setembro 05, 2006
Tarde de Agosto
Tarde quente de Agosto.
Sento-me, a contra gosto,
Na esplanada sozinho.
Da rua, sobe o vento de azevinho.
No espaço, há aromas matizados de café.
Estalam, no ar, gargalhadas de crianças.
Um dia serão velhas!
A juventude é uma rosa
Que envelhece e se desfolha
Com um sopro.
Os pássaros descansam entre folhas
Das árvores que estendem a sombra no asfalto,
Na luz roxa projectada em lençol,
Pelo Sol que jorrou lá do alto.
E eu procurei a solidão
Nas fugas daquele sol.
Há ciprestes ao longe
Que crescem das paredes,
Recordações de campos verdes,
Caminhos poeirentos
Que não sei por onde hão-de ir,
Por ali passaram rebanhos que já não vejo.
O meu coração viu-os partir.
A rua está deserta.
E eu também!
João Norte.
Publicado por João Norte em setembro 5, 2006 04:19 PM
A vida é feita de muitas coisas, mas também é feita de ciclos. Ela própria é um ciclo, que um dia se fecha...
As tais crianças que agira brincam e riem despreocupadas, amanhã serão os velhos que, sentados num banco, de um qualquer jardim, recordam os episódios mais marcantes, da sua própria vida.
Tal como nós, os nossos pais e avós, e os pais dos nossos avós, o fizeram.
Os tais rebanhos que já não se avistam...
Os campos outrors verdes, e agora cinzentos de ervas secas...
As aldeias cheias de gente e de crianças em grupos, que brincavam alegremente, e agora desertas...
E tantas outras coisas... que apenas povoam as prateleiras da nossa memória.
A vida é um ciclo... que um dia se fecha!
Restam as lembranças...
Um beijo e um eco meus
Bonito e bem construído.
"A rua está deserta. E eu também".
O que se vê exteriormente parece sempre contaminado pela paisagem interior. Ou o contrário...
Espero que o teu deserto seja de tranquilidade, não um deserto arido, esta muito bonito o teu poema
beijinhos