem passar ratos gatos e cães a ser de porta onde há uma retrete num buraco por casa-de-banho, outras com buracos no telhado ou no chão.
Isto mostrou como estão longe os ricos dos pobres. Como as Câmara, nomeadamente Lisboa, onde se propõem gastar milhões em trabalhos de arquitectos famosos, têm andado arredadas da sua responsabilidade nas instalações escolares.
Isto mostrou também, apesar das boas intenções do governo, como estamos longe de um ensino comparável ao que se faz nos outros países europeus.
Isto mostrou também que não é apregoando que os professores vão trabalhar mais horas que se resolvem os problemas do ensino.
Isto mostrou muita coisa que está por fazer e como temos sido levados, desde há anos por autarcas demagogos para quem o povo só interessa enquanto pagante.