outubro 18, 2007
Conversa de mãe e filha. Caso real
Esta conversa foi escutada à porta de uma escola secundária. A mãe pergunta à filha como tinha corrido o dia na escola.
– Ah... fui mandada para a rua na aula de português.
_ Porquê? Pergunta a mãe.
_ Porque estava voltada para trás a conversar com a Paula, a stora mandou estar atenta e eu continuei a conversar. Tinha coisas para falar com a Paula!....Ora.
Resposta da mãe:
_ Porque é que não mandaste a professora à merda?
Publicado por João Norte em outubro 18, 2007 12:41 PM
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Já há bastante tempo que não frequento os portões das escolas mas, conhecendo um pouco das pessoas, sei que esta conversa deve ser bastante real. Que triste perceber onde nós chegámos!!
Depois são estes pais que acham estranho o insucesso dos filhos e culpam todos menos a eles próprios!
Desabafo
Eu venho do tempo em que à Escola se exigia que ensinasse e educasse.
À família exigia-se que educasse. E ela chamava a si a responsabilidade de transmitir aqueles “pequenos nadas” da diferença e do respeito.
Eu venho do tempo em que ser Mestre era maiúscula. Saber. Orgulho. Exemplo. Distinção.
E ser aluno era ufania. Início de caminho: suado, árduo, expectante. Sabor a Conquista!
Não se empatava a infância, não se perpetuava o crescimento.
Hoje sou do tempo da inquilinatite a termo, infestante. Da facilitite ardilosa. Do plágio.
Hoje sou do tempo em que à escola se exige que tome conta, que assista, que caie insucessos, que não desdiga percentagens.
E as famílias?! Criam riqueza, combatem défices, labutam com PIBs, ensandecem.
Ser professor passou a ser matéria de/para censura. Sem comedimento nem urbanidade.
E ser aluno é agora uma passagem, não raro, sem outra margem.
Mas resiste-se. Sempre!
E o Exemplo mantém-se, de forma cheia e prenhe como sinónimo de Escola.
A minha escola, a sua escola (na ênfase do possessivo), a escola de todos os que não abdicam - pedagogos, alunos, pais, funcionários - e exercem em conjunto, sem atropelos ou insolência, a difícil e gratificante tarefa de educar.
E que por aí se atire o diabo às canelas de certos bem-pensantes!