outubro 15, 2006

O fantasma da bengala

Abro a gaveta dos sonhos
Que o tempo apagou.
Escuto a criança que palrou,
A inocência da vida por viver.
Acordo no sobressalto
Que abalou o corpo preso à cama
Da noite sem dormir.
Há já operários que labutam,
Os padeiros estão cozendo o pão.
Os galos, inconscientes,
Cantam por instinto e persistência.
Almejo a bengala do velho
Que não sabe sorrir
Porque a Primavera já não volve.
Sinto o silêncio da solidão,
Fantasma de mil dentes
Cravados no medo que me envolve,
Das noites perdidas na existência.
E rendo-me ao cansaço da tua ausência.


João Norte

Publicado por João Norte em outubro 15, 2006 05:36 PM
Comentários
pega lá um molete pa paxares o tempo. Afixado por: cândida em janeiro 3, 2007 07:34 PM
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