dezembro 18, 2006

O Natal na minha aldeia morreu.

De vez em quando volto. Parece ser uma fatalidade comum, todos sentimos aquela atracção do regresso como se as rizes nos prendessem ao solo em que nos plantaram como as árvores.
Porquê? O que é que nos faz voltar? Já escrevi aqui há meses que, após a morte dos parentes que lá ficaram nada me atraía àquele espaço.
Porém, estava redondamente enganado. Já não tenho parentes na minha aldeia, amigos propriamente nenhuns e poucas pessoas que lá vivem me conhecem ou se lembram se mim.
O que é existia que ainda exista? As referências. O rio, os caminhos, as cores, os cheiros, as árvores, sobretudo as árvores saltam à memória, desenterram os mortos, agitam-nos com se fôssemos sacudidos pelo vigor da infância, acarinhados pela inocência da nossa meninice.
Junto ao local onde nasci, junto ao caminho de lama, mesmo no topo norte do casal dos meus pais, onde a minha mãe nasceu, existia um velho carvalho. Dizia o meu avô que o tinha plantado quando era rapaz novo. Eu sou o mais novo de 5 irmãos, a minha mãe a mais nova de 4 irmãs, o meu pai o mais novo de 10 irmãos. Aquele carvalho tinha quase 2 séculos. Era enorme!
Era ali, à sombra daquele carvalho que se juntavam os poucos homens da pequena aldeia para conversar ou jogar uma partida de cartas. Era ali, debaixo do enorme carvalho que se acendia o tronco na noite de Natal.
Foi à sombra do velho carvalho que ouvi o meu avô contar as histórias das suas aventuras de quando era novo.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que me ensinou o movimento da lua e das estrelas.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que dei o meu primeiro beijo, sofri as primeiras paixonetas.
Foi ali, à sombra do velho carvalho que cresci e me fiz um homem.

O velho carvalho não está lá. A moderna estrada de asfalto arrancou o velho carvalho.
Na aldeia já não há Natal. Talvez haja dentro de algumas casas, mas o Natal da aldeia morreu, como morreu aquele carvalho, derrubado pelo modernismo.

Odiei as modernas estradas de asfalto.

Publicado por João Norte em dezembro 18, 2006 05:24 PM
Comentários
Olá... Vim desejar que sejas muito feliz; que busques e alcances os teus sonhos. Que neste Natal a tua vida seja repleta de alegria e que tudo dê certo para ti. Seja feliz neste Natal. Que todas as boas surpresas se revelem nessa noite de paz, para que tu sintas orgulho de ser feliz, de ser essa pessoa especial que tu és; Que a cada presente, a cada abraço, tu venhas a sentir o carinho das pessoas que tanto te consideram, por isso, estou aqui para te dizer: Seja feliz! Fique em paz, abre o teu coração e tenha o melhor Natal! Tu mereces e eu vim desejar-te, todos os votos de saúde, amor, prosperidade e alegria. Feliz Natal para ti. Beijos e um sorriso. Afixado por: Nylda em dezembro 19, 2006 05:36 PM
[A quantos me têm lido e comentado Desejo um Natal pleno de cor E que em 2007 Cada despertar Possa ser um hino De exaltação à VIDA e ao AMOR!] ... BLUE SHELL Afixado por: blueshell em dezembro 21, 2006 05:10 PM
Sim é esse o sentimento que eu tenho, quando vou à terra que viu o meu Avô nascer... Já não há lá Natal... Beijinho solidário ;) Afixado por: Menina_marota em dezembro 22, 2006 01:12 PM
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