Exalam perfumes das sementeiras.
O povo não consente mais mentiras.
Meninos bons!...
Escuto as vossas vozes
E acredito.
Haverá sempre pássaros.
Jamais serão retirados dos seus ninhos.
O gavião de unhas afiadas
Será castigado.
Os pastores
Levarão o seu gado
Nas paz das campinas,
E no adro cantarão meninas
De risos claros e divinos,
Na rua jogam meninos,
Rotos, nus ou bem trajados,
Mas todos irmanados.
Meninos bons!...
Eu acreditei em vós.
Escuto a vossa voz
Na minha rasgada solidão,
E salto à multidão.
Murcham os lírios brancos
No meu peito.
Afloram as marcas do tempo,
Ano a ano,
Cobertas pelo pó do desengano.
João Norte.
Abril 2006.