Como disse no pequeno texto anterior, tirei uns dias de férias, mais para a família e para sair do quotidiano, visto que, em férias, já estou permanentemente. Privilégio dos velhos.
Quis fugir das constantes polémicas à volta da Ota. Não sei se há razões para continuarem a discutir onde deve ser o novo aeroporto, por mim, apenas sou capaz de verificar a sua necessidade, e, por proximidade, convinha-me a Ota. Porém, o que mais me irrita é ter-se chegado a este momento e ainda haver dúvidas depois do povo ter pago tantos estudos.
Como dizia tentei fugir da Ota, mas, onde quer que estivesse, tinha de ouvir o folhetim “ licenciatura de Sócrates”. Andei por várias vilas e só me ocorre um episódio que me parece representar este país. Fui almoçar num pequeno restaurante, não digo onde para não fazer boa ou má publicidade; estava cheio o que agoiraria bom serviço, na lista constava “um arroz de marisco” não hesitei porque gosto muito. Veio a arroz com muito molho, demasiado picante e, de marisco, umas cascas de mexilhão, uma crosta de minúscula lagosta e meia dúzia de camarões.
Mas o episódio não era isto. Na mesa ao meu lado sentou-se um grupo, dois casais cada um com três crianças; pensei que, a final, não há falta de natalidade. A senhora, que ficou mesmo ao meu lado, pousou na mesa nada menos do que três telemóveis, de vez em quando, tocava um. As crianças, com idades entre os cinco e os dez anos, raparam cada uma do seu telemóvel e vá de jogar acompanhado cada jogo dos seus entusiásticos comentários.
Voltei para o sossego da minha casa.