Um museu não é um local onde se guardam recordações. Um museu é um local onde se apresentam objectos de Valor (e aqui valor representa o que foi bem feito).
Um museu não é um espaço onde se guardam documentos ou objectos que sejam importantes para estudar uma época. Para isso existem os arquivos.
Por estas razões e por outras que tornariam este texto extenso, eu sou contra, radicalmente contra a criação de um museu dedicado a Salazar. Estamos a assistir por muitos meios a um revivalismo salazarista, desde colocá-lo como um dos portugueses mais importantes, a manifestações mais ou menos saudosistas.
A maioria dos portugueses conhece mal o que foi Salazar como político e como governante. Na sua propaganda, ele criou o seu mito. A escola então amordaçada nada esclareceu, depois do 25 de Abril, por uma espécie de pudor que nunca entendi, continuou a não esclarecer e a igreja foi e continua a ser a grande propagandista dos chamados valores do salazarismo.
A confusão e agitação que resulta hoje da abertura das fronteiras e do globalismo económico e político são comparadas à pasmaceira do tempo da ditadura sem se perceber que essa agitação resulta da própria liberdade de circulação e expressão. E, por isso, os saudosistas ignorantes clamam por “Salazares”
Há um trabalho urgente a ser feito nas escolas: o estudo histórico correcto d o que foi o período da ditadura económica e socialmente.
Para isso os documentos e objectos de Salazar são importantes, guardem-se em arquivos nacionais e não se utilizem para realçar saudosismos fascistas.